segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Poesia adentro...

Concepção


Meus livros,
Meus filhos,
Possuem um nome, um jeito, um rosto,
Antes mesmo de existirem.

Antes de serem, já são.
Gosto de sonhá-los,
De trazê-los à minha casa.
E, quando estou só,
Quando estou triste,
Falam-me por horas e horas,
Abrem-se para mim.

Meus livros
E meus filhos
Não sei como virão,
Não sei quando serão
De fato, de tato.

Não me perturbo
Em perguntar quantas horas,
Quantas dores serão
Até que vivam além de mim.

Gosto de amá-los. De pensá-los.
Meus livros, filhos.
Antes de serem, são.
De mim, fruto e semente,
O que é gerado e geração...
(Luciana Cavalcanti, 1998/99)

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