sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Ficando Peixes...

ATRASO PONTUAL
Ontens e hojes, amores e ódio,
adianta consultar o relogio?
Nada poderia ter sido feito,
a não ser o tempo em que foi lógico.
Ninguém nunca chegou atrasado.
Bençãos e desgraças
vem sempre no horário.
Tudo o mais é plágio.
Acaso é este encontro
entre tempo e espaço
mais do que um sonho que eu conto
ou mais um poema que faço?

[Paulo Leminski]


Vou sair correndo desta cidade em busca de um lugar qualquer onde possa escrever o poema da minha desgraça
Vou, porque já é demais para mim o espetáculo incessante da simulação e inexpressão das almas
Vou sair correndo, correndo... correndo pelas avenidas, pelas ruas, através os homens vestidos e as mulheres nuas
E os edifícios… vou sair, fugindo, fugindo dos olhares estéreis dos edifícios, correndo pelas ruas como um ladrão que se sentisse perseguido
Vou sair, vou movimentar toda essa gente fazendo com que me olhem, vou parar os carros fazendo com que não me matem, vou
Porque não posso mais desse irremediável – vou – tão maior e tão mais fraco do que eu mesmo, que me leva e me deixa gravado em todas as faces da vida...


["fuga e adágio", vinícius de morais]





“O amor que não dá certo dura mais”
(Fabrício Carpinejar)


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