domingo, 27 de março de 2011

Dá-lhe, Carlinhos!!!

A realidade que eu vejo
Não serve para explicar
O que eu sinto.
Quero um milhão de sóis
De Van Gogh
A brilhar entre os corvos
Quero luas girando
Num campo de trigo
Quero a mais louca
Paz
De quem descobriu
Sua essência.
Num mundo de robóticos
E que só dizem
Sim
Eu quero ser
A placa de contramão!

Carlos Maia
31/01/11


Imagem: Vernot Trent

Toda vez que o adulto balança...

Ouro de Mina - II

Ela, minha mãe...
(originalmente postado em março de 2010)


Falei antes sobre a emoção de meu pai ao me ver, novamente, de pé e andando - passos inseguros, dolorosos, mas passos! - e de como ele, comovidamente, chamou minha mãe para partilhar daquele instante... Isto, no dia 12 de março de 2010. Meu velho é um homem consumido pela emoção. Sua emoção ditou-lhe os caminhos a vida inteira, em boas e más escolhas... Seu coração lhe transborda! E teceu-lhe a personalidade em forças e fraquezas.
A companheira deste homem, minha mãe, é a mulher de quem já citei o cuidado com as plantas, a emoção, a fragilidade e o fato de ser inteiramente coração, numa "anatomia louca"...
Vejo-a, hoje, cansada... Voltar após trinta anos a ter cuidados que se tem com os bebês com a filha não deve ser fácil!
É ela que coordena meu dia: banhos, refeições, remédios, higiene, dores, cama, travesseiros... tudo, com a dedicação devida a quem não pode levantar-se por si mesmo. Ela tem duas aliadas de primeira hora: Celeste e Jô. A primeira, sua amiga; a segunda, minha amiga.
Com minha mãe tenho re-aprendido, dia após dia, afeto e paciência. Cuidamos uma da outra.
Não me imagino arrogante depois de ter vivido dias em que beber um copo d'água é ato que precisa do gesto cuidadoso de alguém...
Minha mãe assiste o meu aprendizado da espera, paciente, da volta aos trabalhos, às lutas e à poesia que anda solta nas ruas. E a espera é irmã da esperança. E esta moça, a Esperança, me visita todos os dias. Antes, acarinha minha mãe; depois, me fala que a Vida está explodindo e pulsando aqui dentro, crescendo, para, mais tarde, eu partilhá-la com maior dedicação, com vocês e toda a gente, além das paredes desta casa...! Vamos à Vida!
Quantas mulheres você conhece que deu à luz duas vezes à mesma criatura? Este é o milagre que a Vida reservou a esta mulher bonita, minha mãe...

Meu querido, meu velho, meu amigo...



Esse homem bonito, meu pai, se parece comigo: caminha torto envergado pelo peso de tanto amor... (rs)

Em suas luzes e sombras, aprendo tanto de mim como quando olho para o espelho, como quando olho para dentro. Lições de dor e doçura, meu pai me traz demais e, cada dia, me convence que posso dizer, de mim, muito do que penso, sinto e sou sem medos de um julgamento porque meu velho aprendeu a fazer do "ofício" de pai uma aposta contente em meus sonhos, meus sentimentos...
O importante do amor é isto: saber quem se é para o outro. Ser quem se quer para o outro. E permitir-se acolher... Quando há respeito, entender tudo se torna absolutamente desnecessário.

Ouro de Mina - I

Cartinha para minha mãe...


Conta as histórias das crianças, brincando, aprendendo, descobrindo mundos... Conta das travessuras todas, das manhas, dos dengos, das birras.

Fala por horas, morrendo de rir, dos meninos e meninas e nem sente que em cada riso, em cada percepção cheia de ternura, o seu peito maturado de tanta vida pede um neto. Seus braços cansados pedem uma criança, seu afeto guardou-se para o futuro com as reservas multiplicáveis de amor-de-mãe... Quer ser avó!

E eu estremeço diante da beleza infinita de teu desejo...

- Ooooô, mãe, como seria ter um filho?!?

Como seria ser engravidada pelo amor, deixar semente de esperança firmar-se no ventre pra depois explodir? Como seria cantar cantigas? Acordar com sono e ninar neném? Como seria irmanar-me à bondade das fêmeas todas que amamentam? Ser bicho que acolhe um bichinho? Mas com carinho, com razão, com sabedoria... porque aquele bichinho seria gente, teria que aprender a difícil lição de Ser. E ser humano!

Como seria eu crescer (por dentro) pra ver subir as marcas de lápis na parede...? "Olha, o menino já tem quase um metro e vinte!"... Como seria perder a paciência e dizer "não porque não!"?
Tua ansiedade se esconde, em respeito a mim. Teu amor guardado, desde o parto pra dali a uns vinte e poucos anos, se avexa por dentro. Mas você sussurra pra que teu afeto se ajeite e você não incomode meu sono com barulhos, nem queixas...
Meus amores se demoram em chegar. Minhas dores se demoram em passar. Minhas queixas...
Já engravidei de tanta coisa - até de raiva! Já engravidei de vontades de puxar do Futuro o meu filho na marra... somente pra testemunhar no teu rosto e no dele, meu pai, a transfiguração do amor-milagre: painho e mainha, cada vez mais, vovô e vovó.
Meu amor dorme, preguiçoso... mas, talvez, nem seja boa hora pra acordar!
Meu amor dorme, sonhando com o meu filho que é quase tão bonito quanto a ternura de cabelos brancos que tu e meu velho maturaram pra dar.


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Recife, Várzea do Capibaribe, manhã de Agosto... A vontade de Vida sabe esperar a primavera. Espero!

Pra eu parar de me doer...






Lula Côrtes - para ouvir. Para não esquecer...






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Dialeticidade, Zé, dialeticidade...

A morte de Lula Côrtes

A partir do Portal de luisnassif, sab, 26/03/2011 - 11:54

Por ANTONIO ATEU
 
Morre o cantor Lula Côrtes

Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

26/03/2011 | 02h32 | Morte

O cantor, compositor e poeta Lula Côrtes, um dos pioneiros em fundir o ritmo regional nordestino ao rock and roll, morreu na madrugada deste sábado aos 61 anos de idade. Ele sofria de um câncer na garganta e, segundo amigos, estava na praia de Maracaípe quando passou mal, sendo trazido por uma ambulância para o Hospital Barão de Lucena, onde já chegou sem vida. Ele exercia a função de assessor cultural da Prefeitura de Jaboatão. Sua última apresentação como músico aconteceu no Pátio de São Pedro, no domingo de Carnaval.
Nascido Luiz Augusto Martins Côrtes, Lula tem seu nome marcado na música popular brasileira por dois discos lançados na primeira metade da década de 1970, hoje lendas na internet pelo alto preço cobrados pelos vinis. Em 1972, ele gravou com o hoje cartunista Laílson o LP Satwa, pela Rozemblit. Em 1974, com Zé Ramalho, finalizou o álbum duplo Paêbiru - O Caminho da Montanha do Sol, mas a gravadora pernambucana, atingida por uma grande enchente, só conseguiu salvar poucas cópias, que se tornaram raridades. Ele ainda produziu e fez o desenho da capa de No Sub Reino dos Metazoários (de Marconi Notaro).
Os três trabalhos chegaram a liderar a lista de discos mais vendidos na categoria World Music  quando foram lançados em 2008 nos Estados Unidos por uma gravadora independente, a Time-Lag Records. O relançamento em CD de Paêbiru no Brasil fazia parte dos planos de Lula Côrtes, que destacou ao Diario: “Na verdade, o disco não é só meu e de Zé Ramalho, é de toda a galera do movimento underground nordestino da época. Na ficha do Paêbirú, aparecem muitos nomes, como Alceu Valença e Geraldo
Azevedo”, afirmou.
Côrtes ainda lançou os discos O Gosto Novo da Vida, Rosa de Sangue, A Mística do Dinheiro, O Pirata, Nordeste, Repente e Canção e Lula Cortes & Má Companhia. Somente este último teve distribuição direta em CD. Além de músico, Lula Côrtes lançou obras de prosa e poesia, como o audiobook O lobo e a lagoa e livros como Hábito ao vício, Rarucorp, Bom era meu irmão, ele morreu, eu não e Amor em preto e branco  e se dedicava atualmente às artes plásticas. Em reconhecimento ao seu trabalho literário, a União Brasileira dos Escritores de Pernambuco (UBE/PE) deu-lhe a carteira de sócio efetivo, retroagindo a ano de admissão a 1972, quando o multiartista lançou o Livro das Transformações.
Da sua experiência como assessor de Cultura da Prefeitura de Jaboatão, Lula extraiu matéria para pintar aquarelas retratando o cotidiano dos habitantes do município, seus aspectos ecológicos, o patrimônio material e imaterial da cidade. Sua meta era chegar a 365 peças. A primeira exposição, com 35 aquarelas, intitulada Fragmentos, foi aberta em setembro do ano passado.
O corpo do cantor, compositor, poeta e pintor Lula Côrtes deve ser velado na Câmara Municipal de Vereadores de Jaboatão dos Guararapes a partir das 10h deste sábado. O local e o horário do enterro ainda estão sendo definidos. O músico faleceu na madrugada deste sábado, cerca de uma hora depois de chegar ao Hospital Barão de Lucena, no bairro do Cordeiro, no Recife.
Lula Côrtes sofria de um câncer que começou na garganta há cinco anos, mas se espalhou por outros lugares do corpo. Ele tinha feito quiomio e radioterapia, mas de acordo com amigos próximos, continuava bebendo e fumava quase três carteiras de cigarro por dia. No mês de janeiro ele teve Hepatite C e, em seguida, erisipela, o que o deixou ainda mais fragilizado.
Ainda assim, o músico continuava trabalhando. Os últimos shows foram na semana passada - quinta, sexta e sábado - no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Ele e Zé da Flauta fizeram participações especiais no show de Alceu Valença, relembrando a década de 1970.
Na madrugada da terça para a quarta-feira, Côrtes passou mal e foi socorrida para uma UPA em Jaboatão, sendo liberado em seguida. Decidiu então, a convite de uma amiga, continuar o tratamento numa pousada em Maracaípe. "Na última quinta-feira ele teve uma melhora surpreendente, mas na sexta de manhã já amanheceu muito pior. Foi quando entrei em contato com amigos para trazê-lo ao Recife", contou o produtor e amigo, Lulinha. Lula Côrtes deixa seis filhos. O primeiro casamento foi com a cineasta Kátia Mesel.

sábado, 26 de março de 2011

São Romero da América: A santidade politizada

São Romero da América: A santidade politizada
 
- Antônio Cechin -

Nosso bispo São Romero de América, mártir ou confessor?
A Igreja Católica classifica seus santos em duas categorías: os mártires e os confessores. Mártir é vocábulo de origem grega. Essa palavra, a partir do livro do apocalipse do apóstolo João, passou a designar o testemunho por excelência prestado a Cristo pelos cristãos que aceitam a morte sanguinolenta por fidelidade ao Salvador. Morrem antes do tempo, no seguimento de Jesús que disse “não há maior prova de amor do que dar a vida por aqueles a quem se ama”. Por isso, a rigor, quem canoniza o mártir é diretamente o próprio Jesús. No tempo da Igreja dos primórdios – das catacumbas – o mártir era imediatamente proclamado santo no dia mesmo em que tombava.
Hoje, a Igreja, para conceder a honra dos altares a um mártir, exige apenas a comprovação do martírio e  a ocorrência de um milagre – normalmente a cura de doença incurável – graça que seja obtida após a invocação do candidato ao título de santo, com os direitos inerentes
Ao lado dos santos mártires temos a outra categoría: a dos santos confessores. Estes tiveram morte natural. Pode ser candidato a confessor, todo aquele que, em vida, praticou em grau heróico, as virtudes teologais: fé, esperanca e caridade; bem como as virtudes cardeais: prudência, justiça, temperança, etc. A parte central do processo canônico para um candidato a santo confessor é a comprovação da heroicidade das virtudes, além naturalmente de dois milagres: o primeiro para ascender ao título de bem-aventurado e o segundo para que possa ser proclamado santo, com direito a culto universal.
Depois de muito pressionar o Vaticano, os fiéis cristãos das Comunidades de Base de El Salvador, mais ligados à teologia da libertação, conseguiram que fosse introduzida a Causa de beatificação e canonização de Monsenhor Romero que eles, por conta própria já o invocavam como santo: São Romero da América. Popularmente já o haviam canonizado no dia mesmo em que tombou enquanto celebrava a Missa, vítima de um tiro certeiro que lhe atravessou o coração.
Surpresos ficaram quando esbarraram com a exigência da comprovação da “heroicidade das virtudes”  do seu bispo. A explicação: Roma só reconhece como mártir quem foi assassinado por “ódio explícito à fé cristã”. O Vaticano quer quando muito um Romero como santo confessor mas não como santo mártir. Ora, muito contribuiu para que o papa nomeasse Dom Romero como Arcebispo de El Salvador, como veremos adiante, a pressão do exército e do governo do país e quem depois o martirizou foram os mesmos “cristãos”: os militares e governo de El Salvador. Aliás, nada de novo. O Mestre Jesus já nos advertira em seu Evangelho: “Haverá gente que vai vos matar pensando fazer um bem.”
Naturalmente, os cristãos de El Salvador não se conformam com a exigência. Querem seu querido Pastor santo como mártir e muito mártir. Do contrário estão dispostos a retirar de Roma o processo de canonização oficial para ficarem somente com a canonização popular que já realizaram. Esse impasse, tanto quanto estamos informados, continua até hoje. Esperemos que os devotos de São Romero que já não são mais somente os cristãos de El Salvador mas todos os cristãos ligados à Teologia da Libertação da América Latina, consigam seu intento mais do que justo.
Itinerário de São Romero: de uma santidade tradicional para uma santidade politizada
Nada melhor do que a linguagem dos fatos para avaliar o tamanho da mudança do arcebispo Romero, acontecida aos 61 anos de idade. Para tanto nos valemos de uma síntese biográfica fornecida por María López Vigil.
         
Romero nasceu a 15 de agosto de 1917, segundo de oito irmãos, na cidade de Barrios, São Miguel, El Salvador. Em rapaz tornou-se aprendiz de carpinteiro ajudando seu pai telegrafista e que gostava de tocar flauta e de meter-se debaixo de uma lona de qualquer circo que aparecesse em sua aldeia. Com pouca idade o menino Romero já dizia querer ser sacerdote. Aos 13 anos entrou para o seminário e com 26 se ordenou sacerdote.
Durante 23 anos (1944 a 1967) foi pároco em São Miguel. Dedicava-se as 24 horas do dia com uma paixão inimitável, a uma pastoral de missas e longas horas de confessionário, a rosários, novenas, catequeses, confrarias e aulas de religião em colégios católicos. Amicíssimo dos ricos e também dos pobres, pretendia ser ao mesmo tempo pastor de cordeiros e de lobos. Arrancava esmolas dos ricos para dá-las aos pobres. Aliviava assim os problemas dos pobres e a consciência dos ricos.
Foi bispo auxiliar de San Salvador durante 7 anos (1967 a 1974). Naqueles tempos fortes e gloriosos de Medellín, o bispo Romero se comportou – também com inimitável paixão – como um pequeno inquisidor dos sacerdotes mais comprometidos e progressistas que começaram a criar Comunidades Eclesiais de Base, a empoderar o povo no sentido da organização de Movimentos Populares e que participavam nas contraditórias lutas sociais de um país em ebulição. Em El Salvador, como em toda a América Latina, as CEBs iniciavam uma nova forma de evangelização e compromisso social e político.
Abancado num escritório cheio de papéis, Romero foi se tornando cada vez mais odioso para um amplo setor da Igreja de São Salvador, uma das mais avançadas do continente em um dos países mais convulsionados do continente. El Salvador é o menor país e o menos populoso, o das “14 famílias” donas de tudo. O país em que, numa única semana, em 1932, ocorreu o massacre de 40 mil camponeses e onde os responsáveis daquela chacina publicavam nos jornais dos anos 70 “matamos 40 mil e tivemos 40 anos de paz. Se tivéssemos matado 80 mil, teriam sido 80 anos”.
Atuando como inquisidor, Romero foi nomeado pela Santa Sé para bispo da diocese de Santiago de Maria. Nessa rica zona cafeeira e algodoeira viveu três anos (1974 a 1977), continuando a ser amicíssimo dos ricos latifundiários. Foi aí que começou a ficar impactado pela realidade: a dos miseráveis diaristas cortadores de café nas fazendas dos ricos, e a dos pobres transformados em Delegados da Palavra de Deus, pregadores da boa notícia do evangelho a seus companheiros de miséria.
Os méritos colhidos durante tantos anos de sacerdócio exemplar e “neutro” fizeram com que militares e oligarcas propusessem ao Vaticano nomeá-lo Arcebispo de São Salvador no ano de 1977 quando o país vivia sua crise mais profunda que desembocou quatro anos depois numa prolongada guerra civil. O despertar das massas de pobres exigindo democracia, justiça e vida digna, e a intransigência criminosa dos ricos negando tudo, anunciavam um abismo de dor e de sangue. O país estava em ebulição e os ricos confiavam em Dom  Romero como apagador do incêndio dos justos protestos dos pobres.
Quinze dias antes de receber o encargo e a carga arquiepiscopal, aconteceu uma das fraudes eleitorais mais vergonhosas da história salvadorenha – em favor do partido dos militares – seguida de um massacre no centro de São Salvador contra o povo que reclamava. Em seguida aconteceu um incêndio ameaçador. Um mês depois, paramilitares a serviço dos latifundiários assassinavam em Aguilares o jesuíta Rutílio Grande, o mais estimado dos sacerdotes salvadorenhos daquele tempo. Estarrecido por aquela maré montante Monsenhor Romero viveu nos dias que vão de 12 a 20 de março – entre o assassinato de Rutílio e a missa de uma multidão que celebrou em memória do sacerdote assistida por nada menos que 100 mil pessoas – um atormentado e singular “Caminho de Damasco”. A partir de então mudou radicalmente, jamais voltou a ser aquele sacerdote tímido e obcecado pela interpretação rígida da lei e da obediência cega à instituição. Colocou toda a sua paixão a serviço do Espírito e do povo.
Nos três anos à frente do Arcebispado de São Salvador nasce, cresce e se desenvolve a personalidade profética de Monsenhor Romero. Eram tempos de uma crescente organização popular. E em resposta, de uma cruel repressão governamental contra o povo e especificamente, contra membros e instituições da Igreja. Não há Igreja na América Latina com mais extenso e prolongado recorde de mártires do que a salvadorenha naqueles anos.
As homilias que domingo a domingo Monsenhor Romero pronunciava na Catedral de São Salvador se converteram imediatamente na palavra mais livre, mais acertada e mais convincente do país. Tanto para dentro das fronteiras como para fora. A figura do Arcebispo se agigantava internacionalmente e suas homilias o transformaram no porta-voz do povo salvadorenho em luta pela justiça e pela dignidade. Aquele homem de aparência insignificante conseguiu que os olhares do mundo e a solidariedade de milhões de corações se voltassem como nunca antes cooptando seu pequeno país.
Suas homilias de longa duração – até duas horas ou mais – e muito densas teologicamente, são uma catequese permanente. E são também um “jornal semanal”: nenhum fato da vida nacional, nenhum sinal de violência ou síntoma de esperança, nenhuma violação dos direitos humanos ficava fora de sua avaliação de pastor. A Catedral de São Salvador se entupia todas as semanas para escutá-lo e para aplaudi-lo. Era um fenômeno de massas. Suas mensagens alimentavam a esperança coletiva.
Era sua palavra e era também sua presença. Incansável visitador das comunidades, tenaz celebrante de crismas e de missas, conselheiro público e privado de dirigentes de movimentos populares e de personalidades políticas, mediador em greves e em muitos conflitos de todo tipo daqueles anos, Monsenhor Romero parecia ter tempo para estar em toda a parte ao mesmo tempo.
Sua mudança e seu crescente compromisso e protagonismo foram se tornando cada vez mais intoleráveis para o sistema. Campanhas de difamação, o assassinato de vários de seus sacerdotes, ameaças, pressões eclesiásticas fizeram dele o homem mais perseguido no pretório e no templo. Tentaram de tudo. Mas, uma vez colocada a mão no arado nunca mais volveu seu olhar para trás. Desde janeiro de 1980 – fracassada a fórmula política da junta cívico-militar que tomou o poder alguns meses antes – ocupou o primeiro lugar nas listas dos esquadrões da morte.
Monsenhor Romero jamais cuidou de sua segurança pessoal e jogou até o último momento com todas as cartas abertas.Tinha plena consciência de que queriam matá-lo. E não queria morrer. “Nunca tive tanto amor à vida. Quero um pouco mais de tempo. Eu não tenho vocação para mártir”, confidenciou a um amigo em suas últimas semanas.
No domingo, 23 de março, reuniu-se pela última vez com seu povo na Catedral e no término de sua homilia lançou um apaixonado e histórico apelo aos soldados e aos guardas para que não disparassem contra seus irmãos do povo; para que desobedecessem às ordens de matar que lhes davam os oficiais do exército cruel e repressor.
No dia seguinte, 24 de março, quando morria a tarde e enquanto tratava de pôr o ponto final à sua homilia de uma missa por uma mulher falecida, na capela do hospital de cancerosos e diante de um pequeno punhado de fiéis, chegou sua hora. Um pistoleiro a serviço de Roberto D’Aubuisson, fundador do partido ARENA, e que esteve no poder até três anos atrás, disparou uma certeira bala explosiva que lhe atravessou o coração. Caiu aos pés do altar e do lado da vida.
O povo recolheu seu cadáver e chorou sobre ele como se chora o pai e a mãe. Foram oito dias de dor e de orfandade. No Domingo de Ramos de 1980 os salvadorenhos se despediram dele numa cerimônia de massas, que foi interrompida por calculados disparos e de bombas lançadas pelos regimentos de segurança postados em pontos estratégicos da praça. Foram 40 os mortos e centenas de feridos. A missa foi interrompida e o enterro teve que ser feito às pressas.
Rotos os diques e ultrapassados os umbrais do respeito e da compaixão com seu assassinato – até hoje impune – ferido o pastor e dispersas as ovelhas, aquele ano de 1980 foi trágico. Torrentes de sangue derramado injustamente embeberam todos os rincões de El Salvador. No ano seguinte iniciou uma guerra que duraria doze longos anos.
O sangue de Oscar Romero, mesclado para sempre com o do povo que amou e serviu, não deixou de ser fecundo. No dia 1 de março de 1992, quando terminou a guerra em El Salvador, uma faixa gigantesca colocada no mais alto da Catedral acompanhava a multidão que celebrava o primeiro dia da paz e da liberdade. Dizia: ”Monsenhor, hoje ressuscitaste no teu povo” Aos 30 anos de seu martírio, El Salvador e a América Central oferecem à América Latina e ao mundo, com legítimo orgulho, a vida e a entrega da vida de um homem exemplar que pôs todo o poder que tinha a serviço da dignidade dos pobres e que continua inspirando mudanças, sonhos e compromissos.
O presidente atual de El Salvador, Mauricio Funes, afirmou no sábado, dia 13-03-2010, que dia 24 de março será feriado nacional e que pedirá perdão em nome do seu Governo e da nação pelo execrável crime do assassinato de D. Oscar Romero, arcebispo de San Salvador. Ele fará este pedido durante os atos em comemoração do 30º aniversário do assassinato.
“Como presidente, e em nome do Governo que presido, decidi renovar meu compromisso com essas maiorias necessitadas do nosso país num ato simbólico em homenagem a D. Oscar Romero na data da comemoração do seu martírio. Com este ato novamente pediremos perdão em nome do Estado, por este magnicídio e por todas as milhares de vítimas inocentes do conflito salvadorenho”, declarou o presidente durante a alocução prévia a um concerto em homenagem ao arcebispo.
A Comissão da Verdade criada para investigar os crimes cometidos durante o conflito concluiu que o arcebispo foi assassinado por um esquadrão da morte de civis e militares de ultra-direita.
Os cardeais da Guatemala, Rodolfo Quezada Toruño, e de Washington, Theodore Mccarrick, presidirão as missas em homenagem a Romero.

terça-feira, 22 de março de 2011

Fruição - Luciana Cavalcanti

Entrego-te algumas palavras nuas.
Estão aí para dizer o que são.
Não ensaiam,
não se aprumam,
nem passam por revisão.
Palavras soltas, que,
outrora cruéis,
não sabem senão desnudar-se
para dizer de sua vergonha.
Cada palavra é um espasmo,
um soluço,
um orgasmo.
Cada palavra é já
algo que eu não calculo.

Noturno (2) - Luciana Cavalcanti

Inútil, como a quebra-de-braço
entre o si mesmo e o delírio,
este calar a paixão bem-vinda,
este negar o suor no rosto,
esta paz de quem já não foi...
Retarda
as horas que te separam do gozo,
os mundos que afastam tuas sombras
e recolhem, no passado, pedaços
e manchas indecifráveis de si.
Não sabe
do peso que assume quem
ousou ser leve
e que Ícaro, mais que alguém,
é um mundo interior,
equidistante entre o Foi e o Não-Foi.
Sonhar é coisa que se faz em voz alta,
de olhos abertos
e expressão pasmada...
Ser feliz, indiscutivelmente, é um espanto.

Noturno (1) - Luciana Cavalcanti

Posso escrever-te um poema.
Posso esquecer-te um poema.
Posso um poema.
E posso esquecer-te.
Só não posso esquecer que,
sem ti e sem poemas,
parte dos sussuros
da madrugada, que declina,
serão incompreensíveis
a mim, 
como a qualquero outro
que calcula
as horas até a aurora
pelo testemunho do chão
dessilenciado pelo entregador de jornais...
E já antevejo as manchetes! Nada demais...!
Posso escrever-te um poema.
Posso esquecer-te um poema.
Posso esquecer-te
e me posso...
Mas, a estas horas,
a mim,
silenciar é delírio do sono,
ler é negar, ingenuamente, o que eu digo.
Recusarei os jornais
como quem recebe
e rasga sem ler
o telegrama de um distante amigo.

"Refazemos o tempo nocturno..." - Graça Pires

Refazemos o tempo nocturno no mais escondido olhar
para que ninguém veja os passos em falso
com que trilhamos o destino.
Olhamos o carvão apagado, como se fosse possível
encontrar a noite debaixo da trempe
onde, no tempo antigo, se poisavam as panelas
e se procurava a promessa de um lugar à mesa.

Contra o silêncio lemos a meia voz: ponham laços
de crepe nos pescoços das pombas da cidade.
Que os polícias de trânsito usem luvas pretas
de algodão. Voltamos a ler e as palavras de Auden
ecoam como um requiem pelos sonhos
profanados em mãos funestas.
Depois não sabemos como evitar o luto,
ou a culpa, ou a solidão.

Graça Pires in "A incidência da luz", Editora Labirinto, Fafe, 2011, p 13.

"Carta" - Umberto Saba

 
 
"Carta"
.
Mando-te, amigo, dois poemas que são
as últimas palavras de alguém sobre a terra,
ligadas a um fio que a guerra romper
não pode, nem juvenil o teu delito.
.
Se te agradou, para nós dactiloscrito
sonho mediterrânico, aquele azulado
folheto que como dom
te deixava partindo, hoje tu, que és bom,
junta-os aos que são para Telémaco. Em breve,
espero, de novo nos veremos. O teu delito
não é grave: é teres-me um pouco olvidado.
.
.
Umberto Saba in "Poesia", Assírio & Alvim, Lisboa, 2010, p 371
(selecção, tradução e introdução de José Manuel de Vasconcelos).

domingo, 20 de março de 2011

De encontros, desencontros e silêncios...

Se não Falas 
Rabindranath Tagore 

Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e agüentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.
A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.
Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.


O PRIMEIRO ENCONTRO
Affonso Romano de Sant'Anna

Iam se encontrar como se fossem a um campo de tulipas.
Iam se encontrar como o equilibrista em cima de um fio, longe do chão, sem rede de amparo.
iam se encontrar como um navegante, um desbravador, chegando a um continente desconhecido e desejado.
Então, já que iam se encontrar começaram a se preparar como só se preparam as ondas quando à areia vão chegar. Puseram-se a pré-sentir o momento do encontro, intensificando os sinais trocados como o piloto emite sinais de aproximação atento ao radar.
Este não era um encontro qualquer, senão o primeiro. E o primeiro encontro, eu lhes digo, exige arte maior. Por isto, sendo adultos, pareciam ter dezesseis anos, ou qualquer idade em que o primeiro encontro se dá.
Imaginem um ansioso casal de namorados que a cada ponto da estrada, a cada quilometro que cada um avançasse na direção um do outro, parasse para telefonar, mandar telegrama, ou qualquer tipo de aceno eletronico ou primitivo, acenos ou sinais que indicassem veja, avancei tantos metros-e-quilômetros, estou mais próximo, em breve vou te tocar.
Sabe aqueles casais que quando se separam ao viajar largam pelas gavetas do outro, em meio às roupas do outro, nos seus cadernos e agendas uma porção de recados amorosos, para que a parte que ficou povoe de ternas lembranças a ausência deixada?
Pois os que vão ao primeiro encontro também querem pavimentar o caminho do encontrar. E nisto às vezes aplicam tal esmero, que até parece que estão mais interessados no pré-encontro que no encontrar.
Eles têm algo secreto que ninguém vai detectar. Na verdade, se parecem a essas galáxias que avançam a trezentos mil quilometros por segundo ao nosso encontro, e nem por isto são notadas pelos simples mortais.
Eles dialogam com o invisível e com o imponderável. Com a alma silvestre, colhem flores inexistentes no asfalto e veêm ternura na rispidez dos edifícios.
Não pisam o chão dos demais. Na verdade, caminhavam já noutra dimensão.
A carga do primeiro encontro, eu lhes digo, às vezes é quase insuportável. Só quem tem asas de anjo pode transportá-la.
Aqueles que estão indo para o primeiro encontro tomam tenso e milimétrico cuidado. Continuam colhendo tulipas, estudando a carta de marear e equilibrando-se no abismo. Mas sabem que o primeiro descuido pode desvia-los do que seria a colheita das primícias.
O desejavel é que o primeiro encontro fluísse com a naturalidade que só tem aqueles que já se encontraram cem vezes. Mas para se encontrarem cem vezes, eles sabem, é necessário transpor, construir esse primeiro e incontornável encontro.
O poeta dizia que a vida é a arte do encontro embora haja tantos desencontros. Pois há também a sutil arte do primeiro encontro. E o primeiro encontro é tão complexo e interminável, que devemos admitir que ele pode se dar do décimo quinto encontroou trinta anos depois. Podem , estranhamente, os desencontros anteriores terem sido o esboço do autêntico encontro, que quando ocorre é ineludível.
O ideal é que todo encontro fosse o primeiro encontro. E que se parecesse àquela coisa dos andróginos, aquelas duas partes de um ser que andaram se buscando exiladas por aí, até que um dia se abraçaram, se fundiram para nunca mais.
Quando uma pessoa parte para o primeiro encontro em vão vai se indagando: "Que presente te dar?". Todos os presentes parecem precários, fugazes, imcompletos. Porque é imensurável o que cada um quer receber e o quanto se quer dar.

(...)

Tenho a impressão
que já disse tudo.
E tudo foi tão de repente.

Paulo Leminski

Se tu quiser...

A tarde, talvez, fosse azul...


Poema de sete faces
Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás do óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Paulo Leminski

 

tudo claro 

(Paulo Leminski)

        tudo claro
ainda não era o dia
           era apenas o raio

Qual a palavra que nunca foi dita?!?

Eles, os poemas...




Ela, que já me olhava há muito tempo, sem que eu o percebesse, retirou-me dos devaneios com a pergunta:
- Tia Lú, no que é que você tá pensando?
- Estou pensando em escrever um poema, Júlia - respondi, entre a surpresa e a necessidade de explicar coisas às crianças...
- E escrever um poema é bom ou ruim?
- É bom, Júlia... Escrever um poema é bom!
- E, então, Tia Lú... se é bom, por que você tá triste?!?
- Estou chamando o poema, que é bom, Júlia, por isso... pra ele não deixar mais eu ficar triste!
- Ah, então, o poema é alegre?
- Nem todos os poemas são alegres... alguns são tristes, mas, quando eles vem, ajudam o coração da gente porque são bonitos...
Frustrava-me com minha incapacidade de explicar poesia a uma criança, quando Júlia saltou da cadeira e correu a uma mesa próxima, arrancando a rosa mais bonita de um arranjo que a ornamentava... Rosa na mão, ela voltou.
- Toma a rosa, Tia Lú, ela é bonita... vai ajudar o poema que 'cê tá chamando...!
E correu a ir brincar com outras crianças...




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Diálogo acontecido no dia do casamento de Lygia e Hugo com Julinha, filha de Manú...

Agora vamos avançar...

sábado, 12 de março de 2011

Pois é...


Amor e Medo
(Affonso Romano de Sant'anna)


Estou te amando e não percebo,

porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Assombros - Affonso Romano de Sant'anna


 
Assombros
(Affonso Romano de Sant'anna)


Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.

Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.

Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Quando o Tempo confirma a Vida... Evoé!

Seguem poemas escolhidos por Maria, no aniversário de Branca, para parabenizá-la. Falam fundo, da Vida e do tempo vivido. Amo. E, por isso, vale viver... Com o nascimento e o renascimento celebrados neste domingo de carnaval, agradeço com orações e alegria! Gracias a la Vida! Evoé!


Ah! Os relógios (Mário Quintana)
 
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta o momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.
 
*** 
 
 
Ensinamento ( Adélia Prado)

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo. 

*** 

 
Poética (Vinícius de Morais)

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
 
 

É pra ler!!

BRASIS


A violência letal contra negros na CartaCapital desta semana:

Em São Paulo, em abril do ano passado, o motoboy Eduardo Luís Pinheiro dos Santos, de 30 anos, foi espancado até a morte no 9º Batalhão da PM, no bairro da Casa Verde. Havia sido detido, ao lado de outros dois suspeitos, para investigação de um furto de bicicleta. Para ocultar o crime, os policiais abandonaram o corpo de Santos a duas quadras do batalhão. Depois, o levaram já morto a um hospital e registraram um boletim de ocorrência falso, como se o motoboy tivesse sido encontrado na rua inconsciente, mas ainda com vida. O Ministério Público denunciou 12 PMs pelo homicídio. A Ouvidoria da Polícia não descarta a possibilidade de as agressões terem sido motivadas por preconceito racial.
“O motoboy era um negro próximo do local onde uma bicicleta foi furtada, logo um suspeito em potencial para a polícia”, afirma o ouvidor da polícia, Luiz Gonzaga Dantas. “Infelizmente, muitos policiais ainda se portam como verdadeiros capitães do mato dos tempos da escravidão. O negro, pobre e marginalizado, é sempre visto como suspeito e rotineiramente é vítima de abordagens truculentas.”
Apenas no ano passado, a polícia paulista matou 495 indivíduos. O número é menor que a média registrada em 2009, quando 524 foram mortos em operações policiais, mas não há motivo para comemoração. “Trata-se de um índice de letalidade altíssimo, um dos maiores do mundo. E devemos recordar que, em 2008, o número de homicídios cometidos pela polícia era bem menor, 371”, comenta Dantas. “Não concluímos o levantamento, mas posso garantir que a grande maioria das vítimas tem o mesmo perfil: homem, jovem, negro e pobre.”


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Disto e Daquilo...


E, poeta, tendo experienciado o desaprendizado do Amor
pensa, talvez, na possibilidade lúdica e lúcida de reinventar tudo, outra vez.
Em bases seguras, tomar duas mãos para o salto.
A estrepolia de um coração que sabe manter-se em estado permanente de carnaval.
Decidiu não morrer de velha...

Da força da Vida (autor desconhecido)

Recebi de minha madrinha, como mensagem de aniversário, neste Carnaval especialíssimo onde, duas vezes, celebrei a Vida! Partilho. Para mim, sobretudo após o domingo de carnaval de 2010, é verdade límpida. A vida ensina...


"O destino une e separa as pessoas,
mas nenhuma força é tão grande
para fazer esquecer pessoas
que, por algum motivo,
um dia nos fizeram felizes"....

Chega um momento na vida em que você sabe
quem é importante para você,
quem nunca foi,
quem não é mais e
quem o será sempre..."