terça-feira, 6 de janeiro de 2009

(intervalos)

..a edição única e inesgotável dos "diários do futuro"..
Vida vivida. Amanheceres incontornáveis. Imperativo: viva!
Leia-se: êita, vida boa! se isto é guerra que nem venha a paz...! (rsrsrs)


ATENÇÃO: Tô catando poemas aqui e nos papéis...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

..no tempo dos quintais..


era bem ali
o alto-mar e, nós, piratas temidos.
era bem ali
a floresta encantada e, nós, índios
sabedores de magia.

era ali também
biblioteca das imaginações
onde compunhamos histórias sem escrita.

ali, o Mundo-inteiro e o seu fim...
apocalipses sem-medo, com heróis
salvando a Humanidade
e viajando rumo à Marte.

ali, enterramos solenes o papagaio de Vovó
- aquele papagaio chato, gasgito, matraca...
que me chamava "Boneca-de-feira"!!!

ali, o incrível resgate do peru de Natal.
ali, as fugas de um galo brabo, de nome francês... Pierre!

era bem ali
que se cresciam as sementes de nossas infâncias.
e é ali, bem ali,
que plantamos sementes de sonhos feitos filhos,
netos de nossos pais,
bisnetos de nosso avô,
pais de nós...
- Paz a nós! assim na Terra como nos quintais!


[luciana, 05 de janeiro de 2009]

..paulo..

AMOR BASTANTE


quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto


Paulo Leminski

.baú de guardados.

Intradução

por Luciana Cavalcanti



Porque a cada instante

eu te amo,

E a cada afago, a cada riso teu

Com um amor impreciso, relutante,

Amor intraduzível,

impossível de medir-se.

E porque amo com medo do que me trazes

E necessito do medo de perder-te,

E te procuro como quem foge,

E te aguardo como quem dorme...

Até mesmo por rir do absurdo

Encontro de vidas-sonhos em nada (nada?) iguais,

Sei que jamais o poema falará de algum amor

Com fidelidade e exatidão,

como se fosse tradução.



Catando coisas num Cd antigo de Backup daquilo que eu havia escrito num Pentiun II que foi meu primeiro PC (acho que era um Pentiun II...). O poema deve ter uns 10 ou 11 anos de idade. Mas cabe... E o Tempo segue rindo de nós!




[ficando peixes]

..espera..


na espera de ventos

que soprem sobre o teatro
e transforme em vinho
o que vai além do barco

de caminhos engatinhados
por cabeças pensantes
sem peso, sem medo
esperando confiante

a se livrar de palavras
corretas e consentidas
aceitando aquelas sem sentido
e que agucem meus sentidos



[poema tomado de empréstimo do Blog Páginas de Mercúrio, de Rodrigo Oliveira ("Gato Véio"), sem a permissão prévia dele... - Postou porque quis!!!!]

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Re-começando

Desejos de Janeiro...


Saiba um amor que te sinta,
mergulhe por sede da pele,
delire em canção que não minta...
E feche os olhos,
e abra o peito,
encontre o mar.

Encontre o caminho de casa,
da casa invisível,
onde morarão teus sonhos,
onde moras já (sem saber).
Queira o amor,
dilate o querer,
dilate os dias,
comendo as horas sem pressa,
como fruta boa em dia de mar.

Saiba saber do desejo,
não se esquive (nunca!) ao bom do beijo
- nem se furte ao beijo roubado!
Sinta o amor do cuidado,
saiba das harmonias do silêncio
e cante. E dance. E seja...

Feche bem os olhos, se veja.
Ajuda, no escuro, ao parto
da Luz. Ilumina o olho cego das ruas,
desengaveta os poemas,
mostra a cara,
assume o sonho,
desnuda a alma...

E o mais certo de ti,
desnuda também, com calma,
porque em cada pele dorme
um bocado atrevido de luz.

Guarda a lua que vês,
três pedaços de crepúsculo
e dois de aurora,
para trazer nos olhos
à emergência do amor amado.

Não peça nada dos dias,
antes, desperta em cada um
a vontade mais doida e boa
de te fazer sempre mais
feliz, feliz...

E seja
feliz com o que deseja
e desejante do que faz riso.
Criterioso sem ciso,
cuidadoso, sem medo...

Seja o mistério e seja claro,
seja aquele instante raro
em que se sabe beber o Eterno
nas bocas.

Seja uma verdade,
não última, nem primeira,
seja qualquer verdade verdadeira
de um amor que se quer para querer,
de um momento
que não te aceita sozinho,
de um viajante, embriagado de caminho,
que deseja parar e olhar o sol.

Veja a estrela que arde,
aprenda a ouvi-las,
aprenda a dividir com as estrelas
a força
de multiplicar teus desejos,
de trazer os desejos pela mão,
de trazer o desejo nas mãos,
e estender brilho,
transbordante,
dos olhos ao chão de casa.

Saiba, de cór,
saiba demais, de ouvido,
a canção que te traz sentido
a um novo amor...
Saiba por um cheiro,
imaginar cores e formas.
E saiba inventar melhor depois.
Ou saiba nada. Esqueça um pouco...
E – de sexto sentido e outros cinco -
intua, de intuição descarada,
boa vida
para dois.


Luciana Cavalcanti