sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

leitura de cartão postal



Saber
que teus olhares são flechas certeiras,
não temer, no entanto, o corte.
São lâminas que rasgam o céu,
fazendo cantar o vento

- e não desvencilhar dos golpes.
(...)



Passeio

Fonte de onde se derramam enigmas,
ou o brilho é lâmina,
ou vivo diamante.

Pupilas inquietas
- inquietantes!
Brilho certeiro...
Ameaça
ou promessa.
A ventura
ou o corte.

Desafio ao sol,
luz intensa... a espalhar-se,
perene arrebol.
Convocação de batalha.
Mote para versos livres.
Assobio de tempestade.
Céu primaveril.
Iluminada noite...
Teus olhos incendeiam minha casa,
deixando-me a certeza
da ignorância de mim.

Quedo-me em paralisia
porque ris também nos olhos...!
Crianças falantes,
brincantes,
teus olhos nunca mentem:
entregam-se à qualquer
paisagem onde vadiam sonhos.
Férteis terras,
buliçosas águas...
Fonte de onde se derramam inquietudes.



Causalidade

Tua presença é uma pressão
um pouco por fora, e mais
por dentro da pele.
Como lâmina, a solidão,
sempre que eu não te toco,
fere.

2 comentários:

Daniloka disse...

Luciana,professora,achei seu blog!! Muito bom os seus escritos viu!! Adorei!! Fiz o meu blogzinho hj, depois dá uma passada no meu tb!! Bjoks! ;***

Marcella Nathaly disse...

E eu que nunca mais tinha vindo aqui...
Eu adoro os poemas dessa minha madrinha inteligente! E adoro minha madrinha inteligente também!
Beijo!