domingo, 31 de outubro de 2010

Neste domingo, mais uma vez, eu voto 13.

Pela História – a do Brasil e a minha também!


Durante muito tempo, na História deste país, valia a máxima: “O Brasil vai bem, o Povo é que vai mal”. Na boca de quem pronunciava, não tinha peso ético, moral, afirmar tal absurdo: “e daí?!? Quem construíra o Brasil fora o trabalho deles, industriais, grandes empresários, latifundiários” e alguns políticos, evidentemente, seus aceclas e apaniguados.

Ir bem, também não ia... Mas este tornara-se, sob o julgo de suas elites, um país de conciliação, de submissão. Disse um deles (travestido de intelectual), nos desenvolvemos em um modelo de Capitalismo Dependente. Este tal, de boa tese, se tornou presidente. Presidente e mau cientista: sua tese era só uma tese. Faltou-lhe ética ou coerência.

No entanto, se sabe que, na História, nada está dado. A História é movimento!

A opressão, a marginalização, a invisibilização, a fome e o abandono de milhares de brasileiros, um dia, consolidou-se em argumento suficiente para a mudança. E a luta, pela sonhada mudança, nos embates do dia-a-dia, avançando com paciência histórica, fermentava a esperança.

Um país que em sua jovem História Republicana tinha pouca experiência de votar para presidente assistiu filhos e pais votando juntos pela primeira vez para presidente... Uma mídia mal-acostumada com as benesses dos donos do poder teve medo de um operário que surgia daquela vontade de mudança, daquelas lutas, daquela esperança, e com as mais vis estratégias, uma velha elite, adiava o sonho do povo.

Insistimos. Porque a teimosia compartilhada é a mola da História, o sabemos bem.

E, cada dia mais, a elite mostrava-se nada nacionalista com seu gosto por dólares, seu macaquear das elites do Norte-centro do Mundo, seus preconceitos...

Aprendendo História, eu me angustiava. Perguntava-me quando eu veria um Brasil que fosse mais Brasil, altivo, justo, solidário. Recusei-me, desde cedo, pensar apenas em mim. Fiz-me militante de minha esperança, de meu sonho. E lancei-me na luta.

Fazer-se sujeito da História (e não sua vítima ou platéia) é decisão exigente. As convicções exigem uma vida inteira, um coração inteiro, uma mente obstinada.

Fiz das minhas inquietações científicas e da minha escolha profissional peças integrantes deste todo, minha vida militante. Fui estudar Economia, para conhecer o tal Capitalismo Dependente com o qual o intelectual presidente não rompeu, e História, para compreender “para quê” e “com quem” eu estava buscando construir outra sociedade, outro Brasil.

A conversa é longa... E uma carta como esta não possui a fluência de conversas de boteco!

Fato é que, um dia, numa 5ª Série (hoje, 6º ano), um aluno brilhante interrompeu-me a aula de “República do Café-com-Leite” entusiasmado: “professora, Getúlio Vargas foi o maior presidente que o Brasil já teve, não é?”, impactada pela surpresa, fiz careta e uma piada, saiu junto um esculacho... Ao Getúlio, não ao Rafael. Depois, para melhor problematizar a questão com a turma, perguntei ao Rafael se ele havia escutado aquela afirmação de um adulto ou chegara à conclusão sozinho lendo os capítulos seguintes do livro didático – ele, ouvira do avô. Adiantamos um pouco do conteúdo, problematizando a fama do Getúlio, e encerrei afirmando: “o maior presidente da História do Brasil, iremos eleger daqui a dois anos” e voltei à explanação da política paulista-mineira. Ao final da aula, Rafael na porta, sorrindo, “eu entendi, professora, que a senhora tá dizendo que Lula é que vai ser o maior...! Porque além de ter fama, ele vai fazer coisas importantes e sem esses erros aí, de Getúlio, né?”... Não precisei responder, ele já sabia de minha convicção.

Quatro anos depois, portanto, no 2º ano do primeiro governo Lula, eu iniciava uma aula de História do Brasil em uma turma de pré-vestibular gratuito, destinado a alunos egressos de escolas públicas, com a afirmação: “a partir daqui, passamos a falar de acontecimentos e processos históricos dos quais participei ativamente. O mais importante dos fatos, desta História recente, a eleição do metalúrgico, sindicalista, Luís Inácio Lula da Silva”, a voz engasgou, os olhos marejaram... e lembrei do Rafael. Contei o causo de sala-de-aula e, juntos, eu e aqueles alunos olhávamos para os dois anos de um governo que marcava o Brasil.


Ao longo destes quase oito anos de Governo do Operário, briguei com ele inúmeras vezes. Briguei com o PT. Briguei comigo mesma, com o Povo, a História. Inquietava-me! Queria mais, numas horas. Não queria que fossem reais outros fatos! Chorei muitas vezes... Mas não perdi o olhar atento à História a ponto de negar que a jovem estagiária e, depois, professora, não foi desonestada nem tratou de inverdades com seus alunos: estamos, sim, diante do homem mais importante da História recente do Brasil, um dos mais influentes do Mundo. E mais: este homem realizou neste país um avanço e progresso social sem parâmetros de comparação com governos anteriores. Sem esperar o bolo crescer, pra dividir depois... Dividimos. E o bolo cresceu justamente por causa da divisão.

Nunca as políticas sociais, a Educação e a Ciência foram tão priorizadas. Vide o apoio imenso (e único na História!) de reitores, dirigentes de institutos de tecnologia e intelectuais a este projeto.

Militante – e percebo, agora, que ser “ex-petista” é um conceito difícil quando fora do PT é justamente a ele que nos dirigimos em todas as ações e decisões -, educadora e historiadora, tenho cá minhas críticas. Como quem viveu “de dentro” o PT que, então, conquistou importantes vitórias eleitorais, tenho também minhas mágoas.

Mas, como negar?

Nestes últimos anos, o Brasil reconquistou a priorização de um projeto de desenvolvimento, nacional e atento às desigualdades regionais. A Universidade Pública foi valorizada como motor do desenvolvimento do país, as camadas mais pobres da população foram pensadas pelas políticas públicas, o Nordeste cresceu.

Voto neste 31 de outubro não no “menos pior”, voto no melhor projeto de Nação. Voto neste 31 de outubro não em algum ranço pela Direita, mas na minha vida militante. Voto, nestas eleições, sem tentar convencer os trabalhadores de base, o povo das comunidades... eles já haviam decidido antes de mim: e, isto, é um motivo a mais para confirmar o 13!

O povo reconhece o trabalho e a luta de quem não os renegou nem invisibilizou na História. E eu, entre lágrima e riso, com dor e esperança, participei disto. Meu compromisso e meu voto são com causas e lutas às quais eu tenho dedicado minha juventude e meu trabalho.

Eu só poderia estar do lado do Povo... a minha História me trouxe até aqui. E é bom estar do lado do povo quando ele está no centro da História de um país!

Avançaremos depois, nas ruas, viabilizando e exigindo governos cada mais comprometidos com o Brasil e seu povo. O poder popular é possível, desejável, urgente... E está ainda em nosso horizonte.

Viva o Brasil!

E viva o povo brasileiro!

Luciana Cavalcanti



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