domingo, 14 de novembro de 2010

A omissão é um mal que se faz não fazendo nada...


No pé, ainda dói o corte adquirido num metal solto dentro da viatura policial. A coluna incomoda um pouco por conta do fim de noite e início de madrugada desconfortáveis... na rua, depois, numa delegacia.
Mas incômodo mesmo é viver em uma sociedade onde, além dos preconceitos, impera a omissão e a lógica do "pra quê isto".
Reunimo-nos ontem, eu e amigos, para uma discussão inicial sobre a formação de um Grupo de Estudos Transdisciplinar de Educação, Política e Movimentos Sociais, um grupo que agregue e permita a troca de saberes e experiências entre jovens pesquisadores-militantes. Foi uma tarde agradável, com direito a pausa para ver a vitória do Náutico (ontem, confesso, torci pelo time de painho-e-mainha!). Recebi o projeto de pesquisa de Pedro com as reflexões necessárias sobre interfaces entre a Educação Ambiental e a Educação Popular, conheci um pouco mais a trajetória do Teatro do Oprimido com Thiago Paraíba, discutimos bastante marxismo, movimentos sociais, Educação Popular. Refletimos. Decidimos próximos passos...
No retorno pra casa, perguntava a Michel sobre algo que me incomoda: a sensação de que os intelectuais engajados, os militantes, setores da Classe Média, enfim, nós, nos preocupávamos mais com as questões dos oprimidos do que os oprimidos em si. Claro, havia a questão da alienação, o pouco acesso a informação, a própria opressão reproduz ignorâncias... A conversa foi interrompida por uma confusão na rua, em plena Conde da Boa Vista: um homem agredia um casal homossexual.
Logo que percebemos de que se tratava, eu e Michel nos aproximamos, fomos dar assistência ao casal, enquanto um outro cidadão fora chamar a polícia.
Foi uma demora, um sofrimento, até o 190 nos atender e chegar ao local. 
Conduzimos vítimas, agressor e testemunhas à delegacia da Rio Branco (Bairro do Recife); lá, o delegado mostrou-se compreensivo, atensioso, e, sobretudo, indignado com atos de violência contra a mulher. Tratava-se de homofobia, claro, mas o delegado compreendia a covardia de um homem corpulento agredir duas jovens.
Tudo, desde o fim da noite me parecia surreal: o preconceito, a omissão de muitos, o inicial espanto da polícia com nossa intenção de registro do TCO... 
Temos os contatos do casal, de outra testemunha. Entramos em contato com os movimentos de Direitos Humanos. Ao que parece, elas intencionam levar adiante as denúncias. Concordo! Garantir os direitos passa por sua exigibilidade. Homofobia é inaceitável, sobretudo quando expresso em violências (simbólicas ou física).
Mas esta manhã, o que me dói mesmo é a recordação da emoção de Tati: "Obrigada a vocês, vocês são hetero, não tem nada a ver com isso... e foram sensíveis! 100%...". Não, Tati... A gente tem tudo a ver! Eu quero um mundo sem preconceito. Michel também. Thaís também. Faremos um Mundo Melhor, acreditando no sonho, nas lutas e na possibilidade de seres humanos de todos os quadrantes da Terra, diferentes, viverem juntos.
O nome da utopia na qual a gente aposta quando decide ir em frente e denunciar a agressão é Justiça. E o livro sagrado nos faz ver a Justiça como um nome da Paz. É isto.

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