quinta-feira, 9 de setembro de 2010

E esquecer tudo...

 
O verbo no infinito


Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer de tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...

 
Vinícius de Moraes
 
 
IMAGEM: Fotografia de Marcelo Zenaide.

2 comentários:

jefhcardoso disse...

Somente Vinícius, para descrever a vida e toda a sua intensidade de sentimentos!
*Entre o sonho e a realidade eu prefiro a realidade que me permita sonhar. http://jefhcardoso.blogspot.com

Poeta Carlos Maia disse...

Bela escolha, Luciana!
Vinicius pra sempre Vinicius!