domingo, 5 de maio de 2013

No Mote de Isac Santos: Reincidência.



Reincidente... 

O sono perdido. Você verifica as gavetas e os bolsos de uma bermuda folgada que (excepcionalmente hoje...) serve de pijama. A paciência perdida, em seguida... Porque perder e não encontrar assim que procuramos é demasiado chato - aliás, às vezes, nem tem graça encontrar depois.
Boa oportunidade para revisitar a estante, folhear um livro de poemas que se leu faz tempo, guardar os discos no lugar, ouvir baixinho a musiquinha que se assoprou nos ouvidos antes de o sono ir embora levantando você da cama. E o livro de poemas é de um amigo (há um tempo não reencontrado...) e fala, emprestando palavras às suas horas, falando com madureza de um não-sei-quê reincidente:

"Mais uma vez, bato a sua porta,
mais uma vez, choro.
Não por medo, não por mim.
É o vento que não sossega,
é a lua que me rouba o sono,
é a cama que não me cabe
e os lençóis." (...)

Encontradas palavras que casariam (de papel passado até...) com a inquietude desse insonear, você tenta trazer outras pelas mãos. Mas a mão não está leve, as palavras se esquivam e você não quer pedir "por favor" a poema algum... Lembra, agora, que existem poemas de palavra sua que falam bem desse não-saber-falar de agora. E sossega um pouco, convencida que poesia nem sempre se faz de palavra escrita...

"Mais uma vez, volto
menos aflito e mais desesperado.
Não por medo, não por mim.
São as aves que não conseguem dormir,
são as crianças que não conseguem
brincar
e me fatigam, me desnudam
e fogem."


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Por Luciana Cavalcanti no mote do Poema de Isac Santos, amigo, companheiro de lutas, poeta, uma saudade grande...!

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