quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Espuma - Luciana Cavalcanti


Olhava aquela espuma a dissolver-se
na areia e já nem lembro
se era a areia que olhava, simplesmente,
e, depois, veio a espuma, breve,
que se embrenhou entre os grãos...
O olhar sem nexo, sem intenção,
perdido, ali, diante do mar,
a ver só chão.

Olhava teus olhos e, neles, um brilho
tão breve, tão leve,
como gotas de espuma.
Não sei se fosse areia o tempo,
aquele brilho estaria retido
em sua casa, no chão das horas...
Não sei se olhava mesmo teus olhos
ou se, perdido, o meu olhar apenas
buscava algo em que se deter.


13 de Outubro de 2010.

Um comentário:

AC Rangel disse...

Toda espuma dissolve-se.
Olhares perdidos, não.
Eles insistem em encontrar outros olhos.
Antes que se dissolvam...