segunda-feira, 19 de março de 2007

Do Anestésico


No instante
Em que se dissipa o tédio
Fulgura a chaga, ainda,
Em meio ao torpor.

Infiltra-se a lama
Na pureza inventada,
Fuga malcuidada
Que a tontura inaugurou.

Neste instante,
Tudo,
Os olhos cansados,
O torpe pensamento,
A luz da emoção,
Traduz-se em nada...

O sono não nos esquece a dor!




[sobre os remédios todos, oficiais ou nem tanto, para levar a Vida - Recife, 2002]
Imagem: o Quixote de Portinari.

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