quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ou quase...

Estigma


Pela devoção e pela fé,
excessos de bebida e de café
e cada amor que promete e não é.

Hai-quase...




ENIGMA


Desde janeiro, diante do espelho
buscando, passo a passo, descobrir
de que lado de mim eu estou...

.palavra por palavra.


Por cima do abismo
estende-se minha alma
tensa como um cabo

onde me equilibro,
eu, malabarista de palavras.


MAIAKÓVSKI



Transformando tédio em melodia



O que não é flor na Primavera...

I

Recusas a dança,
A canção que repete a música de ti.
Recusas o silêncio,
Foge tua vida por medo, por asco,
De tua insistente vaidade de falar.

Não há arte,
Não há gozo,
Não há repouso... Repouso!

Há uma inabalável segurança de si.
E, no entanto, tremes.
E, no entanto, choras.
Segurança?

Ânsia...
Sede de tudo o que não tens,
Vazio do que já não tens,
Desejo de seres o teu desejo
-          isto a que te recusas e és...!



E chegam as flores...

I

Livros e livros. Compromissos.
Responsabilidade. Horários.
Agenda...

Caos em teus pensamentos,
Sentimentos.
Solidão programada para não doer.

Para! Olha as flores...
Foge e vai ver o mar.
Existe vida além da regra.
Cores além do formal.
E tanto riso além do método...!

II

Deixar que a chuva lave,
Leve a mais sangrada, sofrida,
Ferida.

Deixar  o sol irradiar, incendiar,
Com sua luz, seu calor.
Deixar secar a tua dor.

Sorrir. Sempre e infinitamente sorrir.
Abrir os braços. Acolher o vento.
Abrir as portas!

É preciso espaço para o que vai vir.
É fecunda a crença num sentimento.
É preciso, é fecundo, abrir as portas...

[dos idos de 1997...! ou 1998?!?]





Máscaras



Perder-te e, no entanto,
encontrar-me nas mentiras
que já não me minto
de, tão fácil,
entregar-me
ao amor que não sinto.



(Poema em Fevereiro de 2007, quase-carnaval - Recife: Várzea do Capibaribe)

Eu tenho dito que a poesia é quase sempre um acidente no cotidiano...