segunda-feira, 5 de abril de 2010

"A Verdade vos libertará...!"


O esplendor da Verdade! Quando o contemplaremos, nós, habituados às pequenas mentiras cotidianas em nome da sobrevivência, da boa vizinhança (e convivência), da conveniência?
Tagore nos alertava: se quisermos livrar-nos de todos os erros, acabaremos por deixar de fora também a Verdade...
Incluir a verdade em nossa existência é gesto exigente, comprometedor, e não é mera aquisição de um novo atributo ou de um bem. A verdade não se adquire de uma só vez, como numa compra ou num passe de mágica...!
A Verdade passa a fazer parte de nossas vidas através da permanente e teimosa busca. E é na busca que ela se revela e faz presente...
Pensar ou anunciar tê-la já adquirido é afastar-se cegamente dela. A verdade lida com a contradição, a multiplicidade, e, sobretudo, com a coragem de lutar contra as estruturas, desafiando e denunciando discursos e práticas que perpetuam e legitimam a opressão.
É o que Jesus disse ao anunciar: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!". É também isso o que sentimos quando postos à prova, necessitando escolher entre mentiras e verdades. O medo inclina-nos a mentir ou nos omitir diante do que está posto. As verdades (porque a verdade é plural, mas cada pequena verdade compõe esta grandeza: Verdade!) são, ao contrário, desinstaladoras e inquietas! E convidam-nos a um novo agir. Agir que é anúncio, mas é também denúncia. Agir que é confronto direto com as estruturas que perpetuam as injustiças e a opressão.
Buscar a verdade é, pois, assumir a luta. Buscar a verdade é, pois, sair do comodismo, do agradável... E se colocar a caminho, rumo a algo que ainda não conhecemos: a transparência e a clareza da Vida e de sua radical defesa, digna e resplandecente como Deus a criou.
Deus, sendo Amor, criou-nos à sua Imagem e semelhança. E o Amor só conhece a Verdade...

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