segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Com a boca mais boa, dizer...

Quase Profecia
(Poema de Batismo II)

Para Victor Henrique: meu pequeno professor de Ternura.

Teu nome anuncia vitória.
Mas qual seria?
Fim de cercas, muros, dores...
Escravidão nenhuma.
E sempre nos caminhos, flores.
O Homem, por fim, liberto.
Ou seria isto muito?
Ou seria isto quase nada,
e melhor seria revolução em nossas vidas:
cada dia, encher de riso;
cada gesto, brotar da alma.

Vitória do sonho que transforma tudo,
Transfigura o Tempo.

Teu nome anuncia vitória.
Mas qual? Esperamos tantas...
O Reino Já, tal conquista seria?
Justiça entre nós. E a Paz,
assim na Terra como no Céu.
Ou os milagres de hoje são mais discretos?
E já não se faz chover maná no deserto...
Mas se quer o Homem solidário e pacífico,
cansado de guerras, como canso eu do trabalho vazio
que não mais me traz senão pão sem gosto?
Há Milagres cotidianos, agora. Feitos de ternura e luta.

Vitória do sopro primeiro: vocação
para, de amor, reinventar infâncias - Édens.

Teu nome anuncia vitória.
E não duvido: ela vem!
Sei que chega contigo (que cresce em mim).
Sonhamos tantas... Prevaleça, no entanto,
A vitória do canto,
teimoso, insistente,
no meio da dor, um canto que se inventa crescente
e zomba do escuro anunciando auroras,
e é maior que o medo,
e ultrapassa o alcance, o tom, a força de nossa voz
!

-------------------------------- Em Novembro de 2002.

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