domingo, 5 de setembro de 2010

Teimosamente a Vida! Força, Seu Zé!!!

Em 21 de Março deste ano, seu Zé Amâncio foi me visitar. Anunciada a visita, me veio a ansiedade... Uma vontade imensa de que chegasse logo, de vê-lo, bonito, elegante, como gosta de estar. Imaginei as conversas, o carinho, seus olhos que ou se fizeram calmos ou aprendi ler assim, sua serenidade forte. O homem bonito, trabalhador, que me fez admirar as boas artes da política... O homem que me faz olhar como é belo o trabalho. O homem que me faz apostar na dignidade, na generosidade, na amizade, como patrimônios... Meu avô. 
Espero amanhecer para devolver-lhe a visita. Aqui, estão chorando... Eu não. Acredito na força da Vida. E de Vida, aprendo muito com Seu Zé Pretinho. Minha esperança é que ele seja o velhinho mais bonito e mais sereno que abençoará meu filho.


 
Quando eu concluí o Mestrado, em momento singularmente difícil da minha vida, em meio às dúvidas e dores de uma enfermidade de mamãe e a uma depressão que me abateu, tinha algumas consciências: de que o aprendizado construído é sempre maior do que o que pode ser contido em um texto acadêmico, de que um orientador não é somente um cientista mais experiente que você a te dar dicas, é uma pessoa caminhando ao lado de outra, na construção do conhecimnto, e isto eu  devo à humanidade do professor José Batista, de que a aventura (epistemológica) da pesquisa em Educação é, sobretudo, um mergulho nos significados que  podem ter a Vida, a Humanidade e nossa (con)vivência em comum-unidade... Por isso, a dedicatória daquele esforço de trabalho (que continua...!) era a meus alunos e alunas, testemunhos vivos desta vinculação entre a Educação e a Vida (em seus sentidos), e a Seu Zé Pretinho, meu avô, um homem que me faz, enquanto educadora, apostar na riqueza do saber experiencial. O que a Vida nos diz e pede é a fonte maior das trans-formações necessárias para a humanização do Ser Humano e de seu Mundo...

'À “Seu Zé Pretinho”, José Amâncio (meu avô), porque pela Vida e pelo trabalho, ele me ensinou três grandes lições: que a generosidade e o desprendimento são caminhos seguros de se construir riquezas imperecíveis, que os acontecimentos mais simples são oportunidades de se fazer novas amizades e que o trabalho, honesto e insistente, pode não ser um fardo, mas ser permeado (também) de generosidades, desprendimentos e possibilidades abertas e certas de se consolidar afetos.'

Hoje, este "velho bonito" veio me visitar...
Sempre disse que aprendi a diferença entre política e politicagem com ele, através de seu exemplo. Agora, posso dizer também que, com ele, sigo aprendendo que a Educação na qual aposto tem mais a ver com sabedoria do  que com erudição.

- Obrigada, seu Zé!
 
Recife, 21 de Março de 2010.

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