sexta-feira, 24 de junho de 2016

Alquímicas - I
(Ou "Da Arte de transformar Paixão em Asco...")

Há uma parte
de mim
muito determinada em estar só
Destrói
o riso de quem me ri
converte comoção em tédio
enxuga a lágrima
cancela o prazer
inventa o enjoo.
Para que seja garantida
a Solidão
reinventa o enjoo
tantas vezes
quantas
for (des)necessário...
Irrita. Irrita. E irrita.
E, sendo insuficiente,
grita...
É preciso enjoar
constantemente
nesta gravidez de um Ego
torto.
É preciso enojar
e inaugurar repugnância
como fluídos e humores
expulsos
pelo corpo
de um querido,
agora, morto.

Poema de caminho e caminhada - Luciana Cavalcanti

Quis trazer ao Poema
a luz de tua cor,
iluminação de teu suor,
cotidiano,
fruto de lutas 
e sonhos,
fonte e semente
de algo que há de vir.
História,
pulsa em tuas mãos
morenas
a insistência do povo
que não se conforma
e repousa somente
para lutar amanhã,
mais forte
e melhor.
Quis trazer ao Poema
a poeira nos sapatos
e a certeza do caminho,
ousado.
Quis trazer esta ousadia,
nossa ousadia...
Novas auroras.
Quis trazer ao Poema
aquilo que só se marca
a ferro e fogo
nas cotidianas batalhas
quando se decide
doar-se e ser
ferro e flor,
como és,
como ousas,
como há tanto tempo
eu houvera sonhado:
"será toda a gente"
e seremos irmãos.
Serenizados,
não recordaremos as dores
da injustiça
e apreciaremos nossas cicatrizes
como medalhas...
E a luz do teu suor,
e o pó em teus sapatos,
testemunharão,
junto aos meus versos,
as bonitezas e as lonjuras
de haver chegado.
"Poema de caminho e caminhada", Várzea do Capibaribe.