quinta-feira, 26 de abril de 2007

NÓ...

[arte de Galvão]





Este corpo
(dizem...)
carrega uma alma.
Infinita,
a tal alma se sabe
e se busca
em minhas buscas...


Este corpo,
com preguiça,
se ergue todas as manhãs,
sem que se eleve
a alma que há,
e se busca
fora de mim...


Este corpo
ensinou-me, de mim,
quase tudo:
pela fome,
pela sede,
pelo frio,
calor
e desejos.


Estandarte de mim,
o corpo que sinto,
carrego
e vejo, é onde,
às vezes, me sei.
E intuo
(através do espelho)
as silhuetas da alma-mistério.


No entanto,
misturados só,
confluídos só,
entrelaçados só,
dados em nós,
corpo e alma
se podem ver...
E entendem a mim.
Entendo-os, enfim: Desejo.





[Recife, Rua do Hospício, fim de tarde de 24 de Abril de 2007. "Nó", por Luciana Cavalcanti]
ILUSTRAÇÃO: arte de Galvão. Mais em: www.vidabesta.com

5 comentários:

Ana Maria disse...

"Este corpo
ensinou-me, de mim,
quase tudo:
pela fome,
pela sede,
pelo frio,
calor
e desejos."

Isso me lembrou um pouco Titãs, nas antigas!!!

E isso ficou lindo com teu jeito impresso por dentre as letras!

Lua, adoro-te!

Bjocas,moça bonita!

Sara Jones disse...

Lu tua loucura
me faz entender o que nao me importo de compreender: Voce
Pois não preciso te compreender pra te admirar.
Um xero bem xeroso

Rozario Azevedo disse...

Lu, dizer que gosto do que tu escreves é pouco. Moça, vc faz versos como que experimenta a chuva c]quando criança!
Beijos

Silas disse...

Isso é que é talento!!!
Bravíssimo, bravíssimo!!!

haha tô tirando onda assim mas você é a melhor que eu conheço, viu, Tia? =)
Você é a melhor porque suas poesias vão direto ao nosso coração. Valeu! Beeeeijo!

Luciana Amâncio disse...

...evidentemente, eu sou a melhor que Silas conhece. Porque Silas nunca tomou cerveja com o Carpinejar, nunca saiu com Jorge Filó, não conheceu Erickson Luna, não é boêmio sujinho de Recif'Olinda... essas coisas... rsrsrsrs ...
tô tirando onda assim, mas... é bem pior: meu irmão, "falar direto ao coração"?!? freeescasse!!! rsrsrsrsrs

Amo tu, danado!!!! :)