sexta-feira, 22 de agosto de 2008

- Que dizer?

Não esconder-me por trás da porta.
- O que pode a porta
a mais que um escudo de papel?
Não mais assistir imóvel
à dantesca reprodução de sombras
nas paredes deste teatro vazio.
Não mais parar.
Não mais chorar.
Não mais tremer.
Não mais erguer, implorando, as mãos
a um alto, Céu...
Fazer da Vida
o instante-agora
de negar (gritando) todas as mentiras
pelas quais perde-se dinheiro,
e tempo, sangue...
E liberdade, e gente!
Olhar fundo nos olhos
daquilo que assusta
e gritar "não".
E viver, até a última consequência,
o "basta"...
- Pra mim, chega!
Esse disparo errou o alvo
e acertou-me em cheio:
sangrou-me inteira,
abriu-se uma ferida...
E, agora, sei mais da Vida.
E, agora, sei reconhecer artimanhas de prisão,
de ocultação, de alienação,
de Morte.





(Várzea do Capibaribe, poema de Mãos trêmulas, após o assalto e o tiroteio... após estar presa, no meio do fogo cruzado)

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