terça-feira, 22 de março de 2011

Noturno (2) - Luciana Cavalcanti

Inútil, como a quebra-de-braço
entre o si mesmo e o delírio,
este calar a paixão bem-vinda,
este negar o suor no rosto,
esta paz de quem já não foi...
Retarda
as horas que te separam do gozo,
os mundos que afastam tuas sombras
e recolhem, no passado, pedaços
e manchas indecifráveis de si.
Não sabe
do peso que assume quem
ousou ser leve
e que Ícaro, mais que alguém,
é um mundo interior,
equidistante entre o Foi e o Não-Foi.
Sonhar é coisa que se faz em voz alta,
de olhos abertos
e expressão pasmada...
Ser feliz, indiscutivelmente, é um espanto.

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