domingo, 10 de abril de 2011

Carta de renúncia - Luciana Cavalcanti


Carta de renúncia

Eu, de meus medos e buscas consciente,
ao racionalismo de um amor sociável,
renuncio, neste instante, solenemente.

Renuncio
ao nobre conceito de relação estável
-conceito baseado em formalidades, unicamente.
Nego-me a buscar no outro um perfil (recomendável).

E, considerando a liberdade um inviolável direito,
apresento uma nova lei
para reger Vida e Sentimento:
“Que se rompa toda barreira e preconceito.”
“Que prevaleça a soberania da alegria, do contentamento.”
“E todo aquele que violar a referida lei esteja sujeito
à solidão, pesar e lamento.”

Não buscarei segurança
(por ser uma força avessa à ousadia).
Tampouco buscarei sossego...
Antes, quero a inquietude!
Quero a busca ansiosa de redescoberta,
de recomeço...

Doravante, no amor, me valerá o Ilogismo,
o Sonhadorismo,
o Inquietismo.

Rio-me, agora, da hipocrisia de tantos
que, em nome do nobre e correto, apedrejarão
frutos da pureza e sinceridade, da mutualidade una.

Por fim, renuncio,
sem sombras de medo ou dúvida,
ao amor mais bem-social que sentimento
e mais sensato que feliz.


(Luciana Cavalcanti, Agosto de 1998: Recife)

Nenhum comentário: