sábado, 23 de abril de 2011

Oração

Que minha prece não seja vaidosa
Pe. Zezinho, scj

Já tive e vejo que ainda me assalta esta mania de achar que Te conheço e que sou mais religioso do que os outros. És Deus e sabes o que me vai na alma. Seria tolo se dissesse que sou mais religioso que os demais que oram na minha e nas outras igrejas. Não sou e não sei. Talvez saiba um pouco mais do que alguns, mas o que sei não me autoriza a dizer que oro direito.
Já sofri e de vez em quando ainda sofro da tentação de achar que me escolheste mais do que aos outros e que te conheço mais do que os outros te conhecem. Afinal, estudei mais do que eles!... Ledo engano! Há irmãos que estudaram pouco e oravam e oram melhor do que eu. Minha mãe e meu pai, por exemplo...
Por isso, prossigo pedindo a humildade de entender que sou como casa cheia de cortinas. Às vezes deixo a luz entrar; às vezes me fecho e me escureço.
Imagino que há outras casas de cortina que se abram mais. Por isso não julgarei ninguém. É possível que o jeito deles seja mais certo do que o meu. É possível que o meu seja mais certo do que o deles, mas, isso, só tu podes julgar. Da minha parte, orarei sem estabelecer comparações. Se discordar do jeito do meu irmão orar, terei que engolir esta discordância, porque não sei se as minhas orações chegam a Ti com a mesma intensidade das preces dele.
O que sei é que ele precisa orar e ora e eu preciso orar e oro, menos do que poderia e menos do que deveria. O que eu sei é que nem sempre as nossas orações concordam, nem também o nosso jeito de encarar a vida, mas nunca direi que sou mais santo do que ele, ou que ele é menos Teu do que eu. Falarei com santa correção fraterna do porquê da minha divergência, mas, julgar, não julgarei.
Orarei por ele que não ora como eu e espero que ele ore por mim que não oro como ele. Afinal, somos crentes e acreditamos que no Teu colo cabem filhos que pensam, sonham, choram e oram de um jeito diferente, desde que admitam que precisam partilhar o colo do mesmo Pai.

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sexta-feira, 22 de abril de 2011

O teu riso - Pablo Neruda

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria ,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Páscoa para o mundo crucificado - Marcelo Barros

Páscoa para o mundo crucificado (Marcelo Barros)
 
 
 
Ninguém sabe exatamente a data na qual Jesus foi morto e, conforme o testemunho de seus discípulos, recebeu do Pai a vida nova da ressurreição. As celebrações da Semana Santa de cada ano têm como finalidade recordar o que aconteceu para atualizar as conseqüências salvíficas deste fato para os que hoje celebram a fé, mas também para toda a humanidade e até para o universo.
A Páscoa que começou como uma festa agrícola para festejar o inicio da primavera e celebrar a fecundidade da natureza que renasce depois de um inverno rigoroso, no decorrer do tempo, tornou-se para o povo hebraico a comemoração da passagem (daí vem o termo Páscoa) da escravidão para a libertação. Até hoje, as comunidades judaicas chamam a festa da Páscoa de “a estação de nossa liberdade”. A celebração cristã da Páscoa herdou este caráter subversivo da celebração judaica. A ceia pascal de Jesus propõe uma partilha igualitária dos bens e pede que só se reconheça como Kyrios, Senhor, a Jesus Cristo ressuscitado. Como, no mundo antigo, este título era reservado apenas ao Imperador de Roma, a própria fé pascal tem um conteúdo crítico com relação ao império romano e a todos os impérios do mundo.
De fato, para Jesus Cristo, a Páscoa não foi uma festa religiosa. O Evangelho conta que ele foi a Jerusalém entre os peregrinos para participar da festa. Entretanto, não organizou a ceia pascal no templo e sim em uma sala que escolheu gratuitamente. Logo depois, o poder político, com a subserviência das autoridades religiosas, o prendeu e o condenou à morte como os romanos condenavam os rebeldes que se levantavam contra o poder imperial. E Jesus foi morto na cruz. A proclamação de que ele recebeu do Pai uma vida nova e está presente entre os seus é uma profecia de vida e sinal de vitória para todas as vítimas do mundo.
Crer na ressurreição de Jesus é mais do que aceitar que ele reviveu. É reconhecer que no destino pessoal de Jesus a quem o Pai livrou da morte e lhe deu uma vida nova, começou um destino de vida e vitória sobre o mal para toda a humanidade e que alcança até todo ser vivo. Por sua morte e ressurreição, Jesus inaugura a vinda ao mundo do que os Evangelhos chamam de “reino de Deus”, ou seja, o projeto divino de paz, justiça e fraternidade universal que o Espírito realiza no mundo.
A Páscoa continua sendo atual. Assim como Jesus de Nazaré foi assassinado por um sistema opressor que o condenou à morte para perpetuar o seu domínio sobre o povo e a própria religião, cúmplice do Império, hoje temos um mundo inteiro crucificado no sentido de sacrificado para que os interesses dos grandes impérios e empresas continuem dominando. No plano mundial, a própria vida do planeta aparece ameaçada e os projetos aprovados pelos Estados para salvar a natureza são ainda tímidos e ambíguos. No plano político, o modelo atual de democracia parece gasto e pouco credível. Os poucos intentos de governos que procuram libertar-se dos condicionamentos do Império e servir aos mais pobres são classificados de extremistas e ditatoriais, enquanto os que, realmente, comandam as guerras e determinam as políticas de fome e miséria para continentes inteiros são considerados democratas e justos.
A mensagem da Páscoa é que, apesar de todos estes problemas, o Espírito que deu a Jesus de Nazaré uma vida nova inspira e impulsiona muitas pessoas a mudar esta realidade do mundo e ressuscitar da opressão o mundo todo. Evidentemente, este caminho não se dá de uma vez por todas, magicamente. É um processo e se realiza através da ação e do compromisso ético de todos os que crêem no futuro da humanidade e no amor divino que fecunda o universo. As Igrejas devem ser sinais disso. Em 1968, os bispos católicos da América Latina, reunidos na conferência de Medellín, Colômbia, se comprometeram a dar a Igreja um rosto de uma Igreja pascal. Uma Igreja pascal significa uma Igreja capaz de evoluir com a humanidade e que se define a si mesma como peregrina e missionária do reino de Deus ou seja deste projeto de um mundo novo. Para isso, os bispos propuseram que a Igreja se apresentasse sempre como Igreja pobre e despojada dos meios de poder, comprometida com a libertação de toda a humanidade e de cada ser humano em sua integralidade (Cf. documento de Medellín 5, 15).
No Brasil, muita gente valoriza as tradições religiosas da 6ª feira santa. Cada vez é maior o número de que celebram a Vigília Pascal, na noite do sábado, ou na madrugada do domingo. É a mais importante celebração cristã de todo o ano litúrgico. Santo Agostinho a chama de “mãe de todas as celebrações cristãs”. São ritos antigos, constituídos de beleza e profundidade poética e profética. Mas, não podem ficar só no rito. A celebração pascal deve ser a proclamação de um mundo novo que começa e toma força na esperança e no amor de toda pessoa consagrada à vida. A figura do Cristo ressuscitado é primícia deste universo renovado, ao qual todas as pessoas que amam a vida e a justiça são chamadas a aderir e defender.

O Evangelho, poema que Compromete - por Lourenço Diaféria




Lourenço Diaféria - 20/04/2011
 
“O Evangelho é um texto subversivo. Ele subverte o mundo na medida em que ousa outorgar à criatura humana – com suas fraquezas, seu orgulho, seu medo – a corresponsabilidade pela morte e ressurreição de todas as esperanças. Ou mais incrivelmente: da Esperança Total.

E todavia o Evangelho não é feito de frases de efeito. Nenhuma retórica. O Sermão da Montanha, patrimônio comum e síntese das aspirações que têm sido desfraldadas sob bandeiras as mais diversas, é de uma sobriedade e despojamento perfeitamente acabados e irretocáveis. No entanto, suas palavras não exigem mais de cinco minutos dos ouvintes.

O Evangelho trata de um homem de Nazaré. Nazaré: menos que um ponto imperceptível em um mundo conflagrado, onde as armas e as fortalezas e os conluios tinham o mesmo peso de sempre. Nazaré de uma época de sedições e de homens que pregavam no deserto. E que tinham a cabeça arrancada. Nazaré de um tempo em que os que tinham o poder de decisão submetiam-se a pressões ou exercitavam a pressão, julgando fazer política ao lavar as mãos. Mudou alguma coisa?

O Evangelho trata de um homem de vida curta, previstamente curta, que sabia do fim e do começo. Um homem que suava sangue diante da violência que se consumava, e aceitava o beijo, as fugas, a perplexidade e as dúvidas de seus amigos. E dava-lhes, contudo, a certeza de que nada seria em vão. Ele permaneceria, além do sofrimento e da morte.  Acolhia as crianças, deixava que elas brincassem e atrapalhassem suas conversas. Pedia a uma mulher que lhe desse um copo d´água. Chorava e sorria. Para espanto dos teólogos e dos filósofos, preferiu que a verdade continuasse a ser uma pergunta a ser respondida por cada um – na medida em que cada um a busque com sinceridade. E não se lançou do pináculo do templo da tentação de definir o que está além e fora de todas as coisas e causas. Ensinou apenas que os homens se dirijam a Deus assim: Pai Nosso, o pão nosso dai-nos hoje.  Subversão total. Não mais sarças ardentes, nada de trovões, nada de mares se abrindo. A humanidade inteira transformada em povo eleito.

O Evangelho é isto: a boa nova, o gesto, a descoberta.  Um poema que compromete”.
 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Meninices


Feito as crianças
que, nas invencionices de seus mundos,
desvelam segredos,
descobrem mistérios e tesouros...
e correm a contar
como se fosse urgente
o anúncio
de cada felicidade miúda
que as faz mais grandes...
Assim, corro eu a contar-te
do amor descoberto,
certo,
e sem saber guardar,
sem saber conter,
nem contar...
Porque a felicidade das crianças
é coisa que se grita!

(Recife, Março de 2011 - Luciana Cavalcanti)



Amar... é fundo, fundo...!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Coisa-feita - Luciana Cavalcanti

 
As coisas que tu me dás,
tuas,
não te desfazes delas,
nem partilhamos o antes compartido
como despojos de guerra,
pontos de final...
As coisas que me dás,
tuas,
permanecem tão presentes
e possíveis
como nas estantes de teu quarto,
discos e livros,
como no traço de tua boca
este riso...
Porque as coisas que nos damos,
nossas,
antes, como agora,
nos dizem nós,
apertam nós,
e nunca partilharemos despojos
de nada...
Somos.
Seremos.


["coisa feita"; Recife, Rua do Hospício, 09 de Janeiro de 2007]
 
Imagem: Páginas e (des)troços de um "diário" guardado.

Para Viver Um Grande Amor - Vinicius de Moraes

Para Viver Um Grande Amor


Vinicius de Moraes


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção com o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor. Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
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Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.

domingo, 17 de abril de 2011

Da arte de Amar...



Arte de amar
(Thiago de Mello)


Não faço poemas como quem chora,
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.
Faço poemas como quem faz amor.
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.

Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder.

Um Tributo ao Rei - REIginaldo Rossi Now!!!


Todo mundo tem lá seu lado brega. No meu caso, tenho dois: um, é o esquerdo, outro, o direito. Gosto das coisas derramadas, na palavra tomada de assalto pelo momento, quando tua cabeça diz que é preciso ter cuidado, esmerar palavras... Algo em mim diz "não" e eu solto tudo. Sou calor e explosão.Um palavrão que escapole, aquela conversa de bêbados, uma cantada bem descarada... Aliás, esta necessidade de dar cantadas em quem já está comigo e um gosto todo especial em ter aquele amasso no meio da rua, como se a espera pelo momento e lugar adequados deixasse o tesão, quase sempre, inadequado...
Mas, enfim, falava eu que todos tem seu lado brega... É que você vê, entre todas as faunas universitárias, a presença do brega. Uns, sem medo, vão de Victor e Léo, ou qualquer gênero musical tomado pela intelectualidade como "menor", acrescido de um sobrenome singularmente cínico "universitário"... Este troço de dar nível superior ao nosso direito supremo de choradeira, melosidade, exagero e safadeza é asquerozo. Não quero saber se a música que vou ouvir tem até a 4ª série, se fugiu da escola pra namorar ou tá fazendo pós-graduação.
É claro que há a questão estética... É claro que há questões éticas e políticas também. O politicamente correto. Mas é, justamente, por isso, porque há a estética, que defendo  a suspensão das barreiras, dos limites entre o que seria classificado como de qualidade e o sem qualidade... Explico-me: não é necessariamente boa uma música do Chico Buarque por ser de Chico Buarque. Nem necessariamente ruim uma música sertaneja. Agora, isto não explica o desmantelo como ecletismo... Tem dó, né, gente?!?
Putz... mas, este assuntamento todo pra dizer que este aqui é um disco bom. Bom, bom, bom mesmo... não pra tirar onda, bom pra ouvir, pra sentir que a criação de Reginaldo Rossi tem algo de singular, de criativo, original. Gosto sinceramente de uma certa fase do Reginaldo. Gosto do Odair José e de Fernando Mendes. Gosto de Waldick Soriano. É fato. E escuto-os com a mesma frequência com que escuto Pink Floyd, por exemplo.
Não é que eu não faça distinção entre estilos musicias, grupos, produções culturais... Distingo. E justamente por distinguir, preencho com sonoridades e criações diferentes os dias e as horas que não se repetem monotonamente na vida vivida. Os acordes da emoção pedem  compassos múltiplos.
E o bom do brega é a sinceridade...
Neste álbum, que ouvi hoje (agora a pouco), releituras da obra de Reginaldo Rossi mesclam estéticas, referenciais. Artistas diversos traduzem e retraduzem a obra do enamorado de Itamaracá... E, na moral, achar que esta maestria com que Lenine interpreta "a Raposa e as Uvas" é mérito exclusivo do Lenine não é preconceito estético, é burrice mesmo. Em música ruim não se fazem ótimos arranjos... E o Lula Queiroga cantando "Pedaço de mau caminho"?!? Gente, eu pasmo!Mundo Livre S/A, Cascabulho, Geraldo Azevedo et alli, completam a miscelânea de sentidos e sentimentos que o bom do brega pode nos proporcionar.

Este é o disco. Não deixe de conferir... 





1. Lenine - A Raposa e As Uvas
2. Zé Ramalho - Era Domingo
3. Cascabulho - Deixa de Banca ('Borogodá')
4. Querosene Jacaré - Tô Doidão
5. Lula Queiroga - Pedaço de Mau Caminho
6. Loop B & Stela Campos - Tão Sofrido
7. Geraldo Azevedo - As Quatro Estações
8. Mundo Livre S/A - Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme
9. Eddie e DJ Dolores - Cuca Fresca
10. Via Sat - Complexo de Cachorro
11. Otto - Garçom
12. Devotos - O Rock Vai Voltar
13. D.M.P. & Os Fulanos - No Claro ou no Escuro
14. Véio Mangaba - Ai Amor!
15. Comadre Florzinha - Desterro
16. Paulo Francis Vai Pro Céu - O Pão

Boa noite, Lindomar Castilho!!!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Eu não esqueço... Dia 14!!! \o/

Resposta-pronta - Luciana Cavalcanti



Me pergunte o que é o amor
e o que tenho a mostrar é um sorriso
de um canto a outro da boca,
esta completa ignorância da tristeza,
essa familiaridade com a beleza,
esta espera que se sabe esperança,
esta vontade que se sabe semente.
Me pergunte o que é o amor
e eu te digo: o amor é isto tudo
o que aconteceu conosco e a gente sente,
este estar longe, mas presente,
esta esperança que encanta as manhãs,
este cheiro de vida invadindo as narinas,
esta luz multicor tocando as retinas,
este passo dado, à frente, rumo ao infinito.
Me pergunte como é o amor, eu digo:
é bonito, bonito, bonito...
E se confunde com a vida.
E cabe bem em nós dois...

Porque hoje é 14 de Abril!!!

 
Com preces. Sem pressa.
Mais que viver bem,
viver para o Bem, interessa.


Luciana Cavalcanti

14/02/2010

segunda-feira, 11 de abril de 2011

domingo, 10 de abril de 2011

Carta de renúncia - Luciana Cavalcanti


Carta de renúncia

Eu, de meus medos e buscas consciente,
ao racionalismo de um amor sociável,
renuncio, neste instante, solenemente.

Renuncio
ao nobre conceito de relação estável
-conceito baseado em formalidades, unicamente.
Nego-me a buscar no outro um perfil (recomendável).

E, considerando a liberdade um inviolável direito,
apresento uma nova lei
para reger Vida e Sentimento:
“Que se rompa toda barreira e preconceito.”
“Que prevaleça a soberania da alegria, do contentamento.”
“E todo aquele que violar a referida lei esteja sujeito
à solidão, pesar e lamento.”

Não buscarei segurança
(por ser uma força avessa à ousadia).
Tampouco buscarei sossego...
Antes, quero a inquietude!
Quero a busca ansiosa de redescoberta,
de recomeço...

Doravante, no amor, me valerá o Ilogismo,
o Sonhadorismo,
o Inquietismo.

Rio-me, agora, da hipocrisia de tantos
que, em nome do nobre e correto, apedrejarão
frutos da pureza e sinceridade, da mutualidade una.

Por fim, renuncio,
sem sombras de medo ou dúvida,
ao amor mais bem-social que sentimento
e mais sensato que feliz.


(Luciana Cavalcanti, Agosto de 1998: Recife)

Entendimento - Luciana Cavalcanti


Entendi te querer
somente quando
percebi que te quis
em euforia de festa,
cantando alto sem seresta,
dançando na rua sem carnavais...

E somente
quando considerei a tua felicidade
em autonomia, o teu sono (sozinho)
em tua cama e o teu riso
sem as minhas brincadeiras ...

Entendi, então,
que eu te queria de qualquer maneira:
queria te ver sorrindo
(ou não te ver e saber que sorrias...),
queria te escutar resmungando,
queria te escutar ressonando,
queria acordar com o teu virar na cama...

Queria te ver em paz,
queria te ter em casa,
guardado para as noites frias...
Queria, ainda, te deixar sozinho
e jurar para mim mesma, no espelho,
que não pediria nunca para voltares
(até porque bem saberias o caminho...).

E eu te queria de cabeça-quente,
ou frio, quase gelado,
ameaçando acabar com tudo
e eu a te demover da (in)decisão com choro...

Eu te quereria também com pressa
e te quereria com calma,
porque te quero com alma
como te quero na carne
com as mil partes de mim
que pulsam
à recitação de um poema,
que estremecem
ante a visão de tua boca
e com a parte de mim
que te escolhe no jogo,
que te chama à dança,
que se queixa, mas não cansa
de te buscar...

E buscar, de ti, a voz.
Buscar, de ti, a língua.
Buscar, de ti, os dentes
e a mordida
e morder, em ti, a Vida.
Eu, que te busco como à comida
para não morrer de fome,
para não morrer de raiva,
nem de espera
ou frio...
Eu, que não guardo na boca
o teu nome
para encantar com tua luz
as noites sem graça,
para justificar incomposturas
no meio da praça
e para ousar dizer de ti
o que nem sabes...

Tudo, porque eu te quero assim:
ouvindo-me atento,
e espantado,
e sorrindo,
e sabendo...
Eu te quero pela insistência cega do querer!
Eu te quero cuidado.
Eu te quero remanso.
Eu te quero guerra,
alcançando todos os territórios de mim,
conquistando,
explodindo,
sem pausas, sem tréguas.

Eu te quero chão,
minha terra e leito,
lavoura e rio...
Quero-te ali, onde eu me deito.
Quero-te em chão macio
ou em terra molhada,
ceifarmos quando ainda é madrugada...
Quero este querer fértil...

Eu te quero sem mudança de endereço,
sem virar para o avesso,
sem virada de mesa...
Eu te quero sem mudança de hábito,
sem contrato
e sem consórcio...
Quero-te sem mudar nada de ti
ou de mim.
Eu te quero em tua casa
e te quero na minha.
Quero... Quero...
Quando estou contigo
ou sozinha,
quando me falta o que fazer
ou quando me foge o tempo.

Quero-te, portanto, para me envolver
em lugar da roupa,
para despir-te sem usar as mãos,
para dizer-te "amor" sem a boca,
para minha boca trazer-te mais que palavras.

Eu te quero em corpo
e quero alma - dilatada e pura -
para querer-te bem.
Eu te quero, enfim, poema de minha lavra,
coisa que me veio de dentro...

Eu te quero, profundamente,
no centro,
insabido,
desconhecido,
de mim.

Aqui te amo - Pablo Neruda


Aqui te amo.
Nos obscuros pinheiros o vento desenlaça.
A lua fosforesce sobre as águas errantes.
Dias iguais se perseguem.
A névoa se desenha em figuras dançantes.
Uma gaivota de prata se descola do ocaso.
Às vezes uma vela. Altas, altas estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Só.
Às vezes amanheço, e até minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Este é um porto.
Aqui te amo. 

Aqui te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou te amando ainda entre estas frias coisas.
Às vezes vão meus beijos nestes barcos graves,
que correm pelo mar até aonde não chegam.
Já me creio esquecido como essas velhas âncoras.
São mais tristes os molhes quando a tarde atraca.
Minha vida se afadiga faminta inutilmente.
Amo o que não tenho. Tu estás tão distante.
Meu fastio faz força com os lentos crepúsculos.
Mas a noite chega e canta para mim.
A lua faz girar sua roda de sonho.
Me olham com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento
querem cantar teu nome com suas folhas de cobre.


Pablo Neruda

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Suicídios - Tadeu Rocha


SUICÍDIOS



O verso saiu do hospício
E do alto de sua torre iconoclasta
Viu milhares de versos
Pularem dos edifícios

Tadeu Rocha

domingo, 3 de abril de 2011

Se é amor é por inteiro - Marcos Asas


Se é amor é por inteiro 

Se é pra te ter,
Quero te ter por inteiro,
Pois ano começa em Janeiro
E só termina em Dezembro.
Ano que começou em Junho
Esse me diga, que eu não me lembro.

Você me quer inteiro
E quer ser minha só metade,
Mas assim você tira meu sossego
E quase me tira a liberdade.
E se é pra ser desse jeito,
Fique aí com esse sujeito
E me deixe cá com minha saudade!

Porque eu sou livre feito cheiro de mirra,
E nem que você me traga
Uma galinha que espirra
E o assovio de dez jumenta,
Pela metade não tem jeito,
Assim você não me apascenta!

Olhe,
Sei que não há no mundo mulher que lhe é pareia,
Mas quero deixar bem claro,
Como o céu que relampeia,
Que eu prefiro a mesmice de ter na esteira
Mulher que não amo de verdade
Do que te ter assim pela metade
E só a dor por coisa inteira.


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Mais poemas do Marcos Asas >> clique Aqui

"Deus não tem inimigos", falou o Bispo Tutu.

"Deus não tem inimigos", disse na Nona Conferência do Conselho Mundial de Igrejas – CMI, o bispo sul-africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz e uma das mais conhecidas figuras do ecumenismo. Ele disse a seguir que, no abraço amoroso de Deus, cabem brancos e negros, bonitos e feios, homens e mulheres, gays e lésbicas, Bush, Saddam Hussein e Bin Laden.


Desmond Mpilo Tutu (Klerksdorp, 7 de outubro de 1931) é um bispo sul-africano da Igreja Anglicana. Freqüentou a Escola Normal de Joahannesburgo e, em 1954, ingressou na Universidade da África do Sul. Depois de trabalhar como professor secundário, ordenou-se sacerdote anglicano em 1960. De 1967 a 1972, estudou teologia na Inglaterra. Em 1975, foi o primeiro negro a ser nomeado deão da catedral de Santa Maria, em Johannesburgo. Após ser sagrado bispo, dirigiu a diocese de Lesoto de 1976 a 1978, ano em que se tornou secretário-geral do Conselho das Igrejas da África do Sul. Sua proposta para a sociedade sul-africana incluía direitos civis iguais para todos; abolição das leis que limitavam a circulação dos negros; um sistema educacional comum; e o fim das deportações forçadas de negros. Sua firme posição anti-apartheid – a política oficial de segregação racial – lhe garantiu, em 1984, o Prêmio Nobel da Paz. Recebeu o título de doutor honoris causa de importantes universidades dos Estados Unidos (EUA), do Reino Unido e da Alemanha. Em 1996 presidiu a Comissão de Reconciliação e Verdade, destinada a promover a integração racial na África do Sul após a extinção do apartheid. Esta comissão tem poderes para investigar, julgar e anistiar crimes contra os direitos humanos praticados na vigência do regime. Em 1997 divulgou o relatório final da comissão, que acusa de violação dos direitos humanos tanto as autoridades do regime racista sul-africano quanto as organizações que lutavam contra o apartheid. É membro do comitê de patrocínio da Coordenação internacional para o Decênio da cultura da não-violência e da paz.

Fonte: A Página da Vida, Blog



Quando o substantivo só se diz pelo verbo...




- E, no Princípio, era o Verbo!

O que é o Amor?

Sou Eu

(Isolda / Eduardo Dusek)

Pedi pro sol me responder: o que é o amor?
Ele me falou: é um grande fogo
Procurei nos búzios e tornei a perguntar
Eles me disseram: o amor é um jogo
Lembrei que a lua tinha muito pra contar
Ela se abriu pra mim:
Disse que o amor usa tantas fases
É uma luz que não tem fim

Eu pedi pro vento que soprasse o que é o amor
Ele garantiu: é tempestade
Bandos de estrelas me contaram sem piscar:
O amor é pura eternidade
Sem saber direito, perguntei pro coração,
Que sem medo, respondeu:
O amor é fogo, água, céu e terra
Sente, o amor sou eu

Sou em quem gera essa energia que conduz
Seu coração à essa estrada, essa luz
O amor é fogo, água, céu e terra
Sente, o amor sou eu

Sou eu quem salva o teu caminho da ilusão
Eu que te consagro, repetiu meu coração
O amor é fogo, água, céu e terra
Sente, o amor sou eu...

Comblin, o profeta da ironia afetuosa - por Marcelo Barros

Comblin, o profeta da ironia afetuosa
 
"Como poucas pessoas, é o caso de Dom Helder Câmara, Comblin conseguiu ser cada dia mais aberto e crítico à medida que seus anos avançaram", testemunha Marcelo Barros, monge beneditino, teólogo e escritor.
Eis o testemunho.
Hoje saí da UTI de um hospital de Olinda, no qual me abriram o peito e me recauchutaram o coração fragilizado, com duas pontes de safena. No reencontro com a vida, ainda no leito de uma enfermaria, fico sabendo da partida do padre José Comblin, meu velho professor de Teologia e amigo de tantos anos e companheiro de lutas e esperanças.
A um teólogo de fama mundial e de projeção pastoral como foi o padre Comblin, não faltarão testemunhos de muitos irmãos e irmãs que com ele conviveram e trabalharam por tantos anos. Eu fui apenas um dos seus alunos em todo o curso de Teologia e nem pertenci ao grupo mais ligado a ele na Teologia da Enxada ou mesmo no instituto de vida missionária que ele animava. Entretanto, fui marcado por sua figura e sua doutrina e tenho algumas experiências próprias que podem ser úteis que agora sejam recordadas. Há pouco mais de uma semana, escrevi um pequeno artigo, defendendo a atualidade e a pertinência de sua profecia eclesial e popular. Ele me respondeu com uma breve mensagem de agradecimento e depois me mandou um texto maior explicando suas críticas ao estilo atual do poder na Igreja Católica.
Conheci o padre Comblin quando ele ainda era muito jovem, em 1964. Dom Hélder Câmara, então novo arcebispo de Olinda e Recife, trouxera uma equipe célebre de professores de Teologia. Entre eles estava o padre Comblin que, durante seus primeiros anos no Nordeste, ficou hospedado no mosteiro dos beneditinos. Naqueles anos, justamente, eu entrei no Mosteiro com a ânsia de renovação que motivava minha geração. Apesar de ser o tempo em que o Concílio Vaticano II propunha para a Igreja um novo Pentecostes, a maioria dos monges se apegava às velhas tradições. Apesar de ser muito discreto e viver outras preocupações pastorais, Comblin não deixava de ser irônico e quase sarcástico. E aquilo me atraía. No meu tempo de noviciado, li em francês “O Cristo no Apocalipse” onde se vê um Comblin exegeta e pouco conhecido. Li também, já em português “A Ressurreição”, um belo livro da Herder no qual ele, antes do Vaticano II, sustentava que o fato teológico mais marcante para o século XX tinha sido a revalorização teológica e espiritual do mistério pascal e da ressurreição de Jesus
Quando comecei a fazer Teologia no Seminário de Camaragibe, ele era o coordenador do curso. Na minha juventude, eu o achava contraditório. De um lado, ele ensinava uma teologia profunda, mas tradicional (não tradicionalista) e eu compreendia pouco isso. Esperava dele intuições inventivas e estas não apareciam, ao menos para mim. Sei que, neste tempo, ele produziu obras impressionantes como Théologie de la Paix, Théologie de la Ville e um estudo sobre Catolicismo Popular no Brasil. Mas, na época, não tive acesso a estas obras. Suas aulas eram dadas em um tom monocórdio, só interrompidas aqui e ali pelas risadas de alunos que festejavam as ironias do Comblin, aparentemente demolidoras, mas no fundo construtivas.
Mais tarde, em 1968, o Instituto de Teologia do Recife nomeia uma equipe de três professores e três alunos para elaborar uma proposta de nova temática e nova metodologia teológica. O coordenador da equipe era Comblin e eu fazia parte dos três alunos que tinham de discutir com ele as propostas dos alunos. Eu tinha a sensação de que ele mal nos escutava, mas me surpreendi quando, depois de muitos debates ácidos, ele assumiu nossas propostas e estas foram, em sua maioria, implementadas.
No mesmo ano, um escrito interno com o qual Comblin preparava a conferência episcopal de Medellin e propunha uma revolução social, extravasou para a imprensa. Ele que tinha ido a Europa foi proibido pela ditadura militar de voltar ao Brasil. Quando lhe perguntaram quem poderia, até o final do ano, coordenar o seu curso de Teologia dos Sacramentos, (estávamos em agosto), tive a surpresa e o orgulho de saber que ele escolhera o meu nome. Eu era apenas um dos alunos da classe do terceiro ano. A partir daí, sim, eu o assumi como um mestre de vida e procurava ler e estudar tudo que ele escrevia. A partir de então, descobri como ele inovava sua doutrina.
Seu livro em dois volumes “Teologia da Revolução” foi meu batismo nos caminhos do que depois chamaríamos teologia da libertação. Nos anos 70, ele estava fora do Brasil e tivemos poucos contatos. Nos anos 80, o reencontrei mais velho e o achei mais aberto e comunicativo, sempre muito atento aos amigos. Um homem fiel às amizades e às relações. Era um intelectual de erudição raríssima, capaz de dissertar sobre Teologia, Política, Bíblia, Economia e muitos outros assuntos com uma competência incrível, ao mesmo tempo que punha em prática sua visão de uma teologia popular e seu carinho por um instituto para formar padres, missionários/as e religiosos /as que viessem do campo e não precisassem sair do meio rural.
Algumas discussões com ele nortearam-me a vida. Por exemplo, a tentativa de libertar a Teologia cristã de sua base helenista (filosófica grega) ainda muito forte em nossa Igreja. Também, me impressionavam sempre a sua capacidade de criticar livremente a estrutura monárquica e absolutista do Vaticano. Mesmo um interesse imenso por uma vida religiosa mais popular e mais inserida, menos centrada nas estruturas das congregações.
Nos últimos anos em que vivi no mosteiro de Goiás, sempre passou a Páscoa conosco. No Brasil, temos a graça de contar com teólogos e teólogas dos mais abertos e criativos do mundo, mas a contribuição própria do padre Comblin tem sido sempre a de uma liberdade interior de dizer o que pensa e ser um profeta crítico e irônico sempre capaz de ler a história e as estruturas eclesiásticas a partir dos empobrecidos e das grandes causas da América Latina. Em 2006, com Dom Tomás Balduíno e com ele, fomos observadores internacionais das eleições presidenciais da Venezuela e, bem mais do que outros companheiros, eu  o vi muito aberto ao bolivarianismo. Quem o conheceu de perto sabe que sua ironia era profunda, mas não era de ruptura e sim de afeição.
Como poucas pessoas, é o caso de Dom Helder Câmara, Comblin conseguiu ser cada dia mais aberto e crítico à medida que seus anos avançaram. Que sua herança teológica e profética seja por nós mantida e continuada.
 

"O Mundo até parece que foi feito pra nós dois..."

sexta-feira, 1 de abril de 2011

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Matar
os poemas de amor,
todos,
sem rasgar papel...

- “Deseja salvar as alterações
em Documento3?”


- Naaaãooo!!!

...Nem alteração,
nem poema,
nem o amor que ele contém.

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Luciana Cavalcanti - Recife. S/d.