quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Vale a pena, à vera... Valerá!


Embaraçosamente comovida por uma canção açucarada - que minha memória atribui à trilha de alguma novela -, creio que de Victor e Léo, vem a constatação: já não apenas a minha bibliografia é insuficiente para me explicar, minha pequena biblioteca incapaz de me deter. Meus trabalhos, todos, resultam inúteis na tarefa de me prender a atenção, fixar meu foco.
A mente, esteja eu na BR 101, rumo a João Pessoa, ou na BR 232, rumo à Vitória, vai sempre ao mesmo lugar. E este endereço é ainda mais forte se o percurso é o da volta. Voltar é o verbo e o gesto que queria, em cada uma dessas viagens, direcionar para você, para sua casa... Mas como voltar a algo onde não se foi? Como voltar para tua casa cujo endereço não sei? Como voltar ao teu abraço do qual sou a essas horas, a esta altura de nosso convívio, absolutamente ignorante?
Voltar parece a chance de ir pela primeira vez... E me vem sempre o medo de que seja tarde. E de que tanta epera, tanta estrada, tanto coração mergulhado em tanto amor, seja excessivo, seja inútil... Ou como se a alma que tenho pra te dar fosse predestinada a tornar-se bagagem estraviada. Como se os versos de tantas idas e vindas fossem a carta que não chegará ao seu destino, como se eu mesma chegasse sempre depois à rodoviária - ou ao aeroporto...
E já era assim, um pouco desta bagagem, e muito do sentido desta viagem, quando, entre as nuvens, pensara no meu lugar como algo sinalizado, em geografias e existências, pelo traço de teu sorriso.
Pensei te re-ver.
Nas estradas e paisagens surpreendentes do Piauí ou em chãos de Sertão, visitando o São Francisco com olhos francamente eternecidos e molhados de saudade. Saudade que me parece ridícula a cada momento que não digo de sua existência. Saudade prima-irmã de um sentimento que, de tão sem lógica, só pode ser sincero e imenso, mas eu não digo...
E viajo cada vez mais densa. E por mais que o cansaço me exija liberar a coluna, viajar livre... É sempre muito o que carrego: levo meus sentidos e sentimentos, tanto medo e pressa de voltar, levo tua ternura, impressa na pele (que te aguarda em silêncio infantil...), levo pudores que eu pensava perdidos há tempos, levo a esperança de que, ao voltar, a cidade seja outra, e cada esquina, cada praça e mesmo os engarrafamentos, testemunhem o amor que levo e trago comigo, te convençam a me acolher, dando sentido a todas as voltas. E nunca mais me deixando ir só.
E se os livros não dizem, nada sabem, e eu, muito menos sei dizer com acerto o que acontece, não há porque surpreender-me de que meus discos, minhas canções, já soem cansadas, confusas... não sei cantar, em melodia que eu conheça, porque um novo amor  me veio assim: surpreendente e belo.
Se não cabe em meus livros, ultrapassa meus discos, surpreende e embobece as minhas palavras, talvez, sejam estes, o sentimento e o momento, em que tudo o que sou me exige a Vida expressa e vivida em plena liberdade...


Luciana.
Quarta-feira, 18 de Novembro de 2010.

2 comentários:

Tadeu Rocha disse...

E haja inspiração! Belo texto, impregnado de lirismo. Por curiosidade, vc também escreve contos?

Priscila (1o C- Pedagogia-facol) disse...

Ai ai, que texto!! Espero que o protagonista leia e entenda o recado!!! hehehehe Ah, sobre meu namoro, ainda é namoro =) Beijos