domingo, 28 de outubro de 2012

Não fosse a Luta, Companheiro...



Não fosse a Luta já
motivo o bastante
para que eu te acompanhasse...

Não fosse o Sonho
vivo o suficiente
para insistirem nossos passos
quando exaustos...

Não fosse o Povo
uma multidão onde,
rosto a rosto, nos reconhecemos
sedentos de Justiça...

Não fosse este pulsar
mais que a impressão ligeira
de paixões entontecidas,
feitas de procura e pó...

Não fosse a Vida
auto-explicativa no tudo
vivido e suado
de nossas cotidianas utopias...

Não fosse, então, a Utopia
justa medida
para fazer-nos grandes
ante nós mesmos e o Mundo...

Não fosse o Mundo
este convite infinito
à descoberta, à mudança,
ao Movimento incessante...

Não fosse a grandeza
segura e humilde
para permitir-nos a meninice
da teimosia e da emoção...

Não fosse a teimosia
de sermos e estarmos 
em marcha,
na História...

Não fosse a História
algo a ser mudado,
colorido com as cores
de nossas bandeiras...

Não fossem meninas as nossas mãos
a agitar tantas bandeiras
e a inspirar-nos o riso,
e a apontar-nos o que é preciso,
e o que é urgente...

Não fosse incontornável 
o desejo de fazer mais gente,
cada homem e cada mulher,
em cada canto e chão...

Não fosse o nosso chão
adorada morada,
não fosse o caminho em si
razão de seguir...

Não fosse...
Ah, não fosse o riso, meu e teu, 
alívio e alento na Luta
e a Justiça, companheiro,
ideia e ideal 
que nos move e comove...

Não fosse isto tudo já
motivo o suficiente,
para perder e encontrar a Vida,
para aprender e construir os sonhos...

Ainda assim, eu te sonharia!
Justo, como nossas causas;
forte, qual a convocação da Utopia;
íntegro, como a Manhã 
que (ainda) será,
mas já nos irradia!


Luciana Cavalcanti - Vitória de Santo Antão, Setembro de 2012: Primavera.

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