domingo, 27 de maio de 2007

Long play


Canções silenciam em discos.
Imóvel,
a vitrola, se faz
espelho implacável.
Ali, me vejo:
em poemas aprisionados,
canções que já não canto (agora)
trazendo versos na melodia
que preenche, ainda,
os espaços vazios.


Há canções que já não me querem
ver com este rosto de hoje,
descontente de mim.
Evitam minha rua. Já não freqüentam
os mesmos bares...
Possível até nem trocarmos um “bom dia”
numa manhã dessas,
em encontro casual.


Talvez, o silêncio me roube versos...
Ou, astutamente, tire proveito
da vitrola vazia,
do ouvir indiferente
de alaridos na rua.


Devolverias, por acaso, a harmonia e o tom
das canções bem guardadas nos discos
que me faziam a guia?


Talvez, o silêncio me roube alma...
Ou, grosseiramente, me impeça
(de)cantar as canções silenciadas,
re-cantar as canções caladas na boca,
(hoje) estéril e endoidecida.


Nem dissonância, nem silêncio:
cadenciadas dores,
em melodia crescente que,
ao se fazer ouvir,
me arranha os discos!



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Um poema bem "breguinha" para retratar a relação doída do ouvido-coração com os discos, vez por outra...

3 comentários:

Silas disse...

... tenho que ler novamente.rsrs

Silas disse...

haha brincadeirinha! Eu gostei muito!

lucicleide disse...

Poema " fofo " ... quando li, lembrei da minha VACA... afinal toda mulher que se preze, teve, tem ou terá uma vaca...rsrs ... fora as brincadeiras ... gostei muito tia Lú...nada de " breguinha" tudo o que expressa sentimento, seja ele qual for, é válido!