sábado, 13 de março de 2010

Anti-depressivos, auto-ajuda, Manoel Carlos, alienação e etc.


O que mais tenho feito estes dias é refletir - mesmo porque não é muito vasta a gama de opções! Tais reflexões são, em sua maioria, sérias, mesmo que refiram-se a coisas banais. Aliás, acho que foi Oscar Wilde quem falou algo sobre a essencialidade das coisas aparentemente banais - e gosto de encarar isto não pra justificar que preeeeeeeeeeeciso de Nutella, mas pra pensar que poder ir à padaria no fim da tarde, subir uma escada ou preparar o próprio almoço são grandes coisas, não importa quanta grana você tenha no fim de semana...
E, então, me vem um (ou vários sujeitos) que comprou um Nietzsche antes dos vinte anos de idade numa banca de revistas e, depois da faculdade, começou a criticar as edições das obras do citado filósofo por causa da tradução ainda que não consiga discernir sequer a expressão "vá tomar no cú!" em Alemão, afirmando com aquele risinho de pretesão filosófica (que se não foram os cínicos que inventaram, levaram a culpa!) que estou reagindo emocionalmente assim ou assado  porque preciso destas fugas pra não pirar... é como se eu entorpecesse minha mente... sério: Freud, Lacan, Guatarri e o Dr. Deleuze... Que?!?
Aaaaaah... ok! Entendi! A fé funciona como uma espécie de morfina, né?!? E aí eu fico sem dor, mas assim um tanto idiota, sem sacar o que está acontecendo... E este meu bom humor, na verdade, é uma máscara... e...
O que foi que você consumiu no último período????
Eu estou a um mês sóbria. Também...é o jeito! (rsrsrsrs) Embora tomando doses programadíssimas de paracetamol com fosfato de codeína (Atenção! A codeína pode provocar dependência do tipo morfínico) e dormindo com o bom e velho "Riva" (o rivotril) pelo simples fato de que alguém que passa o dia inteiro deitado tem tendências a desequilibrar o sono noturno. Olha que massa!!! E foi o médico que passou! Uuuuuuuhhhhhuuuuu...! E a anestesia de bloqueio de plexo combinada a um indutor de sono (aquelas injeçõesinhas de dormir...), então?!? Aaaaaaaaaaaah... virei um cacto!!!
Quem não gosta de auto-ajuda (sub-leitura para sub-mentes sobre sub-temas...) e lê este monte de psicanalistas in, deve lembrar que o nome de "tomar uma cachaça" em estados depressivos é "auto-tratamento"... Uhnnn... parecido! Sei não... Pensar sobre a Vida é ser idiota? E não pensar é ser o quê?!? E distorcer o carpie dien em um hedonismo febril e de possessividade infantil é o quê?
Fico pasmada com aqueles relatos no fim de "Viver a Vida", novela global que inspira a piada pronta mais em moda sobre meu estado de saúde. La vie en rose demais pra quem se ferrou na vida e deu a volta por cima... Mas canja de galinha e pensamento positivo não fazem mal a ninguém. Estou começando a achar que a diferença entre um emo e um estudante-padrão do CFCH é o referencial bibliográfico e o acervo musical e não a quantidade/qualidade de drogas utilizadas e o temperamento...
Não assisto novelas.
Neste mês de internação sequer fiz questão de tv em meu quarto...
Sei que a "Luciana" de Viver a Vida saiu da deprê muito rápido, o que a torna pra lá de fake! Eu, sabendo que já-já tou andando (e, aliás, dei passinhos ontem!), tem dias que é barra ficar numa boa sem poder sair pra desanuviar...
Mas, sinceramente, entre os modelos de vida disponíveis, estou gostando de novo deste de ter fé e esperança. Inclusive, não faz necessariamente mal à Filosofia!
É demasiado espantoso que um amigo, ao meu lado, se queixe da minha atual condição - como se fosse o fim dos mundos - quando eu mesma sei rir e não estou terrivelmente abatida com a situação... Acho que uma depressão seria mais coerente... peraí... eu vou chorar... Qual é, galera?!? Que parte de "a gente pinta a vida com a cor que a gente quer" vocês não estão entendendo? Eu desenho mal, mas posso tentar...
A vida não é rosa. Minha rotina é cansativa, dura e cheia de dores... Mas eu não sou infeliz, não estou infeliz... e intuo que isto tem a ver com fé e amor. De repente até me empolgo em escrever um tratado acadêmico sobre isso... Se vai ficar piegas, o freguês é que tem direito a opinar... Mas não vou contribuir em uma gota com amargura na vida de ninguém.
Entre as coisas de que a humanidade anda precisando, acho que construir o prazer além da química e das genitálias é um bom começo...

Um comentário:

Ana Karla disse...

Irminha

Acho que vou perguntar ao teu anjo da guarda o local e a intensidade da força da pancada que você levou naquele dia... Nunca é mal prevenir...Vai que você tem uma recaída e volta a pensar como antes do acidente,kkkkk
Gostei muito dessa postagem...
Vou rezar p/ que os seus amigos tb possam um dia fazer as descobertas que vc tem feito... E vou pedir a Deus que eles não precisem de uma pancada semelhante à sua pra isso,kkkkkkk