sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Últimos pecados


Indisfarçavel, a ansiedade
que te roubou as unhas,
feriu teus dedos e denunciou
a falha da cautela: trazer as mãos
cheias de dedos
e se omitir. E não arder,
não gritar "agora"...

E eis que a dor, então, vem
fora de hora. Doesse antes,
houvera lógica.

Ouvisse um "não"... Mas, agora?

Ante o teu silêncio o amor se afasta
e os braços que querias vão aninhar
outros corpos...

E o corpo, que quiseste,
vai despertar outro sono, e as madrugadas
serão sempre mais sozinhas
enquanto souberes daquelas mãos
unindo-se a outras mãos...
Entrelaçados dedos.

E tu, em teus medos,
lavaste as mãos,
o amor sucumbiu em omissão.
Nada resta, além de mãos frias
e estes dedos doídos de tanta mágoa
que tens ao roé-los...


[ luciana cavalcanti - poema-de-agora ]


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