sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Fim?!?

 

Tem o STF e sua "leitura" da Anistia. Tem uma direita bizarra e uma ex-querda comodista. Tem uns amigos pirados se achando normais... Esta dor "nos quarto". Outra candidatura do Zé Serra. A Dilma como melhor(?!?) opção... O Ranking da Time. O Michel Moore dizendo que o que Lula quer para o Brasil era o "sonho Americano" - isto foi um elogio?!? Tem uns trabalhos da pós... Minha licença médica que não acaba nunca!!! Ainda bem que meu humor (estranhamente...), depois do acidente, também não...!
Ai Jesuuuuuuuuuuuuuuuuuus!!!!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Hai-quases - Objeções

Objeções

I

Quase morro... que sufoco!
A cabeça protegida por um "quase"...
Mas é você quem quase vive.

II

E, então, haverá racional explicação?
Eu que bati com a cabeça no poste
e quem ficou de miolo mole foi você?

III

Se eu te compreendesse, talvez, fisseze
você me amar. Ou, talvez, te compreendendo,
eu não quisesse seu amor de jeito algum.

IV

Quem é este sujeito que me acende
estrelas nas mãos numa noite e, outro dia,
de súbito, me rouba o sol...?

V

Amar á fácil: absolutamente ignorante
sobre o que está fazendo, você decide
iniciar a tarefa mais difícil de sua vida...


[poeminhas de hora. De hoje mesmo - quentinho feito cú de foca, como diria o outro lá...!]

terça-feira, 27 de abril de 2010

O insuportável silêncio dos bons...



Wires deixou por aqui uma mensagem do Luther King... E eu, que ando pensando e re-pensando certas coisas, e, sobretudo, as coisas erradas, recordei uma frase sua famosíssima: "O que me preocupa não é o grito dos maus. E sim o silêncio dos bons". De fato, o mundo contemporâneo padece de uma espécie de inércia da bondade. As pessoas boas, muitas vezes, se deixam estar em estados de afasia diante da desordem e do caos de nosso tempo. Será medo? Será comodismo? Será insegurança? Dúvida?
O que está acontecendo com os bons?
O que acontece com o bom bispo ou o bom sacerdote que silencia sobre o criminoso e desumano proceder de um religioso pedófilo?
O que acontece com o bom professor que silencia diante de sua degratante condição de trabalho e, perdido em si mesmo, começa a duvidar de sua competência em um Mundo onde a Educação escolar tornou-se cínica e decadente?
O que acontece com os bons policiais que temem os maus policiais e acabam contribuindo para que haja policiais cúmplices de bandidos ou mesmo policiais oprimindo gente honesta e transformando humilhação e tortura em rotina nas periferias?
O que acontece comigo? Quando penso que mereço um melhor emprego, com melhor salário, e esqueço - ainda que por um momento - que há pessoas comigo, no lugar onde estou, para junto a mim transformar situações indignas? O que acontece comigo quando penso em desistir da luta porque "ninguém mais" estaria preocupado com isto enquanto eu me estresso em vão?
O que acontece com a gente quando a gente cala diante da homofobia, do fundamentalismo religioso, da mentira, da lógica do lucro fácil, do machismo, do racismo?
O que acontece quando eu vejo educadores (auto-proclamados) deseducando e não intervenho?
O que acontece quando eu vejo educadores populares (auto-proclamados) fazendo persistir a diferença que oprime, o não-diálogo, o preconceito e a ausência de liberdade?
O que acontece quando os meus melhores amigos seguem por rumos lastimáveis e eu, serenamente, calo... esperando o melhor momento pra gente "tomar uma" e não precisar conversar sobre a Vida?
Eu, que falo tanto, lamentavelmente, silencio em momentos em que seria necessário e urgente gritar. Mas estou re-aprendendo...  O recolhimento da recuperação me trouxe, sem outra opção, silêncio e solidão. Às vezes, minhas visitas testemunham que continuo falando pelos cotovelos... mas intuo que a dor e o silêncio deixaram mais sábios até os cotovelos...
Não quero mais desperdiçar um fio de Vida!
Nem um fio de voz...
E, hoje, solenemente, eu grito "não"... Eu não estou aqui para engolir o veneno que sugerem que seja viver. Não vou engolir... O pouco de bondade que há em mim, vou cultivá-lo. E mandar às favas, cotidianamente, com teimosia, o que seja mal...
Que meu maior silêncio seja de oração! Que eu não me paralize pela omissão! Que eu esteja entre os atrevidos que ainda crêem que podem mudar o Mundo! Assim seja!

domingo, 25 de abril de 2010

Sobre a força da dor - Mais descobertas...!


Meu braço esquerdo é o cara! E vocês já sabem disto...! Obama, coitado, é que anda desinformado...
Esta semana, estava eu estudando. Estudar é uma das únicas coisas que eu fazia normalmente que continuo fazendo... Aliás, estou fazendo bem mais e melhor! O resto, eu nem sei se estarei fazendo mais e melhor porque, honestamente, meus caros, por enquanto me deixa guardada, me deixa guardada que a maioria das coisas dói... Como assim?!? Assim, oras! Tomar água... ah, tomar água não dói... mas eu tenho que segurar a garrafa em uma mão e o copo na outra... ok? Ok! Se o braço da garrafa for o esquerdo vai doer... porque o braço ainda não sacou que ele vai voltar a pegar peso. A Fisioterapia é que está ensinando a ele que sensibilidade e força não são coisas do passado e que ele deve permanecer um bom braço, apesar de o cara do banco (o guarda mesmo) sempre ficar desconfiado com ele após 18 de fevereiro de 2010. Pois é... ele vai dar problemas no detector de metais, mas é trabalhador, de família, nunca pegou no alheio - adorava esta forma como um fradezinho velhote nos perguntava sobre "pequenos furtos"! Enfim... Estava eu estudando e fui pegar um livro na estante. Levantei, portanto. Acontece que a cadeira de rodas destravou por vontade própria, se mexeu e quase me derrubou... Pensei rápido (acho que estou ficando boa nisso!): vou me ferrar! E apoiei o peso do corpo com o braço esquerdo na parte baixa da estante...


Se doeu?!? Não... foi legal... espera aí... vou tentar de novo!!! Puuuuuuuuuuuuuuuuxa vida! Conforme minha filosofia do dia do acidente: dói porque está vivo e saudável... Vivo e saudável, Herói tratou de mandar pro meu cerébro duas informações: 1) segurei um tranco!; 2) que parte idiota de você (cérebro) me mandou segurar esta onda?. Meu cérebro respondeu. Era melhor ele ter ficado calado, digo, quieto! Mas ele respondeu... Fiquei doída e preocupada olhando pro braço durante umas duas horas. Pensando: "por favor, não incha! Por favor, seus parafusos estao no lugar, né?!? Já que os do juízo, nunca estiveram...?". Acho que foi isto... Tenho parafusos no braço pra compensar o que falta no juízo.
Herói fez duas sessões de Fisioterapia depois disto e se comportou como um bom braço. Na manipulação, amulegando ele mesmo, não percebemos nenhuma alteração. Haverá uma consulta médica esta semana e ele vai tirar Raio X... Acredito que foi só o susto. Outro susto! Mas susto...
Reaprender o equilíbrio é difícil. No corpo como na mente. Acredito que equilíbrio é a chave para a saúde integral... e isto também não é metáfora, embora tenha múltiplos sentidos. Nenhuma queda seria conveniente agora. E Herói agradecerá se eu ficar quietinha e não der muito trabalho a ele... afinal, ele é de metal, mas não é indestrutível!

sábado, 24 de abril de 2010

Estrela



Tu me deste uma estrela
- e nem o sabes!
Ela me explodiu na mão
no exato instante
em que pensei que o dia
carecia de um poema
que insistia em não chegar
mesmo declinando a noite...

Tu me deste uma estrela
e nem precisei confirmar
o seu brilho intenso,
olhando através das janelas.
Uma explosão e uma luz
que, enigmaticamente,
prende os olhos de astrônomos,
enamorados e poetas,
hoje, esta noitinha,
foi só minha!

Me deste uma estrela...
O amor que nem sabes que me tens
iluminará noites inteiras
mesmo quando estivermos nós
extintos...


Luciana Cavalcanti

(24 de abril de 2010, Recife, Várzea do Capibaribe: 22h 37 min)

As estrelas... a brevidade, a força da Vida.

Do Quintana...


Nunca ninguém sabe

Nunca ninguém sabe se estou louco para rir ou para chorar
Pois o meu verso tem essa quase imperceptível tremor...
A vida é louca, o mundo é triste:
vale a pena matar-se por isso?
Nem por ninguém!
Só se deve morrer de puro amor!

DA FELICIDADE (Mário Quintana)


Quantas vezes a gente,em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão,por toda parte,os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!

E a Liberdade? Que seria?

O mais triste de um passarinho engaiolado é que ele se sente bem. (Mário Quintana)

Sob as Palavras - Ângelo Monteiro

A dureza do amor cria
sob o piedoso veneno
das palavras. Nas palavras
fez-se mortal como o dia.

Mas sem elas tal dureza
a constância perderia
e sua brancura de mármore
nos olhos se esgotaria.

Nos giros tortos do mundo
quantos rostos vislumbramos
que são hoje pura areia.

Sem as palavras tais rostos
- e o amor por eles sofrido -
seriam elos sem cadeia.


("Sob as palavras", Ângelo Monteiro)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sexta-feira... fumando Ary, cheirando Vinícius, bebendo Nelson Cavaquinho.

Há gente... e não eu!!!


Há gente que se enrijeceu
por dentro
de tanto tomar porrada
à toa...

Hoje, essa gente teme
o vazio e crê que fechar-se
garante o comando
de velas e proa.

Há gente que precisa de constante
amasso
para buscar, talvez, o que falta
em cada abraço...

Hoje, essa gente crê
que só há paixão quando há
estardalhaço
e teme que o amor vá antes de vir...


(23/04/2010: Várzea do Capibaribe, Luciana Cavalcanti: "Explicação de carência")

quinta-feira, 22 de abril de 2010

De dores e Dolores...



"O amor que não dá certo dura mais!" (F. Carpinejar)

E pétalas entraram por minha janela...!

Sem saber que é amor...


 

Pétala Por Pétala

Chico César
 
 
A sua falta me fez ver
O que de mau a vida pode ter
E a sua volta me dá mais
De todo o mel que eu ousaria querer
Sua presença me faz rir
Nos dias feitos pra chover
Nao há revolta pra sentir
Nem há milagre pra não crer
Vinda que finda
A tinta de pintar tristeza
E deixa os mistérios plenos de sentido
A flor da vida toda
Pétala por pétala
Que um tolo pode colher
Sem saber que é amor
Vem e aumenta em mim
O único que sou
E subtrai do que em mim passou
É amor, vem...

terça-feira, 20 de abril de 2010

Reflexão e oração - mensagem do Padre Zezinho



Santos pecadores 

Pe. Zezinho, scj 


Gratos pelos teus santos Senhor Jesus! Vieste ao mundo fazer santos de verdade e fizeste muitos deles em todas as igrejas. Não os que apenas parecem, oram ou falam ou se fingem de santos e ungidos, mas os verdadeiros ungidos que, com o tempo, se percebe que viveram pelos outros, para a melhoria das pessoas e do planeta. Não se omitiram, não fugiram, ainda que tivessem limites e pecados, resquícios de uma natureza rebelde. Mas fizeram o melhor que sabiam e quiseram o melhor para os outros. Perdoaram até à exaustão, tal o medo que tinham de ser injustos.

Embora os respeitem, nem todas as igrejas os veneram e prestam culto de dulia. Nem todas usam direito e nem todas compreendem o uso dos símbolos e das imagens. Isso ainda nos divide. Há preconceitos de ambos os lados. Mas precisamos aprender o sentido do louvor ao servo fiel.

Adoramos-te e reverenciamos quem te serviu bem. Cada igreja tem as suas razões sobre as quais é justo ponderar. Nem todas veneram e admiram da mesma forma os teus eleitos que já foram para a outra vida mas sabemos que houve a há almas santas em todos os caminhos da fé em Ti. Não houve patriarcas nem há santos perfeitos. Só tu és santo, santo, santo.

Por isso, por vocação e desejo somos santos e queremos ser cada dia um pouco mais. Mas, por condição humana e circunstâncias, somos ainda pecadores Como teu apóstolo Paulo, ainda queremos o que não deveríamos querer e fazemos o que não deveríamos fazer e não amamos como deveríamos amar. Nosso desejo vai numa direção e nossas atitudes seguem direção contrária. Somos contraditórios.

Mas queremos, sim, ser santos não como tu és santo; perfeitos, não como tu és perfeito, mas santos e perfeitos até onde pode um ser humano ir porque tu és infinitamente perfeito, nós por melhores que sejamos, imensamente limitados. A verdade é que ainda estamos nos convertendo.
Converte-nos ainda mais, Senhor! Puxa-nos ainda um pouco mais na tua direção! É graça que te pedimos, graça da qual necessitamos.

Em defesa do celibato - II

 

Ponderações de Dom Henrique, bispo auxiliar de Aracaju, sobre pedofilia


Pedofilia: ponderações

Caro Leitor, em algumas partes do mundo – também no nosso País – têm surgido escândalos provocados por padres pedófilos (há também outros vários escândalos ligados à vida sexual dos sacerdotes). Na Europa, sobretudo, a imprensa e certos ambientes da Igreja ditos progressistas vêm procurando associar esses tristes e inaceitáveis casos ao celibato. Eis algumas ponderações que gostaria de fazer:
1. Há, sim, na Igreja, sacerdotes pedófilos. É triste, é vergonhoso, mas é verdade. Eles não estão nela porque a Igreja os promove e os acolhe... Há sacerdotes pedófilos, como há pastores evangélicos pedófilos, pais de família pedófilos, professores pedófilos, juízes pedófilos, médicos, psicólogos, militares e jornalistas pedófilos... Nem mais nem menos! Aliás, como já acenei neste blog, a grande maioria dos abusos de menores dá-se no recinto do próprio lar. Quando era padre acompanhei muitos desses dramas dolorosos e de difícil resolução... Então, por que aparecem muito mais os casos de padres pedófilos? Por vários motivos. Eis alguns: (1) É muito mais difícil para um sacerdote se esconder, (2) os casos com padres são mais divulgados pelo potencial de escândalo e de atrair atenção, (3) há o contato de muitos padres com jovens coroinhas e jovens educandos nas escolas católicas, (4)em alguns países há uma indústria mafiosa para arrancar dinheiro da Igreja com casos de pedofilia verdadeiros ou forjados...
2. Associar a pedofilia ao celibato é pura má fé! Uma coisa é totalmente independente da outra. Um pedófilo pode mascarar-se por baixo do ministério sacerdotal como pode encapar-se num casamento! E são tantos! O celibato é um dom de Deus para a Igreja e, que fique bem claro: não há nenhuma propensão do Papa e do episcopado de suspender a disciplina atual, que exige o celibato dos sacerdotes! A crise de vocação não é motivada pelo celibato, como também a crise de fidelidade não tem no celibato sua causa! A crise é de fé, não de celibato!
3. É preciso deixar claro o seguinte: o atual processo de secularização, de banalização do sagrado, da redução do sacerdócio a uma profissão e do padre a um fazedor de pastoral - esquecendo a ontologia mesma do sacerdócio, isto é, a essência, o ser mais profundo do padre, que pelo sacramento da Ordem torna-se um homem de Deus, um outro Cristo, um homem inteiramente consagrado “às coisas de Deus” -, é isto, precisamente, que leva ao relaxamento e ao enfraquecimento da vida moral de tantos padres. Há uma tendência, até mesmo em certos setores da Igreja, de ver o padre de modo secularizado, tirando-lhe todo o sentido sagrado e místico. Até na nomenclatura, quantas vezes, em tantos ambientes teologicamente doutros, evita-se chamar o padre de sacerdote para denominar-lhe simplesmente presbítero... é de fé católica e é indispensável recordar: o padre deve ser um homem de Deus, um homem sagrado e consagrado, um homem cujo modo de ser e de viver deve trazer claramente as marcas do Eterno!
4. Nunca esqueçamos: somos pecadores! O padre, como qualquer outro ser humano, é membro de uma humanidade ferida, com falhas, com más tendências, com fraquezas. Os padres são assim, os casados são assim, a humanidade toda é assim! O cristianismo ensina claramente que todos somos marcados pela ferida do pecado original. Não somos certinhos, bonzinhos, cheirosinhos! Somos lavados por Cristo, salvos por Cristo, recuperados, curados pela cruz de Cristo! Não é por acaso e não é jogo de cena que ao início de toda Missa comecemos por bater no peito pedindo perdão. O pecado é uma realidade concreta, forte, próxima, presente na nossa existência. Contra o pecado é necessária a vigilância, a oração, a mortificação, uma profunda adesão ao Senhor. Nunca nos deveríamos assustar com o pecado, mas olhar para o remédio, que é Cristo, e dele fazer uso! Sempre houve padres com más tendências na área sexual-afetiva. Muitos desses conseguiram superar e integrar suas misérias com uma vida espiritual séria e devota. Com a oração, a sincera busca da direção espiritual, a confissão e os demais meios que a Igreja nos oferece para buscar a santidade, é possível ir superando as feridas e quedas e ser um santo sacerdote, um verdadeiro homem de Deus. O padre, o cristão não são uns impecáveis, mas pessoas a caminho no seguimento de Cristo, olhando para ele, nele colocando a esperança, nele procurando o perdão e nele crescendo dia por dia, até o Dia eterno. O problema é que com a secularização e o relativismo atuais, tudo parece permitido, tudo é jogado na conta da misericórdia de Deus, tudo é resolvido psicologicamente! Penso que um dos maiores problemas para uma verdadeira e leal vivência do celibato dos padres é, precisamente, a secularização, isto é, a mundanização, a perda da consciência e dos sinais de uma clara identidade que mostra que o sacerdote é um homem de Deus. Muitos na Igreja alegam que os sinais de uma identidade (no agir, no rezar, no modo de viver, no vestir, no modo de se divertir...) são uma capa para esconder insegurança e vida dupla... Não concordo de modo algum! Há, realmente, aqueles, que se prendem de modo exagerado e patológico a sinais externos, como as vestes eclesiásticas e paramentos, descuidando-se de outros aspectos importantes e até mesmo do cultivo de uma piedade profunda, madura e integrada, de um zelo pastoral verdadeiro, de uma simplicidade de vida, sem ostentações ou luxos e sem excessivas preocupações materiais. Mas, daí, a se afirmar, como é costume hoje em muitos meios da Igreja, que valorizar o sagrado do sacerdócio é sinal e sintoma de hipocrisia, de carreirismo, de exibicionismo, de autoafirmação e mascaramento, é realmente um passo muito comprido e serve somente para justificar o outro extremo: a secularização, a vida sem piedade, uma compreensão do sacerdócio de modo simplesmente humano, funcional e mesmo profissional...
5. Vivemos num mundo complexo, paganizado, em crise de valores... Os jovens que entram no seminário não vêm do céu, mas do mundo. É fácil tirar o menino do “mundo”, mas tirar o “mundo” do menino, como é difícil. Aqui a urgência de uma formação seminarística que dê mística sacerdotal sólida, madura e profunda aos candidatos ao sacerdócio, também a necessidade de conhecer a dinâmica afetiva dos seminaristas. É preciso ter bem claro: um rapaz que não consiga ser casto no celibato não pode, de modo algum, ser padre! Um rapaz com tendências pedófilas tem que ser imediatamente mandado embora do seminário. Do mesmo modo, um sacerdote que se mostra incapaz de viver seu celibato deve ser aconselhado a deixar o exercício do ministério e, no caso de pedofilia, deve ser realmente excluído do exercício do sacerdócio: deve ser demitido do estado clerical. Quanto à tão propalada condescendência de Igreja com padres pedófilos no passado, é bom não esquecer que não se tinha nem de longe ideia da extensão e da gravidade da situação dessas pessoas pedófilas... O problema da pedofilia na sociedade é uma realidade que emergiu há poucas décadas atrás e ainda nos surpreende a todos!
6. É bom também que se saiba que na Igreja há o Direito Canônico: ninguém pode ser condenado sem uma acusação formal, sem ser antes advertido, sem o direito de defender-se. Não é justiça e é contra a caridade promover pura e simplesmente uma caça às bruxas. Como também é pecado grave de omissão por parte da autoridade eclesiástica simplesmente fechar os olhos para os escândalos e delitos dos sacerdotes: é necessário tomar corajosamente as medidas cabíveis!
7. Uma coisa importante: a infidelidade de muitos não pode deixar na sombra a fidelidade heróica e silenciosa de muitos e muitos tantos que, no dia-a-dia, sem aparecer em jornais, dão um esplêndido testemunho de amor a Cristo e aos irmãos. Que ninguém duvide: a grande maioria de nossos padres vive com alegria e amor a Cristo o seu celibato e é digna de todo o respeito e toda a confiança de nossa parte! Os católicos devem ter muito cuidado com uma imprensa em geral anticristã e sensacionalista, preocupada não com a verdade, mas com o escândalo. Quanto já se tentou incriminar o Santo Padre dos mais variados modos! Quanto já se deturpou atitudes e palavras do Papa! Que inferno fizeram os meios de comunicação com o caso da menina do aborto de Alagoinha, em Pernambuco... Até quando seremos ingênuos, achando que os meios de comunicação transmitem a mais pura verdade, sem escusos interesses por trás da notícia?
8. Uma última observação: nos momentos de glória e beleza da vida da Igreja (como, por exemplo, no sepultamento de João Paulo II) é fácil estufar o peito e declarar-se católico. O católico verdadeiro, o verdadeiro filho da Igreja, é aquele que nos momentos de dor e de escândalo, quando a Igreja é apedrejada, chora com sua Mãe católica, crava os olhos em Cristo, reza e permanece fiel. Para este, vale a palavra do Salvador: “Fostes vós que permanecestes comigo em todas as minhas tribulações!” Nunca esqueçamos: o mundo não está preocupado com o bem da Igreja ou das vítimas da pedofilia, mas com o escândalo, o sensacionalismo e a imposição hipócrita do politicamente correto. É só!

Em defesa do celibato - I (Espiritualidade e Doação)

A graça de ser só
por Padre Fábio de Melo
 
 
 
Ando pensando no valor de ser só. Talvez seja por causa da grande polêmica que envolveu a vida celibatária nos últimos dias. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas para os padres. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família.

Já presenciei discursos inflamados de pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar.

Eu também fico indignado, mas de outro modo. Fico indignado quando a sociedade interpreta a vida celibatária como mera restrição da vida sexual. Fico indignado quando vejo as pessoas se perderem em argumentos rasos, limitando uma questão tão complexa ao contexto do “pode ou não pode”.

A sexualidade é apenas um detalhe da questão. Castidade é muito mais. Castidade é um elemento que favorece a solidão frutuosa, pois nos coloca diante da possibilidade de fazer da vida uma experiência de doação plena. Digo por mim. Eu não poderia ser um homem casado e levar a vida que levo. Não poderia privar os meus filhos de minha presença para fazer as escolhas que faço. O fato de não me casar não me priva do amor. Eu o descubro de outros modos. Tenho diante de mim a possibilidade de ser dos que precisam de minha presença. Na palavra que digo, na música que canto e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo.

Nunca encarei o celibato como restrição. Esta opção de vida não me foi imposta. Ninguém me obrigou ser padre, e quando escolhi o ser, ninguém me enganou. Eu assumi livremente todas as possibilidades do meu ministério, mas também todos os limites. Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos. É questão de maturidade.

Eu não sou um homem solitário, apenas escolhi ser só. Não vivo lamentando o fato de não me casar. Ao contrário, sou muito feliz sendo quem eu sou e fazendo o que faço. Tenho meus limites, minhas lutas cotidianas para manter a minha fidelidade, mas não faço desta luta uma experiência de lamento. Já caí inúmeras vezes ao longo de minha vida. Não tenho medo das minhas quedas. Elas me humanizaram e me ajudaram a compreender o significado da misericórdia. Eu não sou teórico. Vivo na carne a necessidade de estar em Deus para que minhas esperanças continuem vivas. Eu não sou por acaso. Sou fruto de um processo histórico que me faz perceber as pessoas que posso trazer para dentro do meu coração. Deus me mostra. Ele me indica, por meio de minha sensibilidade, quais são as pessoas que poderão oferecer algum risco para minha castidade. Eu não me refiro somente ao perigo da sexualidade. Eu me refiro também às pessoas que querem me transformar em “propriedade privada”. Querem depositar sobre mim o seu universo de carências e necessidades, iludidas de que eu sou o redentor de suas vidas.

Contra a castidade de um padre se peca de diversas formas. É preciso pensar sobre isso. Não se trata de casar ou não. Casamento não resolve os problemas do mundo.

Nem sempre o casamento acaba com a solidão. Vejo casais em locais públicos em profundo estado de solidão. Não trocam palavras, nem olhares. Não descobriram a beleza dos detalhes que a castidade sugere. Fizeram sexo demais, mas amaram de menos. Faltou castidade, encontro frutuoso, amor que não carece de sexo o tempo todo, porque sobrevive de outras formas de carinho.

É por isso que eu continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os casais descubram que o casamento também não é uma imposição. Só se casa aquele que quer. Por isso perguntamos sempre – É de livre e espontânea vontade que o fazeis? – É simples. Castos ou casados, ninguém está livre das obrigações do amor. A fidelidade é o rosto mais sincero de nossas predileções.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ser pai. Ser mãe. Ser filho e filha. Ser!

-"Agora vou contar-te um segredo: Nós só podemos ver perfeitamente com o coração; o que é essencial é invisível aos olhos. Os homens têm esquecido esta verdade. Mas tu não deve esquecê-la. Tu tornas-te eternamente responsável por tudo aquilo que cativas."
 
 
Hoje, li no blog de Marcella (o Veleiro de Cristal), um dos trechos mais belos da literatura mundial: o diálogo entre o pequeno príncipe e a raposa sobre o "cativar"... Marcella falava da chegada e de toda a bagunça que isto faz em nossos corações de uma nova vida, a vida de Ana Luiza. 
Engraçado! Lembrei-me de Michel, amigo "por tabela" e, hoje, muito amado, e de seu amadurecimento e transformação desde que soube que iria ser pai...
Ontem à noite, Michel me ligou duas vezes: uma para dizer que Kelly estava em trabalho de parto, outra para dizer (a voz trêmula, emocionada) que Miguel havia nascido! 
A gente aprende a ser "pais" e "mães", eu acredito... assim como aprendemos a vida inteira a ser filhos e filhas.
É um pouco do cativar... o começo, talvez...
Mas em cada encontro, com cada pessoa que acolhemos em nossas vidas, devemos aprender a cativar e ser cativados. O amor é nossa vocação infinita. Aliás, o amor nos torna infinitos...
 


IMAGEM: Álbum de família... Papai e eu.

domingo, 18 de abril de 2010

Definição de "amor cachorro"?!?

Refletindo...


O Deus que achamos ter achado 
 
Pe. Zezinho, scj 





Achar que achamos não é o mesmo que ter achado...

Conta uma lenda que um garimpeiro solitário e extremamente vaidoso de sua capacidade de achar o que os outros não achavam, sob os aplausos dos amigos, embrenhou-se pelo sertão, jurando que jamais voltaria para a sua cidade sem a maior pedra preciosa do mundo. Ele revelaria ao mundo a pedra de maior valor que qualquer ser humano pudesse ter visto. Trinta anos depois, voltou feliz e vitorioso com um diamante de dois quilos. Foi aquela festa. Os velhos amigos e os novos o aplaudiam pelo feito, e ele foi chamado por todas as comunidades da região a dar palestras e testemunhos sobre seu grande achado, até que um experiente conhecedor de pedras preciosas pediu para examiná-lo. Era falso!

Os fãs do garimpeiro falsário, ao invés de abandonar o mentiroso, atacaram o estudioso. Já não se importavam com a verdade e sim com as façanhas e as histórias do garimpeiro, que era tão simpático e querido, falava tão bem e tinha sofrido tanto... E daí, se a pedra não era um diamante! Afinal, ele era autêntico e sincero! Não merecia ser desmascarado... Apoiado por seus fãs, o aventureiro continuou dando testemunho do seu grande encontro com a grande mentira. Havia mais gente querendo ouvi-lo, vê-lo e tocá-lo do que gente querendo ver e ouvir o especialista em pedras preciosas. O marketing do aventureiro foi mais eficiente! Ficaram com ele.
O mundo está cheio de profecias, livros, testemunhos e depoimentos de quem garante que encontrou Deus. Alguns realmente tiveram um encontro com Ele. Outros, pela vida que vivem, não o acharam. Estão mentindo. A televisão está cheia de atores, atrizes, apresentadores e apresentadoras dizendo-se católicos ou evangélicos e vivendo, mostrando e ensinando o oposto do que um verdadeiro evangélico faria. Das duas, uma: ou não se converteram, mas está na moda dizer que se converteu, ou acharam a fé errada e embarcaram numa Igreja ou em grupos que se proclamam de Cristo ou batizados no Espírito, mas ensinam o contrário do que Cristo ensinou. Nunca é demais ficar atentos. Jesus nos alertou contra eles (Mt 7, 15). Há pessoas dizendo ter achado o que não acharam. Pelos frutos os conhecereis, opinava Jesus! (Mt 7,16)
Quanto a nós, não temos o direito de dizer que achamos. Também temos os nossos erros e pecados. Melhor é dizer que estamos buscando ainda mais, agora na penitência por saber do quanto já fomos capazes de errar no passado... Talvez um dos sinais mais claros de que encontramos os sinais do Criador que buscamos é o desejo de não errar mais e de nunca mais ferir a quem quer que seja! Quem não tem perdão nem desculpas a pedir pode não ter achado! Deve ser por isso que João Batista começa a sua pregação pedindo um coração penitente e Jesus também começa a dele na mesma afinação: Fazei penitência porque o Reino está chegando! (Mt 3,2; 4,17).
Vale a pena debruçar-nos sobre esta verdade. Sem penitência e desejo de ser melhores nenhuma religião dá certo! 


FONTE: Portal Paulinas.

Hoje é Domingo...!



E nós celebramos a memória de quem não temeu a morte (e morte de cruz!), a enfrentou, mas, sobretudo, a venceu!
Neste tempo de Ressurreição, é bom estar redescobrindo a Vida...
Caminhando, a passos lentos, mas firmes, a caminho de mim.

Paz e Bem! Axé!
Um domingo de descanso, encontros e reflexão para tod@s nós!

sábado, 17 de abril de 2010

Bem-vinda (à Ana Luiza) - de TiaLú


Bem-Vinda

à Ana Luiza

Imaginar-te o riso
não é o mesmo que te ver rir...
Imaginar a suavidade de tuas pequenas mãos
não é o mesmo que engrandecer minha ternura
ao segurar-te a mãozinha e pensar
no cuidado,
na responsabilidade,
com que devemos tratar do Mundo
e de todas as coisas
para que os dias de tua infância
sejam cheios de luz e cor...
Ter saudades de ti
sem nunca ter olhado
em teu olhar que 'inda se abre
e descobre um mundo
é descobrir-me a mim:
amando antes do gesto,
cuidando antes do encontro,
esperando enquanto sou
e sendo enquanto espero...
E toda esta espera,
esta esperança,
é já amor.
Amo-te, Bem-vinda,
porque a tua Vida
explodiu em tempo
de lembrar-me que o amor
se faz carne,
re-inventa o tempo,
e zomba
- em explosões infinitas de vida! -
da força da dor... 


Luciana Cavalcanti
Recife, Várzea do Capibaribe, 17 de Abril de 2010.

Pontos de vista...


Enquanto aguardo (ainda) que se cresçam e fortaleçam meus passos, a Vida me acaricia: antes da chuva, uma ventania me trouxe, pela janela, pétalas de rosa...

"Quero assistir ao sol nascer..."

"Olhar, gostar, só de longe, não faz ninguém chegar perto..."

Poema ao que não foi


Frases feitas,
amores desfeitos...
Resta-me o silêncio
por este meu defeito
de ser
extremamente perfeccionista
quando escrevo,
com meus dias,
histórias de amor.


Luciana Cavalcanti

Recife, Várzea do Capibaribe, 17 de Abril de 2010.

Reverência... Claro!

Um pouco de Gandhi...



“Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras tornam-se suas atitudes.
Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos.
Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se seus valores.
Mantenha seus valores positivos, porque seus valores tornam-se seu destino”.

(Mahatma Gandhi)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O braço direito. O braço esquerdo.

 

Há quem fale, quando se quer destacar a importância de alguém e  de sua imprescindível ajuda, que este alguém é seu "braço direito"... Não reclamo do meu braço direito. Gosto muito dele. Ele aqui está... digitando este texto.
No entanto, imprenscindível e de uma ajuda inestimável e inesquecível, tenho o meu braço esquerdo. Sem figuras de linguagem. Não há metáfora aqui... Ao contrário, há uma cicatriz que testemunha o amor de Deus por mim, a vontade da Vida de que eu, aqui, permanecesse para honrá-la e viver ainda o que me cabe marcando o meu braço esquerdo.
Meu braço esquerdo é, agora, carinhosamente chamado de "Herói". Ele foi braço de Deus, força da Vida, impedindo o impacto da cabeça contra as ferragens retorcidas do automóvel e o poste que destruiu o carro e feriu-me naquele 14 de fevereiro...
Meu braço esquerdo, por instinto e por Graça - sim! Deus e natureza estão em comunhão, Criador e Criação -, protegeu a cabeça na hora do acidente.
Por instinto e por Graça, meu corpo preservou-se como soube e pode...
E hoje dou Graças à Vida que permanece comigo e em mim, pulsante e bela, convidando-me a re-descobrir um Mundo que continua a girar desde o último domingo de Carnaval!

Leituras...

Amor, além do ofício - Thiago de Mello

Trabalho de homem para homem,
palavra que me faz ser,
escrever não seja ofício
alheio ao chão de viver.
Tenha sempre a tessitura
alada da claridão,
mas principalmente seja
de serventia a quem vive
ferido na escuridão.
Como estrela que escalavra
os ferros da servidão,
tição varando as funduras
escuras do coração.
Ofereço Arte poética?
Inauguro nova flor?
Não.
Entrego um rumo de amor.


Aprender o essencial...

Não sei amar direito 
 
Pe. Zezinho scj 


Perdoa-me Senhor! Não sei amar direito. Acho que nunca saberei. Amo um pouco pessoas que eu não conheço; amo muito algumas pessoas que conheço; amo mais ou menos a maioria dos que conheço e chego a não amar algumas pessoas que me fizeram e ainda querem o meu mal, apesar de todo o bem que eu lhes fiz.
Ainda não sei perdoar totalmente, amar sem retribuição, amar por amar. Ainda espero gratidão, retribuição e recompensa. Por isso, meu Senhor, estou pedindo a graça de amar sem reservas. Por mim mesmo não sou capaz desse amor.

Mas tua graça pode me tornar tão santificado que eu possa até retribuir com amor àqueles que não me amam. Sei que ainda não sei amar. Mas Tu que és amor, ensina-me essa parte da vida; eu ainda não a assimilei.

Foi para isso que eu vim ao mundo, mas ainda não consegui realizar este desígnio. Amo pouco e seletivamente, calculadamente. Ensina-me o verdadeiro jeito, o teu jeito! 


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FONTE: Do site Paulinas On Line - Mensagens. Publicado em 02 de Março de 2010.

Então, Pra que servem os espinhos?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Vale uma vida o que vale o sol...

Grande, Imensa... é a Vida!!!


"¿Que hay en una estrella? Nosotros mismos.
Todos los elementos de nuestro cuerpo y del planeta
estuvieron en las entrañas de una estrella.
Somos polvo de estrellas."

ERNESTO CARDENAL, "Cántico Cósmico"


Vale
Una vida lo que un sol
Una vida lo que un sol
Vale
Se aprende en la cuna,
se aprende en la cama,
se aprende en la puerta de un hospital.
Se aprende de golpe,
se aprende de a poco y a veces se aprende recién al final
Toda la gloria es nada
Toda vida es sagrada
Una estrellita de nada
en la periferia
de una galaxia menor.
Una, entre tantos millones
y un grano de polvo girando a su alrededor
No dejaremos huella,
sólo polvo de estrellas.
Vale
Una vida lo que un sol
Una vida lo que un sol
Vale
Se aprende en la escuela,
se olvida en la guerra,
un hijo te vuelve a enseñar.
Está en el espejo,
está en las trincheras, parece que nadie parece notar
Toda victoria es nada
Toda vida es sagrada
Un enjambre de moléculas
puestas de acuerdo
de forma provisional.
Un animal prodigioso
con la delirante obsesión de querer perdurar
No dejaremos huella,
sólo polvo de estrellas.
Un animal prodigioso
con la delirante obsesión de querer perdurar
No dejaremos huella,
sólo polvo de estrellas.

("polvo de estrellas", Jorge Drexler)

Para que não morra o sol...



"...no dia em que 'ocê foi embora
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi,
lembrando até do que eu não vivi..."

sábado, 10 de abril de 2010

Incabível



o que tu medes em reais,
esbanjo
à largura do riso.

o amor que cresce
para caber-se mais
não aceita avareza,
vergonha, nem ciso...


Luciana Cavalcanti

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Aprender... o que ainda preciso aprender...

Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores. 
Gibran Kahlil Gibran


Aqui é o estrado para os teus pés,
que repousam aqui, onde vivem
os mais pobres, mais humildes e perdidos.
Quando tento inclinar-me diante de ti,
a minha reverência não conhecegue alcançar
a profundidade onde os teus pés repousam, 
entre os mais pobres, mais humildes e perdidos.

O orgulho nunca pode se aproximar
deste lugar onde caminhas
com as roupas do miserável, 
entre os mais pobres, mais humildes e perdidos.

O meu coração jamais pode encontrar
o caminho onde fazes companhia
ao que não tem companheiro,
entre os mais pobres, mais humildes e perdidos.

 TAGORE








Imagens: Tagore e Gandhi, Raul Castro e Ché Guevara e Casarão (em ruínas) na Comunidade do Pilar/Recife Antigo.


quinta-feira, 8 de abril de 2010

"o medo de amar é o medo de ser livre"

passeio




Colho palavras na grama.
Saco uma rima do bolso...
A Poesia, quando quer afago,
não nos pede esforço.


Luciana Cavalcanti
Março de 2008

E dá-lhe viver...!




"O medo de amar é o medo de ser livre"...
- E tenho dito!

E cada dor é ressonante...



a dor sentida
alerta para o real
sentido
de toda vida:

O Amor
- e somente o Amor! - 
é eterno.
E amar, pois, eterniza...

Aqui há dor
e percebo, então,
amada e amante,
eis minha vida!

Luciana Cavalcanti: 14 de Fevereiro de 2010.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Poema-prece

Com preces. Sem pressa.
Mais que viver bem,
viver para o Bem, interessa.


Luciana Cavalcanti
14 de fevereiro de 2010

Propósitos



Um amor que seja verdade
por ao menos 15 minutos!
A mentira, em tempo integral,
acostuma a alma quente
ao frio...


30/12/2009

terça-feira, 6 de abril de 2010

A beleza é um bem a ser compartilhado...



Ninguém pode conviver sozinho com a beleza que é capaz de perceber. E quanto a nós, que buscamos o Absoluto, e que construímos um jardim usando a nossa própria solidão, a Vida nos deixou a imensa paixão para aproveitar cada instante, com toda a intensidade.


Gibran Kahlil Gibran