quinta-feira, 17 de maio de 2012

OFÍCIO - Luciana Cavalcanti

OFÍCIO



Não é coisa fácil a lida
de construir, gesto após gesto,
o riso nas bocas desacostumadas
ao contentamento das coisas simples...
E há de ser pesado
carregar sempre uma reserva de alegria
mesmo quando a alma, eclipsada,
se faz sombria...
Não é pra quem pede,
nem é pra quem busca,
o fruto flamejante e doirado
da tua labuta.
É só pra que sabe (ou intui)
inventar meninices
e resgatar, do fundo da infância,
a transparência
do riso que, um dia, trouxemos
nas bocas...

Há quem não entenda
e, por certo, há quem considere tolice
a magia às vezes desatenta,
às vezes tão séria,
de caçar borboletas ou vagalumes,
contar estrelas, catar conchinhas do mar...
Estes, certamente, há anos não vão ao circo.
Estes, mui provavelmente, pagam infindáveis
prestações bancárias a troco de vaidades...
Estes, não viajam nas jornadas imaginárias de seus filhos...
Estes, nem vale a pena a gente chamar
para armar a lona, arrumar o picadeiro
e ajeitar a Vida, mais justa e bela,
para que seja ela espetáculo,
teimoso e inquieto,
da invenção cotidiana da alegria...!



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