sábado, 26 de julho de 2014

Escolhi ser militante. A Política em primeira pessoa ___ Luciana Cavalcanti



Fiz uma escolha: sou militante. Quando falo sobre Política não é opinião, é posicionamento. Expresso aquilo que orienta as minhas decisões e ações. A leitura permanente dos fatos é, dentro dos encargos de minha escolha, uma obrigação.
Indigno-me. Cotidianamente, me posiciono contra recorrentes situações de injustiça. Desta indignação cotidiana, brotou a tarefa que me dei ainda bem jovem: compreender. E fiz-me estudante de História e de Economia, para compreender. Não obtive meu diploma em Economia - inclusive, pela dificuldade que havia anos atrás para um pobre concluir o Ensino Superior na rede privada. Segui. Dediquei-me e dedico-me à Pesquisa e à Prática Educacional como minha resposta esperançosa à indignação que me provoca enquanto gente. Educo e me educo por apostar na Mudança.
Apostei, por minhas causas, uma vida.
Toda aposta é um risco. Perco, às vezes. Ganho bem mais! Minha vida tem sentido.
Mas a Política me traz lições amargas... Entre elas, as lições da dificuldade da Democracia, do Diálogo, da Construção do Consenso. No debate público, se conquista adversários por se expressar sem farsas, sem meias palavras. Na defesa de princípios e na busca da coerência, também se pode errar, mas é imprescindível ser radical: vinculado, apropriado, às nossas raízes. Assim sou. Assim me fiz.
E não me arrependo de minhas escolhas.
Fiz análises erradas, reconheço, mas, quando agi mediante as análises que tinha, agi em coerência com o que acreditava, então. Superei. Voltei. Reconheci. Frequentemente, pedi desculpas e agradeci as críticas.
Porém, nunca reduzi minha análise política à mera opinião. Quis traduzi-la, incansavelmente, em ação.
Nesta lida, a gente leva tanta porrada, que machuca. Parei para cuidar das feridas. E vou seguir. Seguir com a certeza de que é isto o que me faz. Seguir com a certeza de que minha indignação não pode ser ranzinza, mas ser gesto permanente e amoroso de buscar fazer-me mais e fazer mais para que as coisas sejam diferentes. Que o mundo seja mais justo e toda a gente, plenamente, mais gente.
Relembro, publicamente, estas coisas porque após algumas decepções com o meu primeiro partido político, alguns amigos e conhecidos fizeram-me cobranças acima de minhas possibilidades e poder de decição e ação militantes. Não foi nem é apenas duro, doloroso, foi e é injusto. Injusto porque eu insisti, mesmo aos pedaços, em seguir lutando e sonhando. Injusto porque sempre procurei estar ao lado, ombro a ombro, com companheiros dedicados, companheiros coerentes que, em absoluto, não são melhores que ninguém, mas lutam frequentemente pelas melhores causas!
Para seguir lutando e sonhando, estou, agora, no Partido Socialismo e Liberdade, o PSol. Acredito que o PSol é um partido necessário, para a democracia brasileira, para a discussão de outros modelos de Sociedade, de outros mundos possíveis. E o PSol é necessário para mim, que nunca parei de me indignar com a injustiça que a gente não engole seco, nem deve engolir de modo algum; é necessário, para mim, seguir lutando e fazendo diferente.
Mas é impossível fazer diferente sozinhos. Então, meus amados amigos, paciência: eu vivo Política, e 2014 é um marco, um desafio, para cada um de nós que, como eu, indigna-se, sonha, luta e ousa buscar o diferente.
A proposta é dialogar. Mas pelas melhores causas, a gente briga também. E, amorosamente, aposta uma vida. É isto aí.

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