domingo, 27 de fevereiro de 2011

Celebração à Vida

 Acredito que não exista este sujeito indiferente ao próprio sangue. Não digo do sangue, simbólico, de nossa herança genética, que há pais e mães desnaturados por demais... Digo o sangue nosso sangue mesmo, aquele que percorre as veias. O sujeito ver seu sangue banhando o chão é um momento de lascar, sobretudo, se o sangue é muito. A gente percebe, nessa hora, que a vida é frágil: avião de papel, bolha de sabão, alegria de carnaval... a Vida, imensa e bela, pode se desfazer a um sopro.
Não. Não é intenção deste post ser mórbido. Nem vá se enganando que estou num momento de sofreguidão, reeditando a dor... É que, ao som dos clarins de Momo, meu coração se enche da alegria límpida que me tomou logo após a batida naquele Domingo de Carnaval. "Estou viva!", pensei. Penso. E quero, cada vez mais, este "estar viva", este "cuidar de mim", que somente a dor e o susto me fizeram entender, de uma vez por todas, como atitudes essenciais. 
Perto ou longe, os amigos percebem a espera do Carnaval 2011 como celebração: é como se todos, comigo, quisessem fechar o ciclo inaugurado no asfalto, de retomar a vida com as mãos, com um corpo que reaprende a saúde e a liberdade. É tempo de fechar um ciclo e viver um rito, vida mudada, ideais reafirmados, hábitos abandonados, outros, sendo formados. Re-nascimento. Meu 'reaniversário', como diria Michelli Brainer, é 14 de Frevereiro. Mas, o símbolo, a marca, é a de uma cidade vestida de folia, fantasiada... Morte e Vida me encararam de frente, em um Domingo de Carnaval. As duas, me fizeram a mesma pergunta. Pergunta que repito, diante do espelho, dia após dia, pra confirmar a opção radical e apaixonada por permanecer, por viver pra honrar a vida, gerar vida, semeá-la.
A sensação de estar na prorrogação do jogo e a consciência de que, em termos de vida, a prorrogação pode ser mais longa e melhor que o 'tempo regulamentar'... Aqueles vinte e tantos... Estes trinta e uns... E, eu, cada vez mais jovem: a Vida explodiu em meu peito com uma força fenomenal e o seu canto parecia convocar  tambores. Estou na rua, sou de rua. Celebrarei a Deus no meio da alegria do Povo. Evoé!

Um comentário:

Fanzine Episódio Cultural disse...

COMO PARTICIPAR NAS EDIÇÕES DO EPISÓDIO CULTURAL?
O Fanzine Episódio Cultural é uma publicação bimestral sem fins lucrativos, distribuído na região sul de Minas Gerais, São Paulo (capital), Belo Horizonte e Salvador-BA. Para participar basta mandar um artigo: poema, um conto, matérias (esporte, arte, sociedade, curiosidades, artesanato, artes plásticas, turismo, biografias, sinopses de livros e filmes, curiosidades, folclore, moda, saúde, esporte, artes cênicas, biografias, etc.) em Times Roman 12.
Mande em anexo uma foto pessoal para que seja publicada juntamente com a matéria. Se desejar, você pode enviar uma imagem correspondente ao assunto abordado. Caso o artigo não seja de sua autoria, favor informar a fonte.
PARA ENTRAR COM CARLOS (Editor)
Facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=1464676950&ref=profile
machadocultural@gmail.com