domingo, 28 de setembro de 2008

Carta de renúncia
(Luciana Cavalcanti, Agosto de 1998: Recife)




Eu, de meus medos e buscas consciente,
ao racionalismo de um amor sociável,
renuncio, neste instante, solenemente.

Renuncio
ao nobre conceito de relação estável
-conceito baseado em formalidades, unicamente.
Nego-me a buscar no outro um perfil (recomendável).

E, considerando a liberdade um inviolável direito,
apresento uma nova lei
para reger Vida e Sentimento:
“Que se rompa toda barreira e preconceito.”
“Que prevaleça a soberania da alegria, do contentamento.”
“E todo aquele que violar a referida lei esteja sujeito
à solidão, pesar e lamento.”

Não buscarei segurança
(por ser uma força avessa à ousadia).
Tampouco buscarei sossego...
Antes, quero a inquietude!
Quero a busca ansiosa de redescoberta,
de recomeço...

Doravante, no amor, me valerá o Ilogismo,
o Sonhadorismo,
o Inquietismo.

Rio-me, agora, da hipocrisia de tantos
que, em nome do nobre e correto, apedrejarão
frutos da pureza e sinceridade, da mutualidade una.

Por fim, renuncio,
sem sombras de medo ou dúvida,
ao amor mais bem-social que sentimento
e mais sensato que feliz.

Um comentário:

Lívia disse...

Faço minha a sua renúncia... Embora, talvez, não tivesse conseguido dizer dessa forma... Faço tão minhas as suas palavras de renúncia, que resolvi roubar (mais um) pra mim... Vai pro "quem sou eu"...

Um grande beijo!

Delícia vir aq sempre...