terça-feira, 23 de novembro de 2010

Preces ao Futuro

Para o meu avô.

Nunca nos cansemos de dizer
das coisas mais belas e boas:
fruta colhida no quintal,
entardecer olhando o céu,
prosear de compadres na calçada,
novena e procissão
no interior. Gente simples
falando com Deus!

Nunca nos cansemos de dizer
dos amores mais fundos e certos:
cabelos brancos,
riso franco, voz cansada
carregando tanta ternura
que parece até que o tempo
multiplica a força do amor em mil,
cada dia...

Nunca nos cansemos de ser
como sonhamos ser quando crianças,
sábios e grandes
porque sabedores das coisas,
conhecedores do Mundo,
amigo das gentes, desde as influentes
às mais simples. E, todas, importantes!

Nunca nos cansemos de ter,
como mirante para olhar o Mundo,
uma despretensiosa cadeira na calçada
e a disposição de conversar e aprender.

Nunca nos cansemos de trabalho e riso,
de abençoar crianças,
de rir-se das brincadeiras desta meninada.

Nunca nos cansemos de sermos a força
do Amor com que asfaltamos nossa estrada...!


Luciana Cavalcanti, Recife - Em 23 de Novembro de 2010.
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E porque por ti, hoje e sempre, muito importa tudo o que serei, fique dito, mais uma vez:

'À “Seu Zé Pretinho”, José Amâncio (meu avô), porque pela Vida e pelo trabalho, ele me ensinou três grandes lições: que a generosidade e o desprendimento são caminhos seguros de se construir riquezas imperecíveis, que os acontecimentos mais simples são oportunidades de se fazer novas amizades e que o trabalho, honesto e insistente, pode não ser um fardo, mas ser permeado (também) de generosidades, desprendimentos e possibilidades abertas e certas de se consolidar afetos.'


#zepretinhoday