segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Olhar-se. Mostrar-se.

A Beleza não é o que se pinta por aí!

Há defeitos que nenhum corretivo facial te deixa fingir... Há espelhos implacáveis: a vida, o cotidiano, o silêncio, a solidão.

O que foi dito não é tão essencial como o que foi vivido.


O que se mostra não é necessariamente o "lado de fora".

Externar-se é trazer a Luz quem és... À luz inteira, o belo e o feio se ressignificam.

Há gente que esconde a parte de dentro. E eu os convido: não percam a chance de ser percebidos, entendidos; mais: de ser belos.

Ou alguém se conforma de despertar mais desejo que Ad-miração?!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Precisão - Luciana Cavalcanti




Era precisamente aquele amor,

mas aquele amor
que, de tão perfeito,
pareceria impossível;
de tão cabível,
pareceria descabido;
de tão lúcido,
pareceria loucura;
de tão louco,
pareceria invenção!

Mas era precisamente amor,
nem mais nem menos,
nem pura amizade,
nem mera pretensão,
nem ociosidade,
nem qualquer desrazão.
Era tudo e era nada.
A paixão aguardada
e, enquanto aguardada,
já vivida
no que a Vida oferecera
sempre antes
e que permitiria
falar, depois, do Amor
como História
dessas que se contam 
pra fazer sonhar e crer...

Amor, assim, possível,
como nos passou despercebido?
Como nos assombrou assim,
chegando de canto,
como se à espreita
e aproveitando-se
de estar invisível?

No entanto, era precisamente amor,
nem demais nem de menos,
sem assombros nem acenos,
com simplicidade de riso
para reacender em nossas bocas
utopias de felicidade a dois,
a dez, a mil...
Sem peso e sem pressa,
sem fraude nem promessa,
precisamente amor porque amar
é urgente, é da gente,
e é preciso.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Aqui - Luciana Cavalcanti




Contigo, para as pontes,
para as portas,
para os portos,
para os poros,
para os partos...


Contigo, quando for noite,
quando for tarde,
ou cedo, mas sempre
pra se inventar um tempo
de não ter medo
e seguir...


Contigo, por hoje, por hora,
e por cada sonho
(que não demora)
em inventar amanhãs...


Contigo, pelos meus versos,
pelos meus risos
e pelos teus risos, mais.


Contigo, sim, talvez e não.
Contudo, sempre ainda mais:
abertos, as portas e os poros,
atentos, às pontes e portos,
prontos para manhãs
e amanhãs...
apertados os nós.


Luciana Cavalcanti


(Recife, Várzea do Capibaribe, 07 de Novembro de 2011)

Te quiero - Mario Benedetti




Tus manos son mi caricia 
mis acordes cotidianos 
te quiero porque tus manos 
trabajan por la justicia 

si te quiero es porque sos 
mi amor mi cómplice y todo 
y en la calle codo a codo 
somos mucho más que dos 

tus ojos son mi conjuro 
contra la mala jornada 
te quiero por tu mirada 
que mira y siembra futuro 

tu boca que es tuya y mía 
tu boca no se equivoca 
te quiero porque tu boca 
sabe gritar rebeldía 

si te quiero es porque sos 
mi amor mi cómplice y todo 
y en la calle codo a codo 
somos mucho más que dos 

y por tu rostro sincero 
y tu paso vagabundo 
y tu llanto por el mundo 
porque sos pueblo te quiero 

y porque amor no es aureola 
ni cándida moraleja 
y porque somos pareja 
que sabe que no está sola 

te quiero en mi paraíso 
es decir que en mi país 
la gente viva feliz 
aunque no tenga permiso 

si te quiero es porque sos 
mi amor mi cómplice y todo 
y en la calle codo a codo 
somos mucho más que dos.



domingo, 11 de novembro de 2012

Como dizia o Poeta...


Teu riso - Luciana Cavalcanti


Teu sorriso faz falta quando
me sorris na fotografia,
pois recordo que o riso
é movimento.
Não são teus dentes,
em tua boca,
músculos que se movem
e dizem da felicidade,
do congraçamento, qualquer coisa
entre banal e linda
que justifique a luz
com que iluminas
a partir de teu rosto
minha vida inteira
em tarde qualquer,
seja domingo
ou uma segunda-feira,
cinzenta, pijamenta,
burocrática e apressada...
Teu sorriso me faz falta quando
não me falta nada
além da luz de seres,
natural e límpido,
plenamente amigo:
mão estendida,
abraço apertado,
afeto cuidado
para não te causar espanto!
Por tanto encanto que a falta,
nem lacunar, nem carente,
mas falta amorosa e urgente
que teu riso me faz
quando me sorris
na fotografia
e eu penso em causar
eu mesma teu riso,
todo dia,
com meus mais grandiosos
e os mais banais gestos.
E deliro a sonhar
que me sorris adentrando esta casa,
mais que a porta, o coração se abre,
e, então, desperta, me rio
a olhar ainda tua fotografia!
E, movimento,
meu coração se agita...
Direi-te, um dia, ao menos,
que esta foto onde me ris...
ah! ela está tão bonita!