quinta-feira, 20 de maio de 2010

Prece ao destino - Vítor Souza

 
 
Ajuda-me, excelência do tempo,
da poeira,
do asfalto,
do futuro e passado.
Perdoa-me, reverendo esperado,
pai dos que nada sabem,
guia dos que não querem saber.
Tem piedade, Senhor do acaso,
pois sem ti serei nada,
uma vida
de apenas pegadas,
angústia
e desejo
em solidão.
Sem ti,
sou o medo que desconhece,
o silêncio do espanto,
a danação do pecador.
Sem ti,
apenas o que foi;
mas nada foi,
somente é,
talvez será,
e a vida só me cabe
em igual medida
que a ti o acaso.
Sem ti
mãos atadas,
pois, se nem de mim nada sei,
sem ti
dize-me
o que seria
dos caminhos alheios
que as linhas de minha mão
hão de cruzar.

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