sábado, 25 de dezembro de 2010

Vem, Senhor...!


Não sorrias,
dizendo
que já estás conosco.
Há milhões que não Te conhecem.
E de que basta conhecer-Te,
de que adianta Tua vinda,
se para os Teus
a vida continua igual!?...
Converte-nos!
Revolve-nos!
Que a Tua mensagem
se torne carne de nossa carne,
sangue de nosso sangue,
razão de ser de nossa vida.
Que ela nos arranque
do comodismo
da boa consciência!
Seja exigente,
incômoda,
pois só assim
nos trará a paz profunda,
a paz diferente,
a Tua paz!...




(Dom Helder Câmara, in. O Deserto é fértil, Ed. Civilização Brasileira, p. 26)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

É madrugada, Paulo Leminski!!!



I. PARA LER:

Quarenta clics em Curitiba. Poesia e fotografia, com o fotógrafo Jack Pires.

Curitiba, Etecetera, 1976. (2ª edição Secretaria de Estado Cultura, Curitiba, 1990.) n.p.

Polonaises. Curitiba, Ed. do Autor, 1980. n.p.

Não fosse isso e era menos/ não fosse tanto e era quase. Curitiba, Zap, 1980. n.p.

Tripas. Curitiba, Ed. do Autor, 1980.

Caprichos e relaxos. São Paulo, Brasiliense, 1983. 154p.

e Ruiz, Alice. Hai Tropikais. Ouro Preto, Fundo Cultural de Ouro Preto, 1985. n.p.

Um milhão de coisas. São Paulo, Brasiliense, 1985. 6p.

Caprichos e relaxos. São Paulo, Círculo do Livro, 1987. 154p.

Distraídos Venceremos. São Paulo, Brasiliense, 1987. 133p. (5ª edição 1995)

La vie en close. São Paulo, Brasiliense, 1991.

Winterverno (com desenhos de João Virmond). Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1994. (2ª edição publicada pela Iluminuras, 2001. 80p.)

Szórakozott Gyozelmunk (Nossa Senhora Distraída) - Distraídos venceremos, tradução de Zoltán Egressy, Coletânea organizada por Pál Ferenc. Hungria, ed. Kráter, 1994. n.p.

O ex-estranho. Iluminuras, São Paulo, 1996.

Melhores poemas de Paulo Leminski. (seleção Fréd Góes) Global, São Paulo, 1996.

Aviso aos náufragos. Coletânea organizada e traduzida por Rodolfo Mata. Coyoacán - México, Eldorado Ediciones, 1997. n.p.

II. PARA OUVIR:

(baixar o áudio do cd)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Música - Todo o Sentimento

Velho Porto - poema de A. C. Rangel


Passam pela memória, de repente,
todas aquelas tardes de sol,
vividas à beira daquele oceano,
quando os oceanos ainda eram mistérios.
E a sombra, o cheiro daquele velho porto,
o calor daquele vento,
surgem, reais, como se pudessem
ser tocados.


Não há sentimento de culpa
por tanta vida desperdiçada.
E aquelas ondas, verdes como teus olhos,
ainda inundam os meus olhos cansados.
E o tempo, que volta assim,
poderia nunca ter passado!

#rangel
#blogs

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Essa é dose, nêgo!!!

BRAVO!!!


Histórico



Surgindo pela vontade de FAZER MÚSICA, a idéia da criação do VIRTUOSI foi alimentada pelo sentimento de que somente através de um evento desta natureza era possível fazer música da mais alta qualidade. Com isso, trazer grandes personalidades e artistas famosos, tanto nacionais como internacionais, contribuindo para o desenvolvimento e enriquecimento cultural do País. O contato com artistas de renome renova a vontade do fazer música e estimula novos trabalhos, novos projetos e novas idéia. O VIRTUOSI, que começou em 1998 com apenas duas noites de concerto, foi crescendo ao longo dos anos até conquistar um nome nacional. O I Festival Internacional de Música de Câmara de Pernambuco foi realizado sob a direção artística do Maestro Rafael Garcia, incansável batalhador da cultura musical neste país, tornando-se um marco na história da cultura do Estado, representando o coroamento de longos anos de trabalho e dedicação daqueles que fazem da música erudita o sentido de viver.



O festival surgiu para o enriquecimento espiritual do nosso povo, sempre participante e sensível à realização de programas culturais desta natureza. Reunindo artistas nordestinos radicados no exterior, artistas estrangeiros e artistas nacionais de fama internacional, o Festival teve por objetivo apresentar o que há de melhor na música de câmara.



Resumindo as apresentações que o VIRTUOSI já realizou no Recife até esta data, temos um saldo de 411 obras com mais de 100 tendo sido apresentadas em primeira audição local, regional, nacional e até mesmo na América do Sul, representando cerca de 30% do total das obras executadas. Este é um fato de extrema relevância considerando o curto espaço de tempo de cada evento que, somado, até hoje durou exatamente 49 dias.



O VIRTUOSI também se preocupa todos os anos com a capacitação e formação dos jovens instrumentistas da região. Com isso, Master Classes e workshops são realizados. Nos últimos anos foram realizadas 37 Master Classes assim como concertos abertos para os alunos dos órgãos de ensino da rede pública. O VIRTUOSI ainda promove apresentações da Orquestra Jovem de Pernambuco durante o festival com o intuito de divulgar o trabalho realizado pelo grupo que é formado por jovens instrumentistas pernambucanos, todos oriundos de classes sociais economicamente menos favorecidas.



Outra preocupação do festival é a formação de platéia e isso é feito através de explicação didática sobre cada concerto antes da realização do espetáculo. Os artistas que participam do VIRTUOSI são estimulados a trazer seus CDs e vendê-los durante o evento. É sempre muito bem sucedida a venda de discos, uma vez que o público os adquire geralmente após assistir suas apresentações. Como são artistas não ligados a grandes gravadoras internacionais, dificilmente esses CDs chegam nas lojas brasileiras.



Considerado já pela mídia como um dos eventos de música erudita mais importante do país, ponto de referência em qualidade e excelência musical, incluído no Catálogo Musical América, o VIRTUOSI cresceu e hoje realiza três eventos importantes no estado de Pernambuco: o Virtuosi Brasil, o Virtuosi na Serra e o Virtuosi Internacional. A criação dos dois novos festivais, um de música brasileira e o outro descentralizando a cultura levando a música clássica para o interior, foi uma conseqüência da trajetória de sucesso e principalmente da credibilidade daqueles que dirigem e organizam o festival.



NOS JORNAIS



“Após a curta fala do Maestro, o teatro veio abaixo, talvez imbuído do espírito da música que vinha sendo apresentada ao longo da semana durante a programação da nona edição do festival Virtuosi.”

O ESTADO DE SÃO PAULO, 20 de dezembro de 2006-Caderno 2 – João Sampaio



“O Recife, durante uma semana, tornou-se a capital brasileira da música erudita, ao sediar, no Teatro de Santa Isabel, o VIII Virtuosi. A iniciativa vem sendo comandada pelo regente chileno Rafael Garcia com a ajuda direta da pianista pernambucana Ana Lúcia Altino.”

Jornal do Commercio, Recife 20 de dezembro de 2005 – Opinião



“O pianista e regente João Carlos Martins escreve para dizer como foi sua participação no VII VIRTUOSI, no Santa Isabel: ” Quando iniciei o primeiro ensaio PENSEI que estava na Áustria, Alemanha ou EUA, pois NÃO CONHEÇO outro lugar no Brasil que reuna músicos tão qualificados de vários países”.

Jornal do Commercio, Recife 02 de janeiro de 2005



“MAIOR FESTIVAL DE MÚSICA DE CÃMARA DO NORDESTE

Virtuosi chega à sexta edição trazendo músicos do mundo todo”.

Folha de Pernambuco, Recife 25 de novembro de 2003



“O Festival Internacional de Música de Câmara de Pernambuco…não tem mais condição de RETROCEDER…SEU DESTINO SERÁ CONTINUAR a oferecer ao recifense o melhor da música erudita no Estado…O Virtuosi provou, que é pura balela esta história de que, aqui, não haveria público para música erudita…existe sim UM PÚBLICO FAMINTO por apresentações de nível internacional e que o Recife não abriga apenas o mangue beat e o Abril pro Rock. OS EMPRESÁRIOS que quiserem lucrar com os eventos, daqui para a frente, PODEM INVESTIR, sem susto NESTE FILÃO, que haverá retorno”.

Jornal do Commercio, Recife 11 de dezembro de 2000

#virtuosi

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

PAUSA!!!

Caríssim@s: Neste momento, a TIM me impossibilita estar por aqui... Devo dizer que preciso de meu MP4 pra sobreviver à erudição adolescente das Lan Houses...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Preces ao Futuro

Para o meu avô.

Nunca nos cansemos de dizer
das coisas mais belas e boas:
fruta colhida no quintal,
entardecer olhando o céu,
prosear de compadres na calçada,
novena e procissão
no interior. Gente simples
falando com Deus!

Nunca nos cansemos de dizer
dos amores mais fundos e certos:
cabelos brancos,
riso franco, voz cansada
carregando tanta ternura
que parece até que o tempo
multiplica a força do amor em mil,
cada dia...

Nunca nos cansemos de ser
como sonhamos ser quando crianças,
sábios e grandes
porque sabedores das coisas,
conhecedores do Mundo,
amigo das gentes, desde as influentes
às mais simples. E, todas, importantes!

Nunca nos cansemos de ter,
como mirante para olhar o Mundo,
uma despretensiosa cadeira na calçada
e a disposição de conversar e aprender.

Nunca nos cansemos de trabalho e riso,
de abençoar crianças,
de rir-se das brincadeiras desta meninada.

Nunca nos cansemos de sermos a força
do Amor com que asfaltamos nossa estrada...!


Luciana Cavalcanti, Recife - Em 23 de Novembro de 2010.
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E porque por ti, hoje e sempre, muito importa tudo o que serei, fique dito, mais uma vez:

'À “Seu Zé Pretinho”, José Amâncio (meu avô), porque pela Vida e pelo trabalho, ele me ensinou três grandes lições: que a generosidade e o desprendimento são caminhos seguros de se construir riquezas imperecíveis, que os acontecimentos mais simples são oportunidades de se fazer novas amizades e que o trabalho, honesto e insistente, pode não ser um fardo, mas ser permeado (também) de generosidades, desprendimentos e possibilidades abertas e certas de se consolidar afetos.'


#zepretinhoday

Pra esquentar a chegada da 9ª Década do Cara!!!



- A Banda do Zé Pretinho é nóissss!!!

#zepretinhoday

Coisas que aprendi com meu avô

Lembro as coisas que aprendi com meu avô. Como as mais belas e justas coisas aprendidas porque vividas, essas lições não se apagam... Como sinais na pele, são marcas que mudam, de tamanho ou um pouco de lugar, mas permanecem, sinalizando nos corpos a diferença que somos.

O que aprendi de meu avô, eu não perco.

Aprendi que há políticos honestos, por exemplo. Então, tarefa de cidadania é buscar estes lutadores entre os tantos demagogos e aproveitadores da boa fé do povo.

Aprendi que trabalho é um jeito de marcarmos com nossa existência e singularidade o Mundo, portanto, existimos enquanto trabalhamos! Trabalhar não é um fardo, é gesto concreto de aposta na Vida, insistência em fazê-la aquilo que sonhamos. Quem só trabalha por dinheiro perde a chance de conquistar maiores riquezas, perde tempo ganhando dinheiro.
Meu avô construiu Vida trabalhando, a sua e as nossas. Há gente que produz miséria e morte... Este trabalho destrói a Criação, nega Deus. Meu avô me ensinou fazer de meu trabalho uma expressão da minha fé.

Mas a lição primeira, mais difícil e mais justa, talvez, seja a de ser família...

O quanto é difícil, em nossas diferenças, com tantos interesses, gostos, maneiras, sermos uma coisa só que se reconheça e cresça sabendo de onde e a que veio!

Temos uma família. Grande é a mesa que nos uniu e tem unido para a refeição e o sonho. E grandes, as estradas por onde tanto viajastes, meu velho, a semear amigos em cada canto como tento fazer eu.

Olho tantos rostos, uns mais e outros menos parecidos com o meu. Olho pra você, meu avô, e busco traços dessa semelhança com um homem tão bonito! 

Me pareço contigo, eu sei!
Gosto da mesa farta, de alimentos e de gentes para a partilha. Gosto de amigos e do que a amizade nos acrescenta em Vida. Gosto de Política e mais da gente à qual a boa Política deve servir. Gosto do trabalho, insistente e cuidadoso.
Gosto da Vida... e queria vê-la multiplicada! Ainda não te dei um bisneto... Não sei se exijo muito do outro ou de mim. Não sei se o Amor mais se esconde de quem o busca desperto e sempre... Mas sei que preparo a casa, arrumo o mundo, pra quando ele chegar. Será parecido comigo e contigo, o menino. Vai fazer muita bagunça, a começar por nossos corações! Agitando a certeza de que a Vida, multiplicada, é milagre do Amor.

89 anos é só o começo! Você é grande, você é muitos! Você é cada um de nós. Está em nós, no nosso Amor. Em cada filho, neto, bisneto e amigo, você vive, Seu Zé. E faz a vida bendita por tanta luz brotada do trabalho firme, honesto e humilde, de tuas mãos.

Feliz Aniversário, Zé Pretinho!

Deus me dê a Graça de ter a sua benção a cada dia de minha Vida, entre os meus amigos, com a família que tenho e terei!
Deus me dê a Graça de saber de teus traços em meu rosto e em minha História, na pessoa que sou e serei!

 Seu Zé, celebrando 87 anos-Luz
 Duas filhas e uma neta
 A família que adotei: minha afilhada e minha comadre
 Velho, meu querido velho
 Minha irmã e outra irmã: a Família Paulina na nossa família
 Abraço mais bonito!!!
 Ana Karla e Dom Erwin: aprendemos a admirar homens dignos e bonitos

 Mais de família escolhida! Amigas pra Vida inteira...
 Trablho e amor combinam: ex-aluna e sempre amiga!
 Já disse que amo a Política?!? rsrsrs
E esta família nova e renovada 'inda vai crescer!!!


#zepretinhoday


Para nascer. Para viver.

Nascer da água.
Nascer do Espírito.
E seguir re-nascendo do Amor!

Da luz do Cristo, buscar a guia
para mover-se no Mundo a mudá-lo.
E fazê-lo terno,
semeando o Eterno
em cada gesto concreto de Amor.

Nascer da água.
Nascer do Espírito.
E fazer com que vença o Amor.

Ante as opressões, ante o medo,
ante o que descolora a Vida
e torna a Terra menos verde
e azul. Erguer-se
e fazer da Justiça a bandeira.

Bandeira definitiva,
a Justiça nos conceda a Paz.
O Amor vivido,
o Amor lutado,
o Amor semeado
e multiplicado mais!

Seja tal batismo,
o nosso batismo,
meu e teu,
hoje e sempre:
nascidas da água,
nascidas do Espírito,
para viver de Amor...


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Luciana Cavalcanti: Batismo é festa de Vida, quando semeamos a certeza do Eterno!
Em Novembro de 2010, pelo Batismo de Ana Luiza, luz pequenina, amor meu, amor de Cecília e Breno, de Marcella e Amilson, Mellina e René... e da Vovó!


Bolo gostosooo!!!

 Tio René tirando fotos de mamãe, papai e AnaLú...

 Padre João, vovó e AnaLú...

Mesmo doentinha, ela estava um charme. Não é verdade?!?!


#AnaLuFofa

Cartinha para minha mãe...


Conta as histórias das crianças, brincando, aprendendo, descobrindo mundos... Conta das travessuras todas, das manhas, dos dengos, das birras.

Fala por horas, morrendo de rir, dos meninos e meninas e nem sente que em cada riso, em cada percepção cheia de ternura, o seu peito maturado de tanta vida pede um neto. Seus braços cansados pedem uma criança, seu afeto guardou-se para o futuro com as reservas multiplicáveis de amor-de-mãe... Quer ser avó!

E eu estremeço diante da beleza infinita de teu desejo...

- Ooooô, mãe, como seria ter um filho?!?

Como seria ser engravidada pelo amor, deixar semente de esperança firmar-se no ventre pra depois explodir? Como seria cantar cantigas? Acordar com sono e ninar neném? Como seria irmanar-me à bondade das fêmeas todas que amamentam? Ser bicho que acolhe um bichinho? Mas com carinho, com razão, com sabedoria... porque aquele bichinho seria gente, teria que aprender a difícil lição de Ser. E ser humano!

Como seria eu crescer (por dentro) pra ver subir as marcas de lápis na parede...? "Olha, o menino já tem quase um metro e vinte!"... Como seria perder a paciência e dizer "não porque não!"?
Tua ansiedade se es
conde, em respeito a mim. Teu amor guardado, desde o parto pra dali a uns vinte e poucos anos, se avexa por dentro. Mas você sussurra pra que teu afeto se ajeite e você não incomode meu sono com barulhos, nem queixas...
Meus amores se demoram em chegar. Minhas dores se demoram em passar. Minhas queixas...
Já engravidei de tanta coisa - até de raiva! Já engravidei de vontades de puxar do Futuro o meu filho na marra... somente pra testemunhar no teu rosto e no dele, meu pai, a transfiguração do amor-milagre: painho e mainha, cada vez mais, vovô e vovó.
Meu amor dorme, preguiçoso... mas, talvez, nem seja boa hora pra acordar!
Meu amor dorme, sonhando com o meu filho que é quase tão bonito quanto a ternura de cabelos brancos que tu e meu velho maturaram pra dar.


Recife, Várzea do Capibaribe, manhã de Agosto... A vontade de Vida sabe esperar a primavera. Espero!


#meuafilhadovictor
#sofiaclara




segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Receita de (e)ternidades... - Luciana Cavalcanti


Trago no pulso um relógio que teve o ponteiro de segundos solto de seu motor... Meu relógio já não conta segundos. Mais: o ponteiro, solto, sob o vidro do visor ilude-me ante a estagnação dos dois outros companheiros, os ponteiros de minutos e de horas, lerdos em dizer-me do tempo passado; ao mesmo tempo, este mesmo ponteiro, solto, tem agora uma mobilidade imprevisível. Parado ou movendo-se sem tempo, o ponteiro de segundos torna flagrante a relação entre o tempo e o caos. O ponteiro não conta segundos ao mover-se e, no entanto, redesenha sob o vidro o movimento de minhas mãos. Torna-se rápido ou se espreguiça sempre que as mãos se alvoroçam ou dormem.
Meu ponteiro de segundos reinventa o tempo.
O tempo do ponteiro de segundos é meu... Seus companheiros, de horas, de minutos, não sabem do meu tempo. O tempo em horas e minutos me escapa. Mas como não há segundos a me tomarem pelo pulso, já não me importo com os segundos. Perco-os. Prendo-os. Solto-os. Esqueço-os!
Sem me dar conta, passei a rabiscar eternidades na tela do tempo, re-feito de meu relógio quebrado.

Cuidar de amor exige mestria...




 - Como se faz com todo o cuidado, a pipa que precisa voar...


"No centro de um planalto vazio
Como se fosse em qualquer lugar
Como se a vida fosse um perigo
Como se houvesse faca no ar
Como se fosse urgente e preciso
Como é preciso desabafar
Qualquer maneira de amar varia
E Léo e Bia souberam amar
Como se não fosse tão longe
Brasília de Belém do Pará
Como castelos nascem dos sonhos
Pra no real, achar seu lugar
Como se faz com todo cuidado
A pipa que precisa voar
Cuidar de amor exige mestria
E Léo e Bia souberam amar"


[ por Oswaldo, "Léo e Bia"]

domingo, 21 de novembro de 2010

Diga: qual a palavra que nunca foi dita?




Esta dose é para os 2 homens bonitos [por humanos e sinceros que são, um e outro...] com quem eu "teclei" - olha o termo!!! - esta noite de domingo, ao MSN, e tematizamos, por acaso ou por vontade, o Amor. Este, ou o relacionamento humano. Enfim...
E o Amor, à vera, sempre valerá...!

Paz e Bem! Axé!

Meninos, boa semana para nós tod@s!!!

É dose, seu moço!!!




Um amor que me foge
ao habitual repertório.
Amor, dia-a-dia,
que se ri e faz crescer
sem ceder
à mesmice,
às exigências
de nossas carências
e contingências...
Este amor, livre,
entende-se sendo
ele mesmo o amor,
amor, sim, em que a gente crê,
como diria o poeta:
o que chegou para dar
o que ninguém deu pra você...


"Amor-livre - I": poema de hora;
hoje, novembro de 2010 - Luciana.

O Coração a 80!!! - Biafra: "Te amo"

sábado, 20 de novembro de 2010

Cada ser tem sonhos à sua maneira...

Pequenas considerações para um repertório amoroso...


***

O amor nunca finda. O que tem fim, em nós, é a disposição de manter alguns laços.

***

O convívio desgasta apenas aquilo que não é amor...

***

Se a afinidade e o respeito não vem antes do desejo, esqueça! Não é amor.

***

Vontade de amar não é já amor. A sinceridade diante de si mesmo e do outro nos mantém distantes da fraude.

***

Talvez, não exista amor à primeira vista. Mas, certamente, depois da décima quinta vista se pode presumir que o amor não virá...

***

Amei algumas vezes na vida, antes de chegar aqui. E isto tem a máxima importância... Amor é aprendizado vivencial.

***

Seria capaz de enamorar-me de uma estrela qualquer ou outro luzeiro. Mas preferi teus olhos...

***

Mais difícil que bem posicionar os braços para uma fotografia: cuidar dos mesmos braços antes que o amor nos permita o esperado abraço.

***

Exímio orador perdeu-se entre palavras tolas e se riu! Estava amando...

***

O amor que, irredutíveis, esperamos, passou faz tempo!

***

Apesar de podermos conjugar o verbo em tempos futuros e pretéritos, amar é sempre presente.

***

Acreditei que nunca se perde tempo amando... De fato, amando não perdemos nada, nem tempo. Mas perdemos muito buscando doar amor a quem não se dispôs a recebê-lo.

***

Realismo amoroso não é a negação do sonho. É bom sonhar amando! Sobretudo, quando se dorme abraçado...


Luciana Cavalcanti


Chão e pele - Luciana Cavalcanti

A carne negra,
meu coração vermelho,
tanta diferença nas horas
e no espelho
não me leva pra longe de ti.

Sei das intermintências da pele,
sei do desejo que sabe,
tantas vezes, as revoluções
mais precisas, necessárias,
à alma.

Sei renunciar a minha calma
e gritar a urgência de um amor
não-indiferente, se próximo
ou distante, o que se sente
é medo e espera de se envolver...

Eu quebraria espelhos,
zombando de pragas de sete mil
tempos de azar.
O testemunham estes olhos vermelhos,
por choro e espera,
sem você chegar...

Sim, esta pele negra,
esta utopia que se agita,
as mãos que carregam bandeiras,
já recusaram tantas cercas,
já denunciaram tantas opressões...

Entre os tantos lados,
o meu e o teu,
talvez, nada impossível,
a História, teimosa,
trazendo-me ao lado teu,
dissolva o que anda segregado,
una de novo, como se faz à massa
para o pão. E o dividido, seja sagrado
gesto de partirlhar, eucarístia!

Amor insubmisso, insistente,
tinge novas cores para os dias,
as peles de nossos filhos
e a carne do sonho...
Tudo é bendito!
Este amor, bonito,
reinventou meu Ser.


Luciana, em 20 de Novembro de 2010.

Apesar das Acontecências do Banzo - Conceição Evaristo


Apesar das acontecências do banzo

há de nos restar a crença
na precisão de viver
e a sapiente leitura
das entre-falhas da linha-vida.


Apesar de ...
uma fé há de nos afiançar
de que, mesmo estando nós
entre rochas, não haverá pedra
a nos entupir o caminho.

Das acontecências do banzo
a pesar sobre nós,
há de nos aprumar a coragem.
Murros em ponta de faca (valem)
afiam os nossos desejos
neutralizando o corte da lâmina.




Das acontecências do banzo
brotará em nós o abraço a vida
e seguiremos nossas rotas
de sal e mel
por entre salmos, Axés e aleluias.




Conceição Evaristo