segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Quem mandou não ir dormir????

Derramou-se no papel inteiro. Não escrevi um poema...cuspi-o pronto! E gostei... Ele ainda não tem nome... pensei uns três... Mas foi um cuspir assim de mulher parindo: doeu.



E seja lá
o que for
felicidade a gente encontre
sem precisar de ajuda.
E seja lá
onde for
o lugar exato a gente saiba
para ficar sem dor...
Porque, eu confesso,
mais de uma vez,
quase acreditei
no amor.
Quase me fiei na sorte
e muito ri,
levando a sério
aquela luz...
Mas já não me esconda nada,
não se esconda em nada
que eu parei comigo
e parei contigo,
eu calei meu peito
para dizer
que não há nada,
não será nada...
E, então, é tudo.
Sendo assim, vai bem:
Eu tomo outro café,
acendo (e esqueço) o cigarro
e já nem acredito
que eu te acreditei...

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Recife, 25 de Dezembro de 2006.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Quente ou frio?


Fria é a noite...
Mas não esta que vaga nas ruas
que, da janela, eu vejo.
Fria é a noite em distâncias
e, no entanto,
mora em mim, quando adormece
o Mundo e desperta
vontade de ti
em meu desejo que transporta,
pela distância, o frio
para o centro do fogo.


---------------------- Luciana Cavalcanti
Renovação


Quanto amor
esparramado no sofá,
espalhado nas gavetas,
solto entre os discos,
acumulado na pia
e misturado à louça suja...
Quanto amor
impresso em camiseta,
sorrindo nos outdoors,
anunciado nos classificados
sem preço de venda – é uma troca.
Quanto amor nas esquinas,
na padaria, na praça,
no ponto de ônibus,
na vídeo-locadora...
Tanto amor que até cansa.
E, então, cansada, adormeço.
Adormecida, te sonho...
Sonhando-te, amo de jeito novo,
Sem ensaio nem rito,
De um jeito natural e bonito,
Assim como viemos ao Mundo!

.......................... Luciana Cavalcanti

Adiantamento



Não. Não demore muito,
Ame agora.
Sem esboço e sem projeto,
Sem estágio ou experiência comprovada,
Sem salário ou carteira assinada...
Ame. E sem demora.
Até a fadiga da alma,
Até o esgotamento de si,
E, então, recomece.
Não. Não pense muito,
Ame agora
Sem ensaio e sem resumo,
Sem limites ou fronteiras
Sem pressa e sem cronograma,
É isto que vai valer a pena
Depois de finda a festa,
Depois de esgotada a cerveja,
Depois de encerrado o assunto,
Depois de tudo. Depois de você...


-------------------------- Luciana Cavalcanti

domingo, 17 de dezembro de 2006

tela


Dói-me o amor
com a poesia que me escorre das mãos
e se espalha no quarto,
da cama ao chão,
preenchendo os espaços em que não estás.

Dói-me o amor
com a embriaguez que me percorre as veias
e a abrangência dos sentidos
inaugurados na alma,
feitos, todos, do fogo, as centelhas.

Dói-me o amor
evidenciado nos olhos
que teus sorrisos cegam

inadivertidamente...

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Feito quadro pintado mesmo. Convite à contemplação... fechar os olhos para ouvir. E entender, então. É mesmo?!? Ah, desse jeito, tudo explicado...

AMANHÃ...


A lua branca
A rubra chama
E prateadas estrelas,
No azul-negro céu, luzindo...

Ao olhar,
Respirei profundamente,
Lembrando o Catimbó de Ascenso:
Insistente, vivo, intenso.
E tu? Haverás de me amar...!




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... porque o amor pede paciência, mas exige transbordamento.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

leitura de cartão postal



Saber
que teus olhares são flechas certeiras,
não temer, no entanto, o corte.
São lâminas que rasgam o céu,
fazendo cantar o vento

- e não desvencilhar dos golpes.
(...)



Passeio

Fonte de onde se derramam enigmas,
ou o brilho é lâmina,
ou vivo diamante.

Pupilas inquietas
- inquietantes!
Brilho certeiro...
Ameaça
ou promessa.
A ventura
ou o corte.

Desafio ao sol,
luz intensa... a espalhar-se,
perene arrebol.
Convocação de batalha.
Mote para versos livres.
Assobio de tempestade.
Céu primaveril.
Iluminada noite...
Teus olhos incendeiam minha casa,
deixando-me a certeza
da ignorância de mim.

Quedo-me em paralisia
porque ris também nos olhos...!
Crianças falantes,
brincantes,
teus olhos nunca mentem:
entregam-se à qualquer
paisagem onde vadiam sonhos.
Férteis terras,
buliçosas águas...
Fonte de onde se derramam inquietudes.



Causalidade

Tua presença é uma pressão
um pouco por fora, e mais
por dentro da pele.
Como lâmina, a solidão,
sempre que eu não te toco,
fere.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Crônica

Quando eu deixar a noite
e conduzir meus olhos
por onde o sol banha
as pedras,
as águas,
as flores todas,
e tinge o azul
do céu que se estende
sobre minha cabeça cansada
do discurso,
do concurso,
do recurso,
esta cabeça quente e, insistentemente,
ocupada...
Eu quero dormir na sala,
me esparramar no sofá... Desistir
e andar na grama,
procurar a sombra,
sentir cheiro de flor.
Eu quero beirar os caminhos...
Trilhar olhos por onde, antes, nunca fui.
Chorar de saudades,
e contar mil estrelas
até cansar da luz.
_________________________
12.11.2001 LAC

A chave do Coração do Mundo...


Lugar Seguro
Juraildes da Cruz

Eu guardo um segredo lindo
Um sonho estrelado
Fico da cor do sol nascendo
emocionado
Vou sim flutuar
Comentar uma canção feliz
Não dá pra explicar
Só o sentimento diz
No amor esse mar sem fim
Sou marinheiro a se devotar
Que não volta fica no mar
Igual você morando em mim
Vem comigo descobrir
Um lugar seguro
O amor é a nave do futuro
Chave do coração do mundo
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Eu poderia escrever palavras minhas, mas fico com a letra (que me emociona de mesmo!) da canção do Juraildes da Cruz. São palavras que cabem no meu peito, agora, com uma força bonita, leve e boa... Suave e verdadeiramente, a Vida se re-apresenta e aponta caminhos para o peito cheio e aberto, e um sorriso novo e certo (certíssimo!)... Com a fotografia inesperada e bem-vinda em que Elke conseguiu captar o momento em que eu e mamãe abraçávamos (juntas) o mar com os olhos... Paz e Bem, enraizados no peito da gente.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Mas não vou me abster de Coca-Cola...



Eu já publiquei este poema aqui?!? Nãooooo????? Siiiimmmm?!? Qual é...?!? Não lembro...! Mas vale lembrar versos cunhados com cuidado cirúrgico - para falar sobre um tema muito complexo: eu mesma... E eu não vou renunciar à Coca-cola. Nem à Cerveja(s). Nem ao Café...!



Diagnóstico

Sofro quando amo.
Sofro quando não amo.
Sofro pelo simples ato
de pensar o que seja o amor.

Sofro o passado morto.
Sofro o presente insípido.
Sofro o futuro incerto
e a agonia de sentir o tempo.

Sofro gastrite crônica
e detesto tomar remédios.
Sofro desgaste de ser
alguém que ama
e desama,
alguém que pensa
e reclama,
alguém que passa,
como tudo,
mas recusa-se a morrer!
_____________________
05.nov.2001 – Luciana
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Tela de Cícero Dias, "Janela"
coletivo (?!?) de autores: http://entortandolinhas.blogspot.com

quarta-feira, 29 de novembro de 2006


Esgotado

Decretar fechado o coração
como se fosse porta,
passiva a teu querer.
Declarar o coração refém
de teus medos todos,
do que é o teu não-ser.

Fechar o coração: não há mais espaços,
não há mais sonhos
e esgotou-se o tempo...
Correu-lhe entre os dedos, se esvaiu.
O tempo, na ausência da esperança,
vacilou, nem quis pensar...e fugiu!
__ __ __ __ __
Luciana Cavalcanti - Recife. s/d.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

De Estudos. E estudos...


poeira de biblioteca

Pela janela aberta,
uma visão qualquer
foi maior que o livro
que, agora, fechado
assiste ao recém-desfeito leitor.

Engano, porém, dar por finda a leitura.
O que, agora, o livro olha em seu leitor distraído
continua a leitura
(infinda) de quem vê o Mundo
e não se conforma: é tão pouco ver!

Dar-se à Leitura do Mundo,
qual tramas da palma da mão.
Leitura de tudo o que vive ou se move,
leitura da tela celeste, entorpecimento de azul,
leitura da água, cristalina ou turva,
das pedras, sólidos caminhos,
leitura para dentro, eu-objeto
(primordial) dos mais elevados estudos...

Aqui, o meu umbigo, ambíguo objeto
para a reflexão científica
ou a discussão do bar.

Um reflexo no espelho,
meu rosto impassível,
com marcas subterrâneas,
impossíveis de contar...

Tantas promessas gravadas
no livro precário e inconcluso
que repousa sobre a mesa de cabeceira...
Reunindo os recortes,
olhando velhas
e novíssimas fotografias
quase sinto espanto:
quanta gente,
quantas vozes, aqui dentro...!
E quantos são os meus olhos estrangeiros,
vagabundos, peregrinos,descobrindo paisagens novas no que sou.
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poema de Luciana Cavalcanti - Recife, s/d.
Tela de Roberto Magalhães

Decisões...

Apontamentos (II)

Desisti dos discursos longos,
dos argumentos todos
que se pretendem irrefutáveis;
das noites irresponsáveis também
– contraditoriamente.
E desisti de jogar o tempo fora,
de jogar “porrinha” na mesa dum bar...

Da ciência estéril,
da vã teologia,
dos risos facílimos,
das leituras densas,
do medo de morrer e,
ainda, da vontade do mesmo,
pois ficar é,
por hora,
um protesto silencioso,
uma vontade de rir incontrolável
– ou paixão contida?!?

Desisti de conter,
de contar,
de concluir.
E de protestar,
de adiar,
de resistir...

Quero sorver à Vida
como ao suco,
abraçar ao Mundo
como a teu corpo
com tudo o que sirva
ao gesto de estreitar objeto e desejo.

E quero, ainda, correr
ao mar como à poesia – com sede, calor, ânsia.
Fazer versos como quem se molha de chuva
antes do trabalho
(e perde a pompa toda, a elegância)...
Dispensar palavras na boca
que deseja traduzir-te a poesia
e sorrir
(precisamente como fazes)
ao perceber que entendestes
o recado, sem sombras
de dúvidas.
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LAC. Recife, 23 de junho de 2004.
Imagem: Tela "Mar Grande", de Pancetti, Brasil.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Há Dez Anos...

Erro
(Setembro de 1996, Recife)

Folhas secas. Galhos secos.
Apenas o resto de um verde que já não há,
Do verde-esperança,
Do verde-bandeira,
Verde-paisagem.

Rouca voz. Grito vão.
Apenas tentativa de pedir socorro,
De pedir sossego,
De pedir esmola,
Pedir atenção.

Olhos embaçados. Visão turva.
E a última tentativa de fugir da sombra,
De fugir do caos,
De fugir do medo,
Fugir do nada.

Recriar. Reacender a chama.
O último desafio que valerá a pena,
Que valerá a chaga,
Que valerá o pranto,
E faz valer o erro.


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Mais Poemas na Garganta da Serpente:

http://www.gargantadaserpente.com/toca/poetas/lucianamancio.php

sábado, 18 de novembro de 2006

de palavra pouca

jeitinho

sob o sol
ante o mar
armar a tenda...

e abrigar
sem seleção
sem dilema

as palavras (todas)
em poema
de encomenda.

----------------------- Luciana Cavalcanti: Em 19/07/2005.

Corpo

Os nós
se desfazem
pelo sopro no ouvido.
No peito,
vacila o pulsar,
exausto de nós...

Resta a mão
que aprisiona os sentidos
do tato
nos sonhos
dos sós.


Tardança

Nem frio.
Nem quente.
O Amor segue...
Embora
descontente.


Narciso

Concreto ou abstrato.
O meu amor
em ti
(re)desenhar constante
auto-retrato.


101

o corpo
que esqueci
no meio

(ao atravessar...)

da BR
quando a Scania
veio.

---------------------------------- Luciana Cavalcanti (Poesia Restrita/pouca palavra...)

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Com a boca mais boa, dizer...

Quase Profecia
(Poema de Batismo II)

Para Victor Henrique: meu pequeno professor de Ternura.

Teu nome anuncia vitória.
Mas qual seria?
Fim de cercas, muros, dores...
Escravidão nenhuma.
E sempre nos caminhos, flores.
O Homem, por fim, liberto.
Ou seria isto muito?
Ou seria isto quase nada,
e melhor seria revolução em nossas vidas:
cada dia, encher de riso;
cada gesto, brotar da alma.

Vitória do sonho que transforma tudo,
Transfigura o Tempo.

Teu nome anuncia vitória.
Mas qual? Esperamos tantas...
O Reino Já, tal conquista seria?
Justiça entre nós. E a Paz,
assim na Terra como no Céu.
Ou os milagres de hoje são mais discretos?
E já não se faz chover maná no deserto...
Mas se quer o Homem solidário e pacífico,
cansado de guerras, como canso eu do trabalho vazio
que não mais me traz senão pão sem gosto?
Há Milagres cotidianos, agora. Feitos de ternura e luta.

Vitória do sopro primeiro: vocação
para, de amor, reinventar infâncias - Édens.

Teu nome anuncia vitória.
E não duvido: ela vem!
Sei que chega contigo (que cresce em mim).
Sonhamos tantas... Prevaleça, no entanto,
A vitória do canto,
teimoso, insistente,
no meio da dor, um canto que se inventa crescente
e zomba do escuro anunciando auroras,
e é maior que o medo,
e ultrapassa o alcance, o tom, a força de nossa voz
!

-------------------------------- Em Novembro de 2002.

sábado, 11 de novembro de 2006

Dois mundos...











O muro

Não fui eu que o construi,
no entanto, estático e arrogante,
ele dorme diante de mim.
E, imenso,
bloqueia a minha estrada.

Se há dois lados,
quem o construiu escolheu um só.
Eu não creio
que de lá não sintam saudades daqui,
que daqui não sintam desejo d’além...

Luciana Cavalcanti (Agosto de 1998, Recife)

terça-feira, 7 de novembro de 2006

...

Argumento

Noite.
Ardem as horas e o mundo
Dilui-se como, em água,
O pó
De meu chá.
Não eras lúcido,
Não eras forte,
Não eras tanto
Para surpreender-nos com tua luz...
Mas vieste
E tudo o que de tua boca nos veio,
Palavra,
Verdades, mentiras,
Penetrou mais que os ouvidos
Atentos,
Invadiu-nos os espaços
Até convencer-nos do medo
De nós mesmos.
___________________________LAC 25.AGO.01/Recife

sábado, 4 de novembro de 2006

Conceito de Amor - I


Sinopse

Eu não
acredito no Amor,
meu amor.
Não me faça promessas,
não me acredite feliz,
nem vá convencer-se
por qualquer sorriso meu...

Eu não vou
procurá-lo se, acaso,
em meio às minhas palavras,
você se perder.

Eu tenho tantos
silêncios, amor, escute.
Você ainda não sabe,
nunca me viu chorar.
Eu vivo por você...
E morro por você. Mais nada.

------------------------------------------------------------------------------------
por Luciana Cavalcanti (ou Amâncio... ou Araújo... ou como queira...). Recife - s/d.

...E o quadro do Dalí, que aqui tens, é chamado "Metamorfose de Narciso". E tenho dito!

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Persistência da Memória...


Arquivo

Não sei se corre
ou se morre,
o tempo que visita meu quarto.

É esquivo ou solícito?

Não sei se o procuro,
ou se aguardo...

E se o tempo telefonar?
O que digo?
Direi (talvez) que sinto sua falta.

Ou lembrarei que está em dívida comigo
- um favor ainda não atendido...

Não sei se me leva
ou me esquecerá,
diante de tantos detalhes ao fazer as malas...

Quando partir o tempo,
terei partido?
Ou ficarei no quarto
a olhar as fotos
de Amor Antigo?

(Luciana Cavalcanti)

De Chão e pernas e pés...


Passos

Caminha.
Até te sentires, na busca, ridículo.
Até sentires como patético o insistir.
Até que te vejas malvisto.
Até que te digas maldito.
Até que te queiras malquisto.

Então, te sentirás distante,
Ou sentirás que és disperso?

Em êxtases de crença ou dúvida,
Caminha...
E sorve essências de absoluto, ínfimo
Ou nada
Até sentires o não-sentir.
______________________________________________
(05.09.2000) LAC

> O quadro é de Salvador Dalí...

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

...atrasou por que não vem?!?

Falta

I

Disposto o papel
e suficiente a tinta,
o Poema de Amor não vem.
Talvez, esteja apenas atrasado...
acordou mais tarde...
perdeu o ônibus...

Ou poderia ter ficado presa
a minha infinita ternura
no elevador...
retardando o percurso
do Poema de Amor...?

Talvez, ainda, o poema marcou
um encontro n’algum Café
com a Esperança
(para fazer-me surpresa ao vê-los juntos)
e, precavida, ela não foi
(para não estar a sós com um estranho)...

II

Por que não chega o Poema?
em seus versos ingênuos
de amante,
abrandando-me a Noite,
distraindo-me a Insônia...?
Por que nem telefonou?

Se eu dormir
sem notícias suas,
talvez
(por tanta ansiedade),
tenha um mau sonho
onde o Poema,
com amor, esperança e tudo,
terá morrido atropelado.
-----------------------------------------
LAC. Recife, s/d.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

...focando o olhar


de Tudo

Um pecado.
Desta vez,
original,
todos os outros,
iguais aos outros,
capitais,
pesam enfadados,
pelo vício de pesar
a consciência
dos mortais.

--------------------------- Luciana Cavalcanti. 25 de junho de 2005.

domingo, 29 de outubro de 2006

Futuro-astronave




Quantos Sonhos...

Quantos sonhos durará minha vida?
Haverá algum deles que me custe o sangue?
De que sonho há de sair correndo
o meu filho
com seus papagaios e cores no ar?

________________LAC 20.Dezembro.2001


Mas se eu apenas sonhasse ter um filho, sem me comprometer com o Mundo onde ele vai crescer, mas que bosta de mãe eu seria!!!
Na ternura de nossa utopia, meu sonho aponta o futuro...
LULA BRASIL!!!

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Horizonteando olhares...

Investimento

Volto do mar
cheia
de futuros.
Escondo horizontes
por baixo das mangas
e não acredito
em má-sorte:
aposto alto,
especulando amores,
para ser feliz, depois,
e com juro.


Luciana cavalcanti - Recife: Agosto de 2006

domingo, 22 de outubro de 2006

Pós-moderno?

Esta coisa de tecnologia: ao invés de os poetas anônimos fuçarem gavetas em busca de seus poemas, fuçam arqivos e pastas no PC... Encontrei, numa dessas buscas, um poema que celebra justamente o poema de amor escrito, assim, ao teclado de um computador...


Tecnologia

Matar
os poemas de amor,
todos,
sem rasgar papel...

- “Deseja salvar as alterações
em Documento3?”


- Naaaãooo!!!

...Nem alteração,
nem poema,
nem o amor que ele contém.

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Luciana Cavalcanti - Recife. S/d.

Mãe, irmã e filha...


Descuido

Traduzia o tempo em pressa
para matar a fome
e saciar a sede,
para revelar-se inteiro
e já não fingir a ausência
do amor estampado no rosto
diante do espelho.

Chegada a hora de esgotar
os argumentos todos
dos ponteiros do relógio
para sentir-se, enfim, liberto,
solto, todo o desejo.

Agora, o sonho danou-se no Mundo,
matou aula
e foi ver o mar...
exilou-se na rua. Fez-se boêmio:
embriagou-se
cantou
fez poesia
olhou a lua...e julgou-a bem vadia,mas deixou-se enamorar.
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Luciana Cavalcanti - Recife s/d.

sábado, 21 de outubro de 2006

Das possibilidades...



Leitura

Faça o que quiseres
das possibilidades
de mim
em tua vida
do meu telefone gravado
(sem nome)
na contra-capa
de um livro.
------------------------------------------------------------- Luciana Cavalcanti. S/d.