domingo, 2 de dezembro de 2007


A cor das paredes,

o lugar (preciso) de cada coisa

e (re)colorir com quadros e móveis...

Preparo um poema

como quem arruma o quarto.

Com ansiedade, o rearrumo,

cada dia,

e desejo vê-lo feito

como quem aguarda o parto.



Preparo um poema

como quem planta flores,

estuda-lhes os aromas,

espalha-as em cada canto,

transplantando paraísos aos caminhos.



Não calcularia um poema,

com palavras de fino trato,

com métrica e comedida,

ciosa por não mostrar-me...



Apuro sons e imagens,

perco-me em seus alcances

e não decifro, por vezes,

as mensagens que trazem...



No entanto, preparo um poema.



E é um preparar de quem rasga

a terra e deita sementes...

Cuidado de verde delicado,

quando as terras e as mãos se desejam

e o suor fecunda o chão...

pois eu preparo um poema

como, em alquimia, se prepara o pão.




["trabalho", poema de mão-à-obra... achado-perdido num caderno bem antigo]