domingo, 30 de maio de 2010

Nó - Luciana Cavalcanti

 
 
Este corpo
(dizem...)
carrega uma alma.
Infinita,
a tal alma se sabe
e se busca
em minhas buscas...


Este corpo,
com preguiça,
se ergue todas as manhãs,
sem que se eleve
a alma que há,
e se busca
fora de mim...


Este corpo
ensinou-me, de mim,
quase tudo:
pela fome,
pela sede,
pelo frio,
calor
e desejos.


Estandarte de mim,
o corpo que sinto,
carrego
e vejo, é onde,
às vezes, me sei.
E intuo
(através do espelho)
as silhuetas da alma-mistério.


No entanto,
misturados só,
confluídos só,
entrelaçados só,
dados em nós,
corpo e alma
se podem ver...
E entendem a mim.
Entendo-os, enfim: Desejo.


[Recife, Rua do Hospício, fim de tarde de 24 de Abril de 2007. "Nó", por Luciana Cavalcanti]
Imagem de Salvador Dali.

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