domingo, 12 de junho de 2011

Antes que o Dia termine...


Coisas de marketing. De Mercado. Uma criação publicitária, meramente, para aquecer o comércio em um período de baixas vendas... Por aí vão os argumentos...! Como no Natal. Como no Dia das Mães, Dia dos Pais... E a gente, se defende, diz que não vai submeter o Amor à Publicidade.
Acontece que tenho verificado a hipótese de que os publicitários não haveriam inventado coisa alguma e, apenas, passaram a utilizar, mediante seus objetivos, hábitos humanos tão velhos quanto a nossa percepção da irreversibilidade de nossa condição relacional: os ritos que, coletivizando, restauram, renovam e consolidam no indivíduo seus valores.
Ok, ok... tergivesso. Dei de intelectualizar a paixão. Dei de racionalizar até as vontades irresistíveis de comprar aquela "bolsa azul" que preciso muito...! Talvez...
Mas, vamos lá... Não é absolutamente maravilhoso que, pelo menos uma vez por ano, você possa sair por aí desejando felicidade a todo mundo sem que ninguém te ache doido?!? O Ano Novo serve pra isto...! Não é gostoso poder cantar na rua, vestir-se esquisito, brincar com quem você nunca viu na vida, como se a alegria se espalhasse por decreto quando é Carnaval?
Ademais, toda a sua vida está na agenda e nem vem me dizer que você lembra sozinha/o da consulta oftalmológica, ginecológica, do prazo de entrega dos relatórios, do aniversário de seus amigos, parentes...
Neste caso, até que serve pra alguma coisa que alguém tenha inventado que há um dia, somente um dia, para que você ceda àquela vontade de ser meloso, quase piegas, de pedir um mimo, de fazer mais mimo e de saber, sobretudo, que este teu amolecimento está sendo compartilhado...! O bom do rito é a partilha.
É bom quando uma cidade inteira para pra ver e torcer por um time (êita, Recife vermelho-e-preto da Copa do Brasil de 2008!), é bom quando um número significativo de pessoas reza, pensa, sente, na mesma vibração, na mesma hora... é bom que a Humanidade diga, nem que seja por meio de Propaganda, das coisas mais bonitas e mais fundas que nos fazem gente. E se isto vai render lucros ao comércio, que o seja! É o preço a pagar por sermos apressados, descuidados, pelo ano inteiro... É o preço a pagar por termos desaprendido cuidar do desejo, cuidar da manha, da preguiça, da risada, da cachaça... aí, a gente fica assim, carecendo que alguém invente data pra gente lembrar de ser feliz.
Ah, tá... mas eu não tenho esquecido. Hoje, foi só o reforço! E é impressionante como ser feliz, assim, não acostuma: é sempre novo, é sempre bom... e é tão simples! Simples como marcar qualquer coisa no calendário. 


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Em tempo: O Romantismo exacerbado da imagem foi proposital...! ¬¬

Um comentário:

Tadeu Rocha disse...

Grande Luciana. Feliz tudo. Que Deus continue fazendo vc transbordar poesia.