quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Pra o meu Senhor do Bonfim nem se zangar...!


Eu sou a chuva que lança a areia no Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara
Água e folha da Amazônia
Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega, você nem chega a me ver
Meu som te cega, careta, quem é você?
Que não sentiu o suingue de Henri Salvador
Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô
E que não riu com a risada de Andy Warhol
Que não, que não, e nem disse que não
Eu sou o preto norte-americano forte
com um brinco deouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música,
A mais velha e mas nova espada e seu corte
Eu sou o cheiro dos livros desesperados, sou Gitá gogoya
Seu olho me olha, mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo.



["reconvexo", Caetano Veloso]


A cabeça quente se rende ao batuque, ao ritmo, à raiz.
Bethânia cantando os versos de seu mano Caetano... E eu pressinto que com fé, ritmo, paixão, dor, pulso, luz e vontade, se poderá re-contar páginas dessa história boa que é a Vida.
Caminho por fazer-se. Caminho ao fazer-me...


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IMAGEM: A. Gondin
Texto: da canção de Caetano Veloso

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