terça-feira, 22 de março de 2011

"Carta" - Umberto Saba

 
 
"Carta"
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Mando-te, amigo, dois poemas que são
as últimas palavras de alguém sobre a terra,
ligadas a um fio que a guerra romper
não pode, nem juvenil o teu delito.
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Se te agradou, para nós dactiloscrito
sonho mediterrânico, aquele azulado
folheto que como dom
te deixava partindo, hoje tu, que és bom,
junta-os aos que são para Telémaco. Em breve,
espero, de novo nos veremos. O teu delito
não é grave: é teres-me um pouco olvidado.
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Umberto Saba in "Poesia", Assírio & Alvim, Lisboa, 2010, p 371
(selecção, tradução e introdução de José Manuel de Vasconcelos).

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