segunda-feira, 24 de maio de 2010

Poema da Aurora - Luciana Cavalcanti



Até que chegue a aurora,
este medo infantil do escuro,
este sussurro na noite,
o coração acelerado...

Este perguntar-se:
"por que eu?"
até que chegue a aurora...
Este sentimento da ausência
do sentido,
esta luz que é sempre pouca
ante a brasa que carrego no peito.

Este hesitar
entre o interruptor
e a permanência na cama
sob as cobertas...
tentar (inutilmente) dormir.

Este perguntar-se pelo dia de amanhã...
ainda que amanhã já tenha chegado
não obstante o escuro.
A dúvida, com riso de desdém nos lábios,
perguntando se algo mudou
desde que assumi os riscos...
Mas, tudo, só até quando chegar a aurora!

A manhã é inegável, irreversível...
e sempre amanhece!

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