quinta-feira, 13 de junho de 2013

"Precisão" - Luciana Cavalcanti



Era precisamente aquele amor,
mas aquele amor
que, de tão perfeito,
pareceria impossível;
de tão cabível,
pareceria descabido;
de tão lúcido,
pareceria loucura;
de tão louco,
pareceria invenção!

Mas era precisamente amor,
nem mais nem menos,
nem pura amizade,
nem mera pretensão,
nem ociosidade,
nem qualquer desrazão.
Era tudo e era nada.
A paixão aguardada
e, enquanto aguardada,
já vivida
no que a Vida oferecera
sempre antes
e que permitiria
falar, depois, do Amor
como História
dessas que se contam 
pra fazer sonhar e crer...

Amor, assim, possível,
como nos passou despercebido?
Como nos assombrou assim,
chegando de canto,
como se à espreita
e aproveitando-se
de estar invisível?

No entanto, era precisamente amor,
nem demais nem de menos,
sem assombros nem acenos,
com simplicidade de riso
para reacender em nossas bocas
utopias de felicidade a dois,
a dez, a mil...
Sem peso e sem pressa,
sem fraude nem promessa,
precisamente amor porque amar
é urgente, é da gente,
e é preciso.


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