domingo, 17 de abril de 2011

Um Tributo ao Rei - REIginaldo Rossi Now!!!


Todo mundo tem lá seu lado brega. No meu caso, tenho dois: um, é o esquerdo, outro, o direito. Gosto das coisas derramadas, na palavra tomada de assalto pelo momento, quando tua cabeça diz que é preciso ter cuidado, esmerar palavras... Algo em mim diz "não" e eu solto tudo. Sou calor e explosão.Um palavrão que escapole, aquela conversa de bêbados, uma cantada bem descarada... Aliás, esta necessidade de dar cantadas em quem já está comigo e um gosto todo especial em ter aquele amasso no meio da rua, como se a espera pelo momento e lugar adequados deixasse o tesão, quase sempre, inadequado...
Mas, enfim, falava eu que todos tem seu lado brega... É que você vê, entre todas as faunas universitárias, a presença do brega. Uns, sem medo, vão de Victor e Léo, ou qualquer gênero musical tomado pela intelectualidade como "menor", acrescido de um sobrenome singularmente cínico "universitário"... Este troço de dar nível superior ao nosso direito supremo de choradeira, melosidade, exagero e safadeza é asquerozo. Não quero saber se a música que vou ouvir tem até a 4ª série, se fugiu da escola pra namorar ou tá fazendo pós-graduação.
É claro que há a questão estética... É claro que há questões éticas e políticas também. O politicamente correto. Mas é, justamente, por isso, porque há a estética, que defendo  a suspensão das barreiras, dos limites entre o que seria classificado como de qualidade e o sem qualidade... Explico-me: não é necessariamente boa uma música do Chico Buarque por ser de Chico Buarque. Nem necessariamente ruim uma música sertaneja. Agora, isto não explica o desmantelo como ecletismo... Tem dó, né, gente?!?
Putz... mas, este assuntamento todo pra dizer que este aqui é um disco bom. Bom, bom, bom mesmo... não pra tirar onda, bom pra ouvir, pra sentir que a criação de Reginaldo Rossi tem algo de singular, de criativo, original. Gosto sinceramente de uma certa fase do Reginaldo. Gosto do Odair José e de Fernando Mendes. Gosto de Waldick Soriano. É fato. E escuto-os com a mesma frequência com que escuto Pink Floyd, por exemplo.
Não é que eu não faça distinção entre estilos musicias, grupos, produções culturais... Distingo. E justamente por distinguir, preencho com sonoridades e criações diferentes os dias e as horas que não se repetem monotonamente na vida vivida. Os acordes da emoção pedem  compassos múltiplos.
E o bom do brega é a sinceridade...
Neste álbum, que ouvi hoje (agora a pouco), releituras da obra de Reginaldo Rossi mesclam estéticas, referenciais. Artistas diversos traduzem e retraduzem a obra do enamorado de Itamaracá... E, na moral, achar que esta maestria com que Lenine interpreta "a Raposa e as Uvas" é mérito exclusivo do Lenine não é preconceito estético, é burrice mesmo. Em música ruim não se fazem ótimos arranjos... E o Lula Queiroga cantando "Pedaço de mau caminho"?!? Gente, eu pasmo!Mundo Livre S/A, Cascabulho, Geraldo Azevedo et alli, completam a miscelânea de sentidos e sentimentos que o bom do brega pode nos proporcionar.

Este é o disco. Não deixe de conferir... 





1. Lenine - A Raposa e As Uvas
2. Zé Ramalho - Era Domingo
3. Cascabulho - Deixa de Banca ('Borogodá')
4. Querosene Jacaré - Tô Doidão
5. Lula Queiroga - Pedaço de Mau Caminho
6. Loop B & Stela Campos - Tão Sofrido
7. Geraldo Azevedo - As Quatro Estações
8. Mundo Livre S/A - Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme
9. Eddie e DJ Dolores - Cuca Fresca
10. Via Sat - Complexo de Cachorro
11. Otto - Garçom
12. Devotos - O Rock Vai Voltar
13. D.M.P. & Os Fulanos - No Claro ou no Escuro
14. Véio Mangaba - Ai Amor!
15. Comadre Florzinha - Desterro
16. Paulo Francis Vai Pro Céu - O Pão

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