segunda-feira, 12 de março de 2007

.andar com

Fé


Não conheço a Cabala.
Tampouco li o Corão.
Não contei quantas forças
e fraquezas trouxe Eva,
do homem, na costela de Adão.

De um coágulo de sangue,
preso a material cirúrgico
entre as minhas costelas,
Deus fez o milagre
de eu me descobrir barro...

Não o temor da Morte,
mas o pavor dos dias, todos,
em que não tenho vivido...
Eu, que não li o Mahabaratha
e desconheço a sabedoria dos Vedas!

Moisés prescreveu não tomar
O Santo nome de Iawhé em vão...
Com amor dizer Iawhé, Oxalá, Oxum.
E dizer Alá, Jesus, Brahma, Krishna,
no respeito de um dizer irmanado.

Não serei culpada, se não
me atingir alguma pedra. E, então,
serei livre por não ser profeta...
E não ofenderei a Deus,
de quem desconheço o Mistério.

Mas procurarei as Suas mãos, onde,
talvez, permanece a espátula de artesão
e ainda os calos do labor. Ou um corte,
quem sabe origem do coágulo...
e os restos do barro primeiro dos homens.


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[Recife, 2001 - Luciana]

Um comentário:

Marcella Nathaly disse...

Eu passei aqui com a esperança de que minha madrinha, mesmo abandonando o Palavras, não tivesse abandonado a filial do Poesias. Vejo que dei sorte...
Esse verso é profundo:

De um coágulo de sangue,
preso a material cirúrgico
entre as minhas costelas,
Deus fez o milagre
de eu me descobrir barro...

Estás bem?
Achou o corte (origem de tudo)?
Precisando suturar, é só avisar!

Beijão!