terça-feira, 23 de março de 2010

Ela, Nene...




Há gente discreta. Humilde como as sombras que "acompanham-nos discretamente", como diria Dom Hélder. No meio desta gente, discreta, humilde, silenciosa, não raramente encontramos valiosos amigos.
Nene não aconteceu ou chegou à minha vida por acaso - mesmo porque poucos acasos existem...! Entrou em minha vida por ser mãe. Não minha mãe e não simplesmente mãe, como tantas outras mulheres o são... Mas a amorosa, dedicada e lutadora mãe de um amigo e companheiro "de copo e de cruz". Conheci a um e a outro com um intervalo curtíssimo de tempo. Ela acolhia-me em sua casa com discrição e carinho: deixava-me entrar e participar de vida de seu filho, sem "senões", sem sermões... E transferia, ou melhor, extendia até mim os mimos com que cuida de seu filho mais velho, e dos outros também evidentemente.
Nene não perguntou quem eu era... Nem fez questão de dizer quem era, de cara, como demarcação de espaço ou contrato de convivência. E, como abriu sua casa e respeitou a vida de seu filho, abriu seus braços e sua vida, respeitando os afetos que se tecem dia a dia. Logo aprendi a amá-la, a respeitá-la, e a tirar da boca e do trato o zelozo e formal "Dona Marilene"... Passei a dizer simplesmente Nene e, ao dizê-lo, trazia para um canto especial de meu peito esta mulher e sua história, sua vida. E seu espaço, no afeto e na Vida, por mim e comigo vivido e com-partilhado é dela, só dela, conquista dela...! Não é amada e respeitada por mim por ser mais uma mulher admirável entre as maravilhosas mães de meus amigos mais íntimos... Não é quem é em minha vida por ser guerreira e bela como as tantas guerreiras e belas mães da Comunidade do Pilar... Nene cresceu em espaço e afeto na minha vida, tornou-se grande - imeeeeensa! - em sua discrição, simplicidade e cuidado.
E como sabe cuidar Dona Marilene!
Nene tem sido uma presença carinhosa e permanente em minha casa que se faz "hospital". E cuida-me. E acarinha-me. E me faz saber que ela me acolheu também como gente, como história própria, única. Transcendendo os laços, de ontem e de hoje, entre mim e seu filho, existimos uma para a outra. Isto não faz menor nem maior a outra amizade, a outra história... Simplesmente optamos por não sermos pessoas em comum no cotidiano de outra pessoa... Unimos histórias. Tecemos juntas outros fios. O amor ganhou! Ganhou porque se expandiu... Ganhou porque soube ser "amor em si" e não "amor por tabela".
Nene e seu companheiro Daniel, vez por outra, enchem de riso as tardes de quem, paciente e inquietamente, recupera saúde e forças para, com as pernas no mundo, voltar à casa de Nene e tomar seu delicioso café...

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