terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Escrita aberta...


Entretanto,
entre nós,
antevejo
a visão turva
do nada aceso
após a curva,
da mão sem luva,
sem pingos, os “is”.
Romântico e triste,
outro filme – até parece
que já o vi...

Entretanto,
acredito,
no que, míope,
vi bonito: o que podia ser...
Acerto de marchas,
toque de clarins,
toque do destino,
um Futuro-menino
brincando de pega-pega.
E esta sem-razão,
cabra-cega,
nos cegando os nós,
fazendo o eu-tu, nós,
amarrados no bom da Vida.

O visto e o re-visto,
os sentidos e o pressentido,
quis saber,
entrevi...
E me achei,
comendo as palavras,
os gestos,
a ausência
e a vontade,
entrelinhas, entreatos,
entre eu e você.

E entre o passado e futuros,
entre o pop e a Bossa,
entre estação e viagem,
entre o “curtir” e a fossa,
entre bloqueios e passagem,
entre o medo e o salto,
entre o carnaval e as cinzas,
a penitência e o riso,
o corpo e a alma,
minha mão e o telefone,
ansiedade e a calma,
meus versos e teu nome,
entre as vias e o fato,
entre os “nãos” e um “sim”,
possibilidade e ato,
permanências e fim...
Entre tudo, entre as ruas,
em que me encontro,
em que te encontro
- e quero encontrar!;
“entre” e “em” tudo
esteja escrito:
entre um pouco,
sinta-se em casa,
sinta-se em mim
e, entretanto,
sinta-se solto
entre as vidas
e todo estradar...


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Luciana Cavalcanti. Recife, Várzea do Capibaribe, 29 de dezembro de 2006; 17 horas.

Um comentário:

loventura disse...

adorei Lu, em especia reconvexo de Caetano. Já pensou em colocar Mário de Andrade?