sábado, 15 de outubro de 2011

Tom Jobim - O Rio da Minha Aldeia [Alberto Caeiro]

#SomDoDia "Te Amo Brasília" (Alceu Valença)

Minha cidade me ensina a amar...





Recife, poesia

Amar mulheres, várias.
Amar cidades, só uma - Recife.
E assim mesmo com as suas pontes,
e os seus rios que cantam,
e seus jardins leves como sonâmbulos
e suas esquinas que desdobram os sonhos de Nassau.

Amar senhoras, muitas. Cidade,
só uma, e assim mesmo com o vento amplo do Atlântico
e o sol do Nordeste entre as mãos.

Felizes os jovens poetas que recebem em seus corações
antes do amor e depois da infância
a palavra, a cidade Recife.
Felizes os poetas que podem lembrar-se eternamente
das pontes que separavam: ia-se a noite
no Capibaribe, e as águas do Beberibe
te davam, ó Madalena
o meu primeiro verso.

Corola diante do mar,
bares da arte poética,
bondes, navios, aviões.
Cidade, meus pés transportam as tuas pontes
para margens versáteis.

Igrejas nos postais, namorados nos portais.
Recife de meu pai,
Recife que me deu a poesia sem que eu pedisse nada,
cidade onde se descobre Rimbaud,
a maresia de antigamente em meus olhos abertos.
Mulheres, inúmeras. Cidade, só uma
e assim mesmo diante do mar.

Lêdo Ivo

sábado, 8 de outubro de 2011

Deu pra ti (Kleiton & Kledir)

.nascimentos. Luciana Cavalcanti


Sempre que choro, nasço.
No curso de cada lágrima
traço
as rotas dum caminho
não anunciado.
Sem passagem,
os dias da viagem
me fazem estrada.
E sempre nasço quando caminho
em espaços sabidos
ou não...
Então, sei muitas coisas
novas
no abraço de ignorância sedenta
de andar
para olhar
e, outra vez, nascer pelos olhos
quando choro
e quando vejo,
quando os abro
ou quando os fecho,
por dentro ou por fora de mim.

Poema ao que não foi...

Frases feitas,
amores desfeitos...
Resta-me o silêncio
por este meu defeito
de ser
extremamente perfeccionista
quando escrevo,
com meus dias,
histórias de amor.


Luciana Cavalcanti

Recife, Várzea do Capibaribe, 17 de Abril de 2010.